Renzo Mora Ataca


Desta vez eles tinham ido longe demais.
Rastreio a mensagem eletrônica até sua origem, um modesto apartamento na periferia da cidade.
Trago meu Magnum .45 no coldre, uma arma tão perigosa que seu uso é privativo dos traficantes cariocas.
Meu Deus, como seria bom se eu conseguisse comprar munição para ela pelo menos uma vez, para saber se o revólver funciona, mas não podemos ter tudo.
Subo as escadas do prédio decadente e chego ao terceiro andar. Crianças sujas e pobres brincam com ratos mortos no corredor. Coloco o dedo na frente dos lábios, pedindo silêncio. As crianças erguem o dedo em resposta, me mandando tomar no cu.
Uma delas pega a patinha de uma falecida ratazana e encena um gesto irônico de adeus, como uma marionete peluda. Marco seu rosto. Sei que ela será um problema em breve, mas não hoje.
Ignoro-as e sigo até o apartamento 33, a fonte das mensagens, a origem de tudo. Chuto a porta com toda a violência. A porta nem se move. Porra, no cinema as portas sempre cedem no primeiro chute. Mudo a estratégia e toco delicadamente a campainha. Uma voz adolescente pergunta quem é. Digo que sou representante da Avon.
Ele imprudentemente abre a porta e , com um empurrão, estou dentro.
“Acabou” digo eu.
“Jamais acabará. Mesmo que você me mate, virão outros.” ele responde insolente. É um adolescente de quinze anos, magro, com os olhos cheios de fúria, como alguém que acabou de saber que foram encontradas músicas inéditas do Agepê.
“Diga quem foi a fonte da sua informação e talvez você saia com vida” digo, fazendo minha melhor imitação de Jack Bauer, em algum momento na terceira temporada.
“Fonte? Ora, Renzo Mora, pode ser qualquer um. Uma ex namorada. Alguém que cruzou com você em um banheiro público. O farmacêutico que te vendeu aquelas camisinhas tamanho mini. Uma garota de programa fofoqueira.”
Bato nele com a coronha de minha arma.
Ele cai no chão, limpa o sangue dos lábios e ri. “Parece que toquei em um ponto sensível, não foi?”
As lágrimas começam a rolar involuntariamente de meus olhos. Malditos hackers e suas técnicas de jogo psicológico.
Mesmo em prantos, soluçando incontrolavelmente, chuto seu computador, que se arrebenta no chão.
Volto para casa com a sensação de dever cumprido.
Ligo o computador e acesso meus e-mails.
Uma onda de choque me domina ao ver o título da primeira mensagem.
“Enlarge your penis”.
É quando me dou conta que o pesadelo não tinha acabado.
Meu choro ecoa no apartamento vazio.

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