Algo de Podre no Vaticano

Uma velha história: No século 19 a Igreja Católica perdeu grande parte de seus poderes em razão da Revolução Italiana. Como contrapartida, o Papa Pio IX ordenou ao Concílio Vaticano que passasse a doutrina da infalibilidade papal inquestionável. Paralelamente, ele recebeu 40 milhões de liras para administrar a seu bel prazer. E com isso veio o Banco do Vaticano.

Em 1968, autoridades do Vaticano contrataram Michele Sindona como um conselheiro financeiro, apesar de passado questionável de Sindona. Sindona era o principal responsável pelo afluxo maciço de dinheiro para o banco, que incluía a a lavagem de dinheiro da família mafiosa Gambino de heroína, proveniente da venda de heroína, levando uma comissão de 50%. 

Vale lembrar que a Igreja Católica é uma grande empresa religiosa e, ao mesmo tempo, econômico-financeira – como toda igreja de qualquer orientação religiosa. Não pode ser dirigida sem dinheiro, daí o bispo americano Paul Marcinkus, secretário do Instituto Para as Obras Religiosas (IOR), mais conhecido como Banco do Vaticano, ter dito, de modo apropriado: “Pode-se viver neste mundo sem se preocupar com o dinheiro? Apoiado pelo papa Paulo 6º, Marcinkus desenvolve uma política financeira agressiva. Em 1960, “a Igreja controla de 2% a 5% do mercado de ações”.

Pragmático, Paulo 6º, para escapar ao cerco fiscal do governo italiano, que exige “o pagamento de todos os lucros retroativos sobre investimentos, o que supera 1 bilhão e 200 mil euros atuais”, começou a transferir recursos para o exterior, com o apoio do já citado banqueiro siciliano Michele Sindona (que “controlava o aporte de capitais da máfia”) e de Marcinkus. Sindona, dirigente do banco suíço Finbank e da Banca Privata Italiana, e Marcinkus controlam “a mais maciça das exportações de capitais jamais ocorrida aos subterrâneos do Swiss Bank, em parceria com a Santa Sé”. Ampliando a rede, Sindona e Marcinkus colocam outro banqueiro no negócio, Roberto Calvi, dono do Banco Ambrosiano.

Mas as jogadas do trio Marcinkus-Sindona-Calvi começam a falhar, sobretudo com a crise econômica de 1973, a do petróleo, e investimentos temerários. O Banco Franklin, controlado por Sindona, tem perdas de 2 bilhões de dólares, a Banca Privata perde 300 milhões e o Finbank perde 82 milhões. Para não ser preso, Sindona foge. Marcinkus afirma, em 1975, que “o Vaticano não perdeu 1 centavo”. Como o bispo não fazia milagres, a Santa Sé perdeu de 50 a 250 milhões de dólares.

 

Com a morte de Paulo 6º, Albino Luciani, com o nome de João Paulo 1º, assume o comando da Igreja Católica. Sua primeira providência, no campo financeiro, seria retirar Marcinkus e Donato de Bonis do Banco do Vaticano (IOR). Tomou a decisão em 28 de setembro de 1978. No dia seguinte aparece morto.

O livro “Em Nome de Deus — Uma Investigação em Torno do Assassinato do Papa João Paulo 1º” (Record, 370 páginas), de David A. Yallop, sustenta que teria sido envenenado. Karol Wojtyla, com o nome de João Paulo 2º, assume e mantém Marcinkus no Banco do Vaticano. Em 1982, com o Banco Ambrosiano quebrado, Calvi aparece enforcado, sob a ponte dos Frades Negros, em Londres. Teria se apropriado de parte do dinheiro da máfia.

Esta história corre há anos.

Agora vem um novo capítulo.

Emanuela Orlandi tinha apenas 15 anos de idade quando em 22 de junho de 1983 desapareceu no centro de Roma. Era filha de um mensageiro do Vaticano. Seu paradeiro é até agora desconhecido e foram difundidos dezenas de rumores que tentam vincular o caso com bispos, sacerdotes e até com a captura de Ali Agca, o turco que tentou assassinar o Papa João Paulo II em 1981.


Uma das versões era de que o sequestro da menina seria uma vingança dos mafiosos para recuperar o dinheiro perdido com as operações do Banco Vaticano.

Em 2005, Sabrina Minardi, identificada como ex-amante do chefe da máfia Enrico De Pedis, assassinado em um ajuste de contas em 1990, assinalou o mafioso como autor do seqüestro de Orlandi e insinuou que em sua tumba encontrariam provas do desaparecimento da jovem.

Aumentando a confusão, um blogueiro chamado Thomas Castroviejo (ou Tom C. Avedaño) publicou na sexta-feira 25 de maio a nota “Emanuela Orlandi foi escrava sexual no Vaticano, afirma o exorcista mor” no blog Gazeta Trotamundos do Yahoo Notícias em Espanhol. Segundo ele, a fonte da informação seriam as
 memórias do famoso exorcista Padre Gabriel Amorth.
Avendaño, em seu perfil do LinkedIn.com, se apresenta como jornalista colaborador do El Pais.

