Perdemos…

Eleições: Pelo visto, perdemos. Fudeu.

Vai dar Dilma, o poste do Lula.

Aguardem novas restrições à liberdade de imprensa e de expressão, a base do trabalho de todo escritor.

Para celebrar, a canção do profeta Silvio Santos…

A diferença é que ela vinha na base do saci.

Agora vem de Dirceu, Palocci et caterva.

Piorou muito a base da bruxa…

8 Respostas para “Perdemos…

  1. “Aguardem novas restrições à liberdade de imprensa e de expressão, a base do trabalho de todo escritor.”

    Sem querer soar desrespeitoso, Renzo, muito longe disse, mas você ou alguém próximo a você que trabalhe com comunicação realmente percebeu censura? Continuo lendo as mesmas manchetes de antes, as mesmas críticas de antes. Pelo menos aqui no Rio não percebi absolutamente nada de diferente.

    • Luiz:
      Tomara (mesmo) que você esteja certo.
      Mas vamos lembrar que o PT há tempos vem tentando restabelecer controles externos à imprensa, um deles por meio de um projeto de lei enviado pelo governo ao Congresso. Depois alegou que foi um engano, mas a semente da intenção de controlar, cercear, monitorar, constranger e punir jornalistas continua por lá.
      Franklin Martins alegadamente é um entusiasta da campanha terrorista que a Argentina promove contra os jornais, incluindo sabotagem no fornecimento de papel.
      Lula tentou expulsar o correspondente do New York Times. Dirceu apoiou a ideia.
      A imprensa depende mais da publicidade do que de leitores. Esta torneira, se fechada, pode asfixiar setores mais críticos da imprensa (chamados pelos petistas mais raivosos de mídia golpista) de forma sutil.
      Torço para você estar certo, mas as pistas estão por aí.

  2. Eu particularmente não sou contra um projeto que vise administrar a imprensa. Aliás, você sabia que o código de ética de jornalismo só tem 4 páginas? Se não me engano o de publicidade tem o quê, 20? É óbvio que a comunicação precisa de ser rediscutida. Mesmo agora, quando você tinha a maior parte da imprensa criticando, aliás, acusando o governo de uma série de coisas, quando não descontextualiavam as falas do Lula ou de outras pessoas ligadas ao partido. Isso o tempo todo se passando por imparcial. Mesmo o Estadão, que assumiu em seu editorial que apoiava a candidatura do Serra, o que achei ético, demitiu uma colunista por fazer uma coluna que ia contra sua ideologia. Isso não é censura? Como podemos afirmar a democracia quando realmente temos a mídia em sua maioria afirmando uma coisa com pouco espaço dentro dela para uma discussão mais abrangente? Claro que uma espécie de censura sempre vai haver, indivíduos interessados em afirmar ideologias extremistas ou que realmente prejudiquem o chamado jogo democrático vão (ou ao menos devem) continuar de fora, mas se faz necessário incentivos para que outras vozes sejam ouvidas.

    Fora que a questão crítica, bom, isso tem que ser pensado. Uma imprensa que se interessa em criticar o governo por causa de seus interesses políticos e comerciais não é uma imprensa democrática. Falar mal por falar mal não é ser crítico. Uma coisa é, por exemplo, chamar um jornalista, um intelectual que tenha uma postura discordante da atual política para escrever, falar na TV ou o que for. Eu, particularmente, compreenderia darem mais espaço pro Olavo de Carvalho, apesar de discordar de muitas coisas que ele afirma, mas inegavelmente é um sujeito preparado, bom escritor e eloquente, que sabe ser crítico, bem melhor que o Diogo Mainardi. Outra coisa é colocar o mau educado do Marcelo Madureira falando suas idiossincrasias de maneira desrespeitosa, entende? Isso pra mim não é democracia, é falta de bom senso.

    • Outro dia vi uma entrevista na Folha com o líder do partido NAZISTA norte-americano, um idiota absoluto, incorrigível. É ofensivo que exista um partido nazista ou que alguém defenda seus ideais? Sem dúvida.
      Mas o preço da democracia é tolerar a divergência, a discussão, ainda que o interlocutor seja uma figura desprezível como esse nazista.
      Ou seja, é melhor que esse animal tenha espaço na mídia do que censurá-lo.
      A mídia brasileira está altamente endividada.
      Isto a torna, de alguma forma, refém das verbas públicas de publicidade.
      Sou contra propaganda de cigarros e bebidas. Por outro lado, sem esse dinheiro, a mídia fica ainda mais dependente dos investimentos publicitários do governo.
      Dentro desse contexto, a fala do Marcelo Madureira ganha uma importância enorme. Não por concordamos ou não com sua visão, mas pela garantia de que, mesmo neste quadro altamente desfavorável para a imprensa, é possível emitir opiniões.
      O New York Times geralmente publica editoriais assumindo estar ao lado dos democratas.
      A Fox News assume a defesa da direita-cristã americana.
      Um veículo tomar partido de candidatos de forma clara, concordo com vc, é ético.
      O episódio de censura no Estadão foi lamentável e é parte das coisas a que me oponho.
      O fundamental é que haja espaço livre para o debate.
      É esse espaço, Luiz, que tem que ser mantido. O verdadeiro teste da democracia é ouvir as pessoas com as quais não concordamos.
      “Códigos de Ética” que limitem esse espaço são perigosos.
      Existe a lei, que permite reparação aos caluniados. Não precisamos de nada mais do que isso.
      Abração, amigo

  3. Renzo, códigos de ética não são perigosos. É na verdade uma forma de se garantir que certas regras não seja desrespeitadas. Existe um cuidado, por exemplo, no Direito que em Comunicação não há. Uma coisa é você publicar, por exemplo, uma notícia sobre uma fraude eleitoral, um “cuecão” político para pagar membros do congresso. Outra é apontar o dedo, moralizar sobre assuntos sérios. Saindo da política, lembra do caso Nardoni? A postura da mídia foi tão grosseira que o próprio Mao Tse Tung ficaria constrangido. Você tinha uma cobertura sobre um crime grave que ia contra todos os limites do bom senso.

    Sobre o episódio do Nazista, num primeiro momento eu sou mais a favor do sistema democrático europeu, que lima o direito de expressar de indivíduos que defendem ideais apologéticos ao ódio e preconceito. Não tem jeito, não escapamos da Lei nunca e isso não precisa ser necessariamente ruim. Claro que se corre o risco de algum político como um Sarkozy ou Berlusconi fazer interferências, mas existem vozes que não merecem ser ouvidas, não por serem “do contra”, mas por serem prejudiciais a sociedade. Nazismo é crime.

    Sobre a questão do endividamente da mídia, bom, eu compreendo haver abertura nos jornais para a publicidade. Mas a coisa chegou a um ponto em que muitas revistas parecem ter quase cem páginas de anuncio, é mesmo necessário todo esse espaço? Mas claro que não acho isso grave, desde que a publicidade não interfira no conteúdo das notícias.

    A questão do governo e a mídia, bom, o primeiro também tem direito de criticar a imprensa. Até porque o que me parece estar havendo, muito diferente de uma luta pela liberdade de expressão, é uma luta pelo direito de Poder. Pelo menos desde 1964 que a grande mídia vem, de alguma forma, trabalhando ao lado do governo e, dessa vez, existe uma cisão entre os dois. Mas uma coisa é criticá-lo, outra esculhambá-lo publicamente. Se eu ou você troçarmos do governo estamos no nosso direito, não somos pessoas públicas. Se um chargista dá uma bela sacaneada em algum político isso também é do direito dele e do jornal, seu trabalho é esse. Agora, ser uma pessoa pública, aparecer na TV regularmente e xingar o presidente de picareta e impostor é diferente. Eu entenderia isso se o Lula fosse uma espécie de Médice, uma versão tupiniquim do Ceausescu, até poderíamos louvar que uma figura pública se arriscasse a falar isso. Mas ele foi simplesmente mal educado e míope.

    • Luiz:
      Eu era cliente de uma agência famosa de publicidade e um dos donos veio me expor sua ideia de boicotar anúncios no falecido “Aqui e Agora”, do Silvio Santos, que tinha mostrado um suicídio ao vivo. Entre outras bizarrices, o programa tinha o lutador Maguila como comentarista econômico.
      Na época, disse para ele que, por mais justificável que fosse repudiar o conteúdo do programa, o boicote era censura.
      O problema da censura é que o começo é sempre bem intencionado. Proibimos a apologia do crime, das drogas, defendemos a família, as instituições.
      Mas, uma vez solto, o bicho não volta para a jaula.
      Por mais que seja moralmente aceitável não entrevistar um animal como o líder do partido nazista norte-americano, uma figura bizarra e digna do desprezo de todo ser humano normal, esta fenda abre espaço para algo muito pior.
      Já querem censurar o Monteiro Lobato nas escolas pela visão “degradante” do papel dos negros.
      Daqui a pouco estão censurando o Lolita do Nabokov por estímulo à pedofilia.
      Eu acho que o lugar do bicho é esquecido no fundo da jaula, por mais que às vezes ele possa parecer útil.

  4. Mas Renzo, os maiores censores do país não estavam ao lado da Dilma. Não viu o que a TFP andou fazendo com relação a tal cartilha? Só faltou dizerem que o governo mandava abortar crianças com nove meses de vida!

    Realmente, a questão do Monteiro Lobato é simplesmente patética, o MEC tem coisas bem mais fundamentais a se preocupar do que com isso. Mas precisa-se repensar sim o papel da imprensa. Como disse antes, até a publicidade possui um código de ética maior, sendo que ela, por mais ideológica que seja, ao menos é mais clara na sua intenção. O jornalismo definitivamente nem sempre o é.

    • Luiz:
      A vantagem de ter interlocutores inteligentes é essa: Podemos concordar em discordar mantendo a admiração.
      Abraços,
      Renzo

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