Ainda Marilyn… E porque não a deixamos partir

De repente, Marilyn Monroe está em todo lugar.

Ela reapareceu em uma versão menos sexy no filme “My Week With Marilyn”, na pele da atriz Michelle Williams.

A Vanity Fair deste mês traz novas fotos da atriz, nua no set de “Something’s Got to Give”, o místico filme que ela não terminou (a nudez foi uma estratégia de marketing para eclipsar sua rival, Elizabeth Taylor, que havia tirado a roupa em “Cleópatra”. Funcionou tão bem que nenhuma foto de Liz Taylor no filme é lembrada).

Na série Smash, ela ressuscita para ser tema do musical que move a trama, que trouxe duas delícias para as telas – a atriz Megan Hilty – perfeita encarnação da loira com curvas – e a canção “History is made at night” – que conquistou o que há muito tempo nenhum novo musical da Broadway conseguia mostrar: uma música decente.
Depois de fazer filmes melhores que o Cinema, a TV – humilhação suprema – está fazendo musicais falsos melhores que a Broadway de verdade.

Mas porque não conseguimos deixar Marilyn partir?
Bom, como dizem os argentinos sobre Gardel, “cada dia que passa ele canta melhor”.
Ao morrer de overdose – provavelmente acidental – em 4 de Agosto de 1962, Marilyn se eternizou como símbolo sexual (E, sim, esqueça as teses delirantes sobre seu assassinato pela CIA, pelos Kennedys, pela Máfia, pelo partido comunista ucraniano…).
Não envelheceu, não sobreviveu ao próprio mito para virar caricatura de si mesma (como Elvis Presley), para virar coadjuvante de luxo em séries de TV como a avó piradinha, para baratear sua vida e vender biografias em que conta os detalhes sobre os homens de sua vida – incluindo os Kennedys, Sinatra, Marlon Brando.
Marilyn está congelada em nosso imaginário, sempre linda, ofuscando as estrelas que a seguiram. E, nesse sentido, a cada nova bombshel que surge, ela parece mais bonita, mais perfeita, mais inatingível.
Ou seja, a cada dia ela canta melhor, como diriam os argentinos.
E com a ascensão das modelos e atrizes anoréxicas, nossa nostalgia por mulheres de verdade não deixa Marilyn partir.
Ela desapareceu em 1962, aos 36 anos, e – justamente por isso – não nos preparou para vê-la sumir.

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