Tudo isso poderia ser descartado como teorias delirantes de conspiração não fosse por um detalhe: Enrico De Pedis,o mafioso apontado como parte do sequestro da menina e chefe da Banda de Magliana, foi enterrado na Basílica de Santo Apolinário, em Roma, ao lado de antigos papas e cardeais, um local considerado sagrado. Sant Apollinare é uma igreja do século 7, que fica próximo ao local dos banhos romanos construídos pelo imperador Nero 

A agência de notícias italiana Ansa informou que uma fonte da Santa Sé alegou que houve uma relutância inicial, mas o vigário-geral de Roma, cardeal Ugo Poletti, acabou dando “sua benção” ao negócio devido ao valor do montante oferecido pela esposa do chefe mafioso. Diante disso, o dinheiro teria sido utilizado em missões da Igreja e na restauração da Basílica de São Apolinário, onde De Pedis foi enterrado após seu assassinato em 1990.

A morte do mafioso permaneceu todos esses anos como uma incógnita, mas o assunto voltou à tona no início deste mês, quando o procurador Giancarlo Capaldo declarou que os altos funcionários do Vaticano saberiam muito mais do que revelavam sobre as ligações da Banda de Magliana com a Santa Sé, e ainda, sobre o desaparecimento de Emanuela Orlandi. Alguns acreditam que o pai da menina teria provas ligando o Banco do Vaticano com o crime organizado e, por isso, De Pedis teria organizado o sequestro para mantê-lo em silêncio. Também há especulações de que o corpo da jovem foi enterrado junto ao túmulo do chefe da máfia.

Para finalizar, uma história que pode ou não ter algo a ver com a anterior: Em 25/05/2012  foi preso Paolo Gabriele, oficialmente “ajudante de quarto” de Bento XVI.

 

Segundo a imprensa italiana, o mordomo dp Papa possuía documentos confidenciais que foram encontrados pela polícia do Vaticano no apartamento em que Paolo Gabriele, de 46 anos, vive com a mulher e os três filhos, dentro dos limites do Vaticano. Gabriele trabalha nos aposentos papais desde 2006 e passou a servir ao círculo do Papa depois de ter trabalho com o prefeito da Casa Pontifícia, o monsenhor James Harwey. Ele é um dos cinco não religiosos que trabalham na equipe papal, sob a supervisão de uma freira alemã. Por causa de sua função, tem a cidadania do Vaticano.

O mordomo foi primeiro abordado pelos agentes do inspetor-geral Domenico Giani e depois interrogado pelo promotor de Justiça Nicola Picardi, que lhe deu voz de prisão.

Como mordomo, Paolo Gabriele tem um papel fundamental na rotina do Papa Bento XVI, de 85 anos. Nas primeiras horas da manhã, ele vai ao quarto do Pontífice ajudá-lo a se vestir e participa da missa privada celebrada pelo Chefe do Vaticano na Capela de seu apartamento. Durante o dia, o acompanha em seus compromissos públicos e privados. Serve o almoço papal e, não raramente, se senta na mesa com ele para comer. À noite, prepara a cama para o descanso de Bento XVI e só se retira quando ele se deita.

Alguns dos documentos vazados para a imprensa italiana no escândalo que ficou conhecido como “Vatileaks” envolvem acusações de corrupção, má administração e trocas de favores na distribuição de contratos de trabalho no Vaticano e desentendimentos internos sobre a gerência do Banco do Vaticano. Como resultado, Ettore Gotti Tedeschi, presidente do Instituto para as Obras Religiosas (IOR), nome oficial do banco do Vaticano, foi demitido.

É claro que o “assassinato” de João Paulo I, o desaparecimento da menina Emanuela, o ”suicídio” de Calvi, o assassinato de De Pedis e seu enterro na basílica podem ser eventos totalmente separados.

Mas que há algo de podre no reino do Vaticano, ah isso há.

 

5 Respostas para “Algo de Podre no Vaticano

  1. em memória dos sobreviventes do holocausto

    as mulheres se mataram com um tiro na buceta
    os homens sairam pra dar o cú
    e não voltaram mais
    as mulheres se mataram com um tiro na buceta

    as mulheres se mataram com um tiro na buceta
    os homens sairam pra dar o cú
    e não voltaram mais
    as mulheres se mataram com um tiro na buceta

    as mulheres se mataram com um tiro na buceta
    os homens sairam pra dar o cú
    e não voltaram mais

    as mulheres se mataram com um tiro na buceta
    os homens sairam pra dar o cú
    e não voltaram mais

  2. você além de feio é burro. quanto tempo faz que não transa com garotas que não sejam de programa? ou será que seu sonho é dar o cú para um petralha?

    • Mary é petralha hardcore: Usa acento na palavra cu e me chama de “feio e burro”. Pela qualidade dos argumentos, deve ter 12 anos de idade. Termina o Harry Potter e vai pra caminha, neném. Beijo do tio Renzo

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