Eu e David Mamet Achamos Laurence Olivier Um Chato do Caralho

O texto abaixo é de David Mamet, o romancista americano, publicado na Piauí.
Ontem revi Hamlet, com Olivier.
É chato pra caralho.
Olivier solta as frases correndo para depois ter mais tempo para ficar pulando pelas escadas de Elsinore, usando uma calça de Peter Pan enfiada na bunda – mais ou menos como ele usava o ator Danny Kaye.
Os monólogos shakesperianos são colocados em off enquanto Laurence fica fazendo cara de paisagem e usando mais fumaça que todas as peças do Gerald Thomas juntas. Antes do famoso solilóquio, Laurence nos brinda com um imperdoável close de seu… cabelo!!!
Mamet me redime. Não sou eu que sou uma besta. Olivier é que é um chato. Vai lá o Mamet me absolvendo:
“Há limites, claro. A Constituição dos Estados Unidos, esse documento adorável, estabelece que a liberdade de expressão só vai até a defesa da derrubada violenta do governo; e as tradições das Ilhas Britânicas observam um mandamento implícito vedando qualquer crítica a Laurence Olivier.

Não agüento mais e pretendo livrar os meus ombros do peso desse fardo intolerável: não suporto as atuações de Laurence Olivier. Ele é duro, autocentrado, mal-humorado, afetado e pouco generoso. Em Khartoum, a Batalha do Nilo, todo mundo, tanto os árabes como os cristãos, refere-se ao seu personagem como o “Mahdi”, enquanto ele, com a pele coberta de chocolate, e com um nariz falso do tamanho de um condado, se autodenomina Macch-di, como se corrigisse a pronúncia de todos os seus colegas.

Em Lady Hamilton, ele passa o tempo todo sussurrando e desviando o rosto da câmera. Em Invasão de Bárbaros, quem haverá de saber que diabos ele está fazendo? Ele tem um bom momento, no papel de Hurstwood em Perdição por Amor, quando a porta do cofre de Dreiser se fecha. E não vai de todo mal nas cenas musicais de Vida de Artista. Mas, no geral, tenho fome de comida e ele só me oferece um daqueles cardápios com a foto dos pratos.

Não pretendo abalar a sua reputação de “Maior Ator do Mundo”. Ele conquistou a posição com justiça, conservou-a com honradez e contribuiu muito para o teatro britânico e mundial. Além disso, quem o viu no palco fala dele com reverência. Assim, deixarei de lado o bem que ele fez. (Um gesto insensível, pois, por muitos anos, gozei do privilégio de ter as minhas peças encenadas no National Theatre, que ele dirigia, e, inclusive, conheci a minha mulher no palco que leva o nome dele. Se você, caro leitor, por desgosto com a condição humana, não conseguir continuar lendo, aceite a contrição de “um autor compreensivo”. Mas estou ficando velho, e posso dizer o que quero. Rezo para não fazer mau uso desse dom precioso, permitindo que degenere em mera licença. Mas não rezo com muito fervor.)”


Sério, Larry? A Câmera mergulha in the back of the cucuruto para mostrar o que se passa na mente atormentada de Hamlet? Que merda, hein, Larry…

Ainda Danny Kaye. Em uma cerimônia do Oscar, Laurence encontrou Robin Williams. Larry disse para ele: “Não use tanta maquiagem. Você parece afeminado”. Robin: “É? E como vai Danny Kaye?”

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