Amy e Laerte: Quando o Acessório Finge Que é o Principal

Ouvindo Amy Winehouse – mais precisamente sua arrasadora gravação de “Moody’s Mood For Love”, uma canção tremendamente exigente, que James Moody escreveu para afastar os amadores, incluindo divisões rítmicas impossíveis.

Não é por acaso que seu álbum Frank seja dedicado a Sinatra, Bennett, Count Basie, Sammy Davis. A moça sabia a que clube pertencia, desde o início

Por coincidência, no mesmo momento, acabei o Sérgio Augusto no Estadão e parto para o Laerte Coutinho na Folha.

Impossível não pensar no tempo que se perde escrevendo sobre as bebedeiras de Amy, sua provável overdose, e no fato de Laerte se vestir de mulher. A importância de tudo isso é, obviamente, nenhuma.
Despidos desses acessórios que nada acrescentam ao seu trabalho, fica o privilégio de sermos contemporâneos de dois grandes artistas.
É uma pena que nestes dois casos o acessório tenha eclipsado do essencial.
E o essencial, em ambos os casos, é genialidade pura, disfarçada de arte pop. Hitchcock fazia isso. Desenvolvia grande arte e fingia que era entretenimento.
Os franceses não se deixaram enganar.
Nós também não devíamos.

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