Meu Canalha Inesquecível

Por questões legais e éticas, não posso dar o nome. E, não fossem as questões legais e éticas, resta a solidariedade masculina automaticamente devida aos canalhas.

Era feio. Não feinho, que dá pra consertar com banho, tosa e alfaiate. Feio. Mas a mulherada não resistia. Vale acrescentar que o canalha em questão é uma das criaturas mais brilhantes e inteligentes que já conheci.

Entenda: Se você nasce parecido com o Brad Pitt, nunca vai ser um sedutor. No máximo, vai aprender a espantar o excesso de oferta. Sedutor é esse cara, que rema contra a maré todos os dias.

Ele entendia um princípio básico: O gênero humano tem mínimos denominadores comuns. Nós, homens, o futebol e o pornô. Não há homem, independente da formação intelectual, credo, idade, etc., que fique indiferente diante do Pelé ou da Mônica Mattos.

Para as mulheres, mesmo as mais inteligentes, esse denominador é o misticismo. Horóscopo, tarô, búzios. Já cansei de perguntar para amigas inteligentíssimas, com credenciais acadêmicas impecáveis: “Como é que você acredita em horóscopo?”. A resposta é mais ou menos a mesma: “Porque funciona”.

Ele lia tarô. Mestre absoluto, ia soltando obviedades e pescando ressonâncias. Quando descobria alguma reação, cavava. Claro, as mulheres querem acreditar no místico. Ele oferecia o contato com o sobrenatural. Minutos depois, estava com a calcinha das moças rodando nos dedos.

Uma vez, sabendo que ia para Paris, pediu que eu comprasse para ele um baralho cigano de tarô. Com a elegância que me é característica, pedi a ele que fosse tomar no cu.

Ao que me consta, nem eu comprei o tarô cigano nem ele se entregou à prazeres sodomitas.

Existe aquela piada que os nova-iorquinos adoram contar (e que não tem graça nenhuma): “Como se chega ao Carnegie Hall?” “Praticando, praticando…”

Ele era assim. Flertava com todas as mulheres, incluindo aquelas pelas quais ele não tinha o mais remoto interesse. Um dia, vendo ele falar sobre suas habilidades de leitor de tarô com uma moça sem nenhum atrativo, não agüentei e perguntei: “Fulano, pra que você fica perdendo tempo cantando essas fulanas totalmente desinteressantes?”

Nunca esqueci a resposta: “Renzo, a graça não é comer a mulherada. É tirar o não da boca delas”.

Curvei-me diante do mestre e virei fã eterno de um dos meus canalhas favoritos.

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