O Cu da Sandy é nosso Waterloo Moral

Bertolt Brecht estava certo ao dizer “Infeliz o povo que precisa de heróis”. Mas infelizes somos todos. Precisamos de reservas morais, lampiões que nos guiem na escuridão da noite. Foi assim com a França. Charles de Gaulle restaurou, com sua coragem, a noção de uma França grande, soberana, face à hegemonia do império americano. Ou Churchill, que diante da perspectiva de uma longa guerra contra o nazismo, não ofereceu palavras de conforto. : “Só tenho para oferecer sangue, sofrimento, lágrimas e suor”, disse ele, aos 13 dias de Maio de 1940.
Este é o papel de uma reserva moral: servir como bússola em dias conturbados.
No Brasil, nossa reserva moral, nossa prova de quem nem tudo havia resvalado para a bandalheira, era o cu da Sandy.
Sabíamos que nosso governo era ladrão, sabíamos que nosso futuro era perigoso, sabíamos que nos ameaçavam forças terríveis, como disse Jânio Quadros.
Nada disso importava. A preservação das pregas da Sandy nos mostrava que havia razões para crer no Brasil, em nossa gente, em nossas potencialidades, no raiar do Sol de um novo dia, em que, como dise Marx, perderíamos nossos grilhões.
Agora, a nação estarrecida descobre que esta reserva moral foi esvaziada. Nada mais temos para acreditar. Nada mais nos inspira. A derrubada do cu da Sandy é nossa Batalha de Waterloo, nossa retirada de Saigon.
Daqui para frente nos aguarda a barbárie, o terror, a descrença.
Foi bom enquanto durou.
Rumemos, pois, cabisbaixos, ao cadafalso final.
Os povos Vândalos batem em nossa muralha em ruínas. E, como a antiga cantora juvenil, abriremos os portões

8 Respostas para “O Cu da Sandy é nosso Waterloo Moral

  1. Essa coitadinha foi tão “exposta” como santa pelos pais, que não surpreende, que quando tomou as rédeas nos dentes, como se diz na minha terra, saiu em disparada! Acho que ela tá é comedida!!

  2. Excelente!!!!!!! Apropriado!!!! Taí um texto que eu adoraria ter escrito. Um texto inteligentissimo que mostra a absoluta desimportância do assunto: o cu da Sandy.

  3. Fantástico “Ode” a este povo, lutador, mas que mais cedo ou mais tarde também se veria na contingência, tal como os povos guerreiros nominados na peça, de perder seus bastiões. O nosso é o cú da Sandy. Seja feliz ela ao dar o cú e honre nossa pátria.

  4. Gostei do texto.
    Se em nosso pais já não existe mais esse baluarte moral, chamado “cú da Sandy”, ao menos vemos em meio a nossa eminente decadência o surgimento de um talentoso escritor. Parabens
    Sobre o tema, a fim de que não hajam controversías, seria de bom alvitre que a Sandy se submetesse ao “Teste da Farinha”… hahahahahaha

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