É Coisa Nossa

Encontro Manuel Blesa, irmão querido, gentleman e alto executivo de finanças. Por que um cara desse padrão almoça comigo? Não tenho idéia, mas continuo aceitando os convites. Discutimos hábitos de diferentes países. O fato de islâmicos não darem a mão para mulheres. O ritual que é a entrega de um cartão de visita para um japonês. A pontualidade britânica. O estilo direto e “cut to the chase” dos americanos, que pode parecer meio grosseiro para os não iniciados.
Saio do almoço com a impressão de que o Brasil só será respeitado quando houver um curso internacional de como lidar conosco. O hábito de insultar a mãe dos amigos antes de entrar na conversa (“E tua mãe, continua na zona?” “Saiu. A tua tá acabando com a concorrência”). O convite para visitas sem o fornecimento do endereço. O warm-up antes dos assuntos sérios, falando da bunda da secretária. Entender que conhecer a escalação do time do interlocutor é mais importante que saber o nome completo dele. Enquanto nós tivermos que absorver a cultura estrangeira e eles não entenderem a cultura cá do Bananão, é porque ainda não alcançamos a relevância internacional que pretendemos. Assento no Conselho da ONU não serve para porra nenhuma. Quero ver os gringos anotando no caderninho: “Quanto mais íntima a pessoa, mais ela deve ser insultada. E, sempre que possível, denigra a mãe do interlocutor, insinuando que ela oferece serviços em um bordel de baixo nível. Só assim os outros podem perceber que vocês são amigos”

7 Respostas para “É Coisa Nossa

  1. Òtimo Renzito. Como sempre (já há algumas décadas) um grande prazer conversarmos sobre o melhor e o pior… Grande abraço do teu irmão, Manuel
    PS: o livro ‘3 homens e nenhum segredo’ está duca! Merece toda a divulgação!

  2. Nós ainda sofremos de um certo complexo de inferioridade perante os demais países. Quando viajamos, temos que nos adaptar a contragosto às vezes aos costumes deles. Se tu for na China, vai ter que comer arroz de palitinho e aqueles bichos estranhos sem fazer cara de nojinho, agora se alguém de lá vem pra cá, fizemos tudinho pra deixar o cara em casa, até dar os palitinhos pra comer arroz e e fazer os bichinhos que ele tanto gosta, não tem essa de comer salsichão com as mãos e limpar elas na bermuda.
    Ah, tu é indiano e a não pode comer um churrasco? então te atraca na salada rapá!
    Porra, se eu vou viajar, a última coisa que eu quero é me sentir em casa. Se eu quiser me sentir em casa, eu fico em casa, ponto.

    • Sim, mas meu ponto é outro: Pq nós temos que aprender os hábitos e costumes dos visitantes e eles estão pouco ligando em aprender nossos hábitos e costumes qdo vem pra cá?
      Abração

      • Mas é exatamente esse o meu ponto.
        Na verdade quis dizer que se por exemplo eu for viajar pra outro pais, obviamente eu não vou pra lá esperando que o anfitrião me receba com uma caipirinha e que esteja assando uma costela de gado na churrasqueira, não mesmo, porque sei que não estou na minha querência. Mas brasileiro é engraçado, faz de tudo pro cara se sentir em casa, até mesmo age de acordo com os costumes do convidado pra não ofendê-lo ou constrangê-lo, partilha dos mesmos gostos culinários duvidosos apenas para agradar o cara. Afinal, aonde que comer com aqueles malditos palitos é algo prático?
        O Brasileiro ainda não possui auto-confiança suficiente pra se impor como cultura.

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