Al Pacino Está de Volta

Cansei de escrever neste blog que os dois maiores atores de sua geração – Al Pacino e Robert De Niro – tinham cansado da profissão e só atuavam no piloto automático.

“As Duas Faces da Lei”, filme que os reuniu, é a prova disso: entediante, sem nenhum momento de brilho, convencional até os ossos.

Mas eis que a TV consegue resgatar o melhor de Pacino. O filme da HBO “You Don’t Know Jack”, contando a vida do médico Jack Kevorkian –  apelidado de Dr. Morte por ter assistido a morte de 130 pacientes terminais – mostra um Pacino surpreendente e em sua melhor forma.

Pacino agarra o papel com toda a força que andava adormecida. Seu Kevorkian é frágil, acabado, mas ainda assim determinado, messiânico, egocêntrico e Pacino consegue dar credibilidade a tudo isso.

Pacino disse que gosta de interpretar personagens reais – como Kevorkian ou o policial Sérpico – porque dá um tipo de credibilidade para a atuação. “É como ter um modelo para pintar” disse ele.

Com o Dr. Morte, Pacino nos dá o melhor quadro que ele pintou em anos.

Obrigatório.

5 Respostas para “Al Pacino Está de Volta

  1. Caro Renzito,
    I fully agree! Pacino está ótimo neste filme. Entre outros, há um momento em que no julgamento o promotor tenta estabelecer comparação entre os atos do acusado (Dr K) e o holocausto…nessa hora Pacino com olhar fulminante se levanta e grita “How do you dare…how do you dare…!!” até ser contido e interrompido pela juíza. Espetáculo! Vale a pena p/ quem ainda não viu.
    Abs do teu irmão, Manuel

    • Aviso aos navegantes:
      Manuel Blesa sabe das coisas.
      Se ele gostou do filme, a indicação está confirmada em alto nível.
      Todos para o Dr. Morte – ainda que não como pacientes.
      Renzo

  2. Al Pacino dá rosto ao poder anônimo: o policial honesto, o gay assaltante, o traficante migrante, o chefão mafioso e agora esse personagem.

    Tudo o que é importante eu vejo antