A Playboy e o discreto charme das mulheres notas 6…

Na humanidade em geral, as mulheres excepcionalmente bonitas constituem 3% do total. Nas capas da Playboy, 99,7%. Sim, a Playboy democraticamente abriu suas páginas para mulheres que não eram – pelo menos obviamente –  lindas.

Em 1994 a capa da edição americana foi Patti Davis, então com 42 anos. Claro, a magrela Patti era filha do Presidente Ronald Reagan – Líder do mundo livre e inimigo declarado da revista e de seu fundador, o lendário Hugh Hefner – o que compensava plenamente sua falta de atributos físicos.

Dois anos antes tinha sido a vez de Sandra Bernhard – dificilmente alguém que você imaginaria em uma revista cuja edição inicial trazia Marilyn Monroe. Mas Sandra era uma das namoradas de Madonna, então no seu auge, incensada por todo o hype que cercava a maior estrela pop de sua geração.

Em 2009 o coelhinho acolheu uma típica dona de casa: Mãe de três filhos, dedicada aos afazeres domésticos, pouco atenta à moda  e esposa de um mero operário de uma usina nuclear. Seu nome era Marge Simpson e não exatamente alguém que pudesse competir com a capa típica.

A edição brasileira não ficou fora da polêmica e trouxe em 1988 as fotos de Hortência, a jogadora de basquete, que também provocaram enorme discussão: a atleta merecia uma edição da publicação que mais celebrou a beleza feminina? (verdade seja dita, depois de aparecer aqui ela melhorou muito e está mais gata hoje do que na época das fotos).

Rosenery Mello (a “Fogueteira”) enfeitou a capa de 1989, baseada no fato de ter se envolvido involuntariamente na farsa de goleiro Rojas, que fingiu ter se ferido com o artefato disparado pela moça, um sinalizador da Marinha. Também não era uma head turner, como os americanos descrevem a mulher que faz você virar a cabeça quando passa pela rua, apesar dos heroicos esforços dos maquiadores e cabelereiros.

A Playboy errou em publicar essas mulheres?

Não. A celebração da beleza feminina não pode ficar restrita a apenas 3% da espécie ( e do gênero – Vamos lembrar da capa com a Roberta Close).

E vale lembrar que, quando se trata de mulheres, há gosto para tudo (O Príncipe Charles substituiu a espevitada Diana pela Camilla ParkerBowles, não sem antes confessar que trocaria sua posição na monarquia britânica pelo papel de absorvente higiênico de sua amada)

Depois, as mulheres que não estão entre os 3% do top da humanidade têm uma vantagem: Estão geralmente livres daquilo que os economistas chamam de dutch disease – ou a doença holandesa.

Explico: A doença holandesa afeta países que têm abundância de recursos naturais – e esta disponibilidade excepcional faz a nação descuidar de outros aspectos, tais como a industrialização e a diversificação da economia.

Algumas mulheres absurdamente lindas sofrem de uma variação da tal doença holandesa. Ou seja, podem ser decepcionantes na cama. O excesso de disponibilidade de um bem (a beleza) pode inibir o desenvolvimento de outras virtudes (o apego às artes descritas no kama sutra).

Algumas delas podem cair na perigosa armadilha de pensar : “Além de eu ser tudo isso você quer que eu ainda me esforce na cama?. O privilegiado aqui é você. Faça por merecer seu prêmio”

Vinicius de Moraes – que sabia tudo de amor e de mulheres – celebrou a mulher que gosta de cama (mesmo sem ser uma deusa) no “Soneto de Devoção”: “…Essa mulher é um mundo! – uma cadela
Talvez… – mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!”. (PS – Em termos de mulher, sugiro fortemente que você não entre em uma briga com o poetinha).

Pode ser que existam mulheres que – além de pertencerem aos tais 3% da elite estética do mundo – ainda gostem desesperadamente de trepar. Mas, em seu brilhante livro “O Andar do Bêbado”, o físico Leonard Mlodinow nos lembra da triste realidade: “A possibilidade de que dois eventos ocorram NUNCA pode ser maior que a probabilidade de que cada evento ocorra individualmente”.

Em outras palavras – uma mulher ser estupidamente linda (evento um) e ainda ser uma louca na cama (evento dois) é uma combinação estatística rara. Pode acontecer, claro. Mas não é algo em que você vai tropeçar na rua.

Logo, ainda bem que a Playboy lembra – de vez em quando – de celebrar o mundo fora dos 3%.

Uma resposta para “A Playboy e o discreto charme das mulheres notas 6…

  1. Não acho a Rosenery Fogueteira (que Deus a tenha…) feia. Sério. Não sei o porquê de tanta implicância com ela. Homens, manifestem-se e me expliquem por que a moça é tão rechaçada.

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