Sergio

A HBO produziu e está exibindo no país um documentário imperdível e comovente: “Sergio”, contando a vida de Sérgio Vieira de Mello (Rio de Janeiro15 de março de 1948 – Bagdá19 de Agosto de 2003), nosso 007.

Irritantemente bonito, elegante, galanteador, charmoso, Sérgio era tudo o que qualquer um de nós gostaria de ser, um Cary Grant tropical.

Além disso, era um herói, disposto a atuar nas piores regiões do mundo. Como diz seu perfil na Wikipédia: “Em 1996 foi nomeado assistente do Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, antes de ser enviado para Nova Iorque, em janeiro de 1998, como Secretário-geral-adjunto para Assuntos Humanitários das Nações Unidas.

Para muitos, o diplomata brasileiro era a personificação do que a ONU poderia e deveria ser: com uma disposição fora do comum para ir ao campo de ação, corajoso, carismático, flexível, pragmático e muito eficiente na negociação com governos corruptos e ditadores sanguinários, em busca da paz.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, afirmava que Vieira de Mello era “a pessoa certa para resolver qualquer problema”. Foi o primeiro brasileiro a atingir o alto escalão da ONU. Como negociador da ONU atuou em alguns dos principais conflitos mundiais – BangladeshCambojaLíbanoBósnia e HerzegovinaKosovoRuandaTimor-Leste, entre 1999 e 2002, quando se mostraria inflexível nas denúncias dos crimes indonésios. E por fim, no Iraque, onde foi morto durante o ataque suicida ao Hotel Canal, com a explosão provocada por um caminhão-bomba.”

O documentário não faz de Sérgio um santo. É franco sobre seus casos extraconjugais e sobre o pouco tempo que dedicou aos filhos. Mas era o homem disposto o consertar o irremediavelmente quebrado, a conciliar o irreparável.

A palavra “herói” tem sido imensamente vulgarizada. Serve para mineiros que, mesmo corajosos, são vítimas, não homens que voluntariamente entram na linha de fogo; para atletas; para concorrentes de reality shows…

Este filme mostra uma raridade: um verdadeiro herói brasileiro, uma rara razão para termos orgulho do bananão (apelido com o qual Sérgio provavelmente não concordaria).

Assistam imediatamente.

E imaginem o Brasil com um presidente como ele, ao invés das patéticas e deploráveis alternativas que vem ocupando o cargo ano após ano.

4 Respostas para “Sergio

  1. eu sou um branco que não consegue estuprar uma negra
    porco dio
    porco dio
    porco dio
    eu queria ser um negro para estuprar uma loira

  2. Renzo, lancei Sergio Vieira de Mello para presidente da República quando eu estava na Fiesp. Fiz cartaz e tudo. Ningupém me deu bola. Riram. Depois, escrevi um canto lorquiano para o herói, ao longo de sua agonia e morte. São 23 poemas. O primeiro, que vai a seguir, é quando soube da notícia e ele ainda estava vivo. O último poema foi escrito no dia do seu enterro.

    A VIDA PERGUNTA ÁGUA

    Nei Duclós

    A vida pergunta água
    a dor responde fuligem

    O cal endurece as mãos
    Num corredor de gatilhos

    Todo espelho se quebra
    ninguém é reconhecido

    O Mal não suporta a sombra
    que lhe faz o seu carisma

    A ligação cai no colo
    O poema lança o grito

    Se a fala esqueceu a boca
    nossas artérias se abriram

    A morte pergunta fogo
    Nós respondemos abrigo

    Um teto bem mais acima
    Dos pés que jamais fugiram

    Que não desabe a parede
    Nas costas desse conflito

    A vida pergunta Sérgio
    Todos respondem perigo

    • Belo poema e bela ideia, ter lançado o homem como presidente.
      Poderia ter adiado o final dele e nos colocaria em uma situação muito melhor como país.
      O documentário, baseado no livro da noiva dele, é comovente sem ser chapa branca.
      Em alguns momentos, ele é apontado como ingênuo.
      Mas o que seria do idealismo sem uma dose de ingenuidade?
      E quando a gente se pergunta pq um homem como ele foi atingido pela barbárie, podemos lembrar de sua frase “O Mal não suporta a sombra que lhe faz o seu carisma”
      Abraços, irmão
      Renzo

  3. Obrigado, Renzo. Claro que eu “lancei” a candidatura assim como faço um poema. Nada a ver com a realidade político partidária. Era uma sugestão autoral. Poderia ter colado. Foi bem na época do belo trabalho de Sergio em Timor Leste.

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