Os Vídeos genéricos de Marca. Culpa de Quem?

Este vídeo parece com milhares de outros que qualquer redator – brasileiro ou não – deve ter escrito, recheado de imagens compradas de banco. Nele, todos os clichês que recheiam a maior parte de nossos trabalhos. Mas a culpa é só nossa, redatores? Bem, boa parte é, não vamos mentir. Mas outros fatores conspiram para este tipo de resultado: Verba inexistente para captação de imagens, departamentos de comunicação que preferem cair na mesmice do que oferecer algo diferenciado e serem responsabilizados pela alta gerência por alguma ousadia. Os roteiristas podem oferecer coisas infinitamente melhores. Basta observar a distância entre a propaganda veiculada pelas marcas e seus vídeos institucionais. 

Basta ter coragem. 

Enquanto ela não aparece, este template vai nos atormentar.

Vídeo Genérico de Marca

Este vídeo parece com milhares de outros que qualquer redator – brasileiro ou não – deve ter escrito, recheado de imagens compradas de banco. Nele, todos os clichês que recheiam a maior parte de nossos trabalhos. Mas a culpa é só nossa, redatores? Bem, boa parte é, não vamos mentir. Mas outros fatores conspiram para este tipo de resultado: Verba inexistente para captação de imagens, departamentos de comunicação que preferem cair na mesmice do que oferecer algo diferenciado e serem responsabilizados pela alta gerência por alguma ousadia. Os roteiristas podem oferecer coisas infinitamente melhores. Basta observar a distância entre a propaganda veiculada pelas marcas e seus vídeos institucionais. 

Basta ter coragem. 

Enquanto ela não aparece, este template vai nos atormentar.

O Rei do Camarote e o Controle de Danos

Em uma semana, você não vai mais lembrar quem é, mas na primeira semana de Novembro de 2013 Alexander de Almeida teve seus 15 minutos de fama, de acordo com a bola cantada por Andy Warhol. Seu claim to fame foi aparecer na capa da Vejinha São Paulo como uma das figuras que mais gasta na noite paulista. A capa não ajudou o milionário. Dono de uma empresa que presta serviços para bancos – área conhecida pela ausência de senso de humor e pelo pouco desejo de chamar a atenção – viu vários de seus clientes querendo descredenciá-lo.

Um vídeo com seus mandamentos foi feito pela revista e é tão surreal que houve quem duvidasse da sua existência. A Vejinha fez uma coisa rara: publicou uma matéria reafirmando sua matéria!!

Alexander de Almeida é mais um exemplo da necessidade de damage control.  Alexander será esquecido, mas o caso do Tylenol não foi.

Em 1982, em Chicago, sete pessoas morreram depois que um assassino envenenou cápsulas de Tylenol com cianureto de potássio. O assassino nunca foi capturado. Um incidente deste porte tem capacidade para tirar uma marca do mapa. Não foi o que aconteceu. A marca segue forte até hoje e é um dos principais medicamentos do mundo. O que houve foi o seguinte: a empresa agiu rapidamente. Chamou para si a responsabilidade e foi clara com a imprensa desde o início. Além de dialogar com a sociedade, tomou medidas. Mudou a embalagem para evitar novos envenenamentos. Estabeleceu uma linha direta de cooperação com a polícia local, com o FBI e com a Food And Drug Administration.

Com isso, reconquistou a confiança dos consumidores.

O jornal The Washington Post citou a Johnson & Johnson como um exemplo de “como uma empresa de grande porte lida com um desastre”, acrescentando “isso não foi como no vazamento nuclear da Three Mile Island, no qual o comportamento da empresa provocou mais danos que o incidente original”.

Há milhares de casos menores que mostram o seguinte: a primeira linha de defesa é ser claro com a sociedade.

O prefeito de  prefeito de Toronto (Canadá), Rob Ford, teve um vídeo divulgado no qual aparece fumando crack. Depois de algumas hesitações, reuniu a imprensa e declarou: Sim, eu fumei crack. Eu sou um viciado? Não. Quando eu experimentei? Provavelmente um ano atrás, durante um ‘estupor alcoólico’”, completou, reconhecendo que “não sabe exatamente” quando o fato aconteceu.

“Cometi erros e a única coisa que posso fazer, neste momento, é apresentar meu pedido de desculpas e seguir adiante”, acrescentou. Sua popularidade aumentou depois da declaração.

Alexander de Almeida virou uma piada nacional. Será esquecido quando surgir algo mais idiota nas redes, mas o impacto em seus negócios pode perdurar.

No momento, sua reação é sumir da mídia. Deveria fazer o seguinte: Reunir a imprensa – aproveitando que existe um interesse por ele -; confirmar o teor da reportagem e criar um fato positivo que contrabalance – ajuda a instituições de caridade, projetos sociais, qualquer coisa que o humanize.

Ele não cometeu nenhum crime, até prova em contrário o dinheiro que ele gasta é dele e ajuda a economia a funcionar. Mas a credibilidade de um empresário que aparece “falando ao celular” com uma máquina de cartão de crédito está, no mínimo, arranhada.

Ninguém está livre de aparecer como um idiota na mídia.

Maluf, uma velha e esperta raposa (mais esperta do que seria recomendável, como sabemos), até hoje é lembrado pela frase “estupra, mas não mata”. Alguém imagina que ele estivesse defendendo o estupro? Claro que não, mas bastou para fazer a festa da oposição.

Um bom gerenciador de crises teria reunido a imprensa, elaborado um discurso dizendo que “além da infâmia do estupro, que já é imperdoável, somar o assassinato é algo inimaginável” e feito uma doação substancial para alguma entidade de defesa da mulher.

A primeira regra para gerenciar crises é jogar limpo. Não negue o inegável. E tenha um bom roteirista para sua explicação. 

Sugestão de comercial para a Coca Cola

Não é sempre que um escritor do calibre do renomado Renzo Mora se dispõe a usar seu inesgotável talento redigindo comerciais. Por isso, a  The Coca-Cola Company deveria avaliar essa proposta e comprá-la imediatamente. Renzo Mora, sabemos, é incorruptível no que se refere à integridade de sua arte – mas abre uma exceção para dinheiro.

Sinopse:

Cristo está no deserto. Ele acabou de ser batizado por João Batista. Decide jejuar por quarenta dias e noites no deserto da Judeia. O Diabo aparece para tentá-lo. Frutas frescas. Carne de vitela. Mulheres. Assinatura vitalícia da HBO.  Tentação após tentação, o demônio falha miseravelmente. Até que no 39ª. dia, o Cão Chupando Manga aparece com uma Coca Cola gelada. Não oferece. Simplesmente abre a latinha suada e dá um gole. Solta um “Ahhh” feliz. Jesus olha para um lado. Depois para o outro. Olha para cima.

Diz baixinho: “Dá um gole desse troço aí”.

Entra o Pack Shot.

Assinatura: Coca Cola. Irresistível.

A Playboy e o discreto charme das mulheres notas 6…

Na humanidade em geral, as mulheres excepcionalmente bonitas constituem 3% do total. Nas capas da Playboy, 99,7%. Sim, a Playboy democraticamente abriu suas páginas para mulheres que não eram – pelo menos obviamente –  lindas.

Em 1994 a capa da edição americana foi Patti Davis, então com 42 anos. Claro, a magrela Patti era filha do Presidente Ronald Reagan – Líder do mundo livre e inimigo declarado da revista e de seu fundador, o lendário Hugh Hefner – o que compensava plenamente sua falta de atributos físicos.

Dois anos antes tinha sido a vez de Sandra Bernhard – dificilmente alguém que você imaginaria em uma revista cuja edição inicial trazia Marilyn Monroe. Mas Sandra era uma das namoradas de Madonna, então no seu auge, incensada por todo o hype que cercava a maior estrela pop de sua geração.

Em 2009 o coelhinho acolheu uma típica dona de casa: Mãe de três filhos, dedicada aos afazeres domésticos, pouco atenta à moda  e esposa de um mero operário de uma usina nuclear. Seu nome era Marge Simpson e não exatamente alguém que pudesse competir com a capa típica.

A edição brasileira não ficou fora da polêmica e trouxe em 1988 as fotos de Hortência, a jogadora de basquete, que também provocaram enorme discussão: a atleta merecia uma edição da publicação que mais celebrou a beleza feminina? (verdade seja dita, depois de aparecer aqui ela melhorou muito e está mais gata hoje do que na época das fotos).

Rosenery Mello (a “Fogueteira”) enfeitou a capa de 1989, baseada no fato de ter se envolvido involuntariamente na farsa de goleiro Rojas, que fingiu ter se ferido com o artefato disparado pela moça, um sinalizador da Marinha. Também não era uma head turner, como os americanos descrevem a mulher que faz você virar a cabeça quando passa pela rua, apesar dos heroicos esforços dos maquiadores e cabelereiros.

A Playboy errou em publicar essas mulheres?

Não. A celebração da beleza feminina não pode ficar restrita a apenas 3% da espécie ( e do gênero – Vamos lembrar da capa com a Roberta Close).

E vale lembrar que, quando se trata de mulheres, há gosto para tudo (O Príncipe Charles substituiu a espevitada Diana pela Camilla Parker-Bowles, não sem antes confessar que trocaria sua posição na monarquia britânica pelo papel de absorvente higiênico de sua amada)

Depois, as mulheres que não estão entre os 3% do top da humanidade têm uma vantagem: Estão geralmente livres daquilo que os economistas chamam de dutch disease – ou a doença holandesa.

Explico: A doença holandesa afeta países que têm abundância de recursos naturais – e esta disponibilidade excepcional faz a nação descuidar de outros aspectos, tais como a industrialização e a diversificação da economia.

Algumas mulheres absurdamente lindas sofrem de uma variação da tal doença holandesa. Ou seja, podem ser decepcionantes na cama. O excesso de disponibilidade de um bem (a beleza) pode inibir o desenvolvimento de outras virtudes (o apego às artes descritas no kama sutra).

Algumas delas podem cair na perigosa armadilha de pensar : “Além de eu ser tudo isso você quer que eu ainda me esforce na cama?. O privilegiado aqui é você. Faça por merecer seu prêmio”

Vinicius de Moraes – que sabia tudo de amor e de mulheres – celebrou a mulher que gosta de cama (mesmo sem ser uma deusa) no “Soneto de Devoção”: “…Essa mulher é um mundo! – uma cadela
Talvez… – mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!”. (PS – Em termos de mulher, sugiro fortemente que você não entre em uma briga com o poetinha).

Pode ser que existam mulheres que – além de pertencerem aos tais 3% da elite estética do mundo – ainda gostem desesperadamente de trepar. Mas, em seu brilhante livro “O Andar do Bêbado”, o físico Leonard Mlodinow nos lembra da triste realidade: “A possibilidade de que dois eventos ocorram NUNCA pode ser maior que a probabilidade de que cada evento ocorra individualmente”.

Em outras palavras – uma mulher ser estupidamente linda (evento um) e ainda ser uma louca na cama (evento dois) é uma combinação estatística rara. Pode acontecer, claro. Mas não é algo em que você vai tropeçar na rua.

Logo, ainda bem que a Playboy lembra – de vez em quando – de celebrar o mundo fora dos 3%.

O Choro de Obama

Os cínicos podem duvidar da sinceridade do choro de Obama ao falar sobre o massacre em uma escola americana, que vitimou principalmente crianças entre seis e sete anos. A mim pareceu sincero, mas isso não é o mais importante. Um líder tem a função de canalizar o sentimento de uma nação, inspirar, consolar, unir.

A principal arma moral dos britânicos na Segunda Guerra era a verve de Winston Churchill (se bem que a voz que inspirava os ingleses pelo rádio não era dele. O historiador Richard Shenkman diz que os discursos no rádio eram feitos por um imitador, o ator inglês Norman Shelley. Winston fazia os discursos no Parlamento e não queria perder tempo reproduzindo-os em estúdio). Mas isso é um detalhe menor. As palavras de Churchill conduziram uma nação em guerra.

Barack  Obama – provavelmente o melhor orador deste século – falou por todos os americanos neste episódio. E – sinceramente ou não – chorou por (e com) eles diante de um fato que não deixava nenhuma alternativa senão as lágrimas.

É o que se espera de um líder.

Close To You, Asa Branca

Uma coisa que pouca gente falou no centenário do Gonzagão: Sua música influenciou Burt Bacharach. A revelação foi feita pelo próprio  autor  de Close To You ao pesquisador João Máximo – que por sua vez a publicou em seu livro essencial “A Música do Cinema”. Bacharach passou pelo Brasil entre 1958 e 1960 como diretor musical de Marlene Dietrich. Foi nessa época que ele ouviu pessoalmente o velho Lua nas noites cariocas. Aí, por essa você não esperava: 3 graus de separação entre Asa Branca e Barbra Streisand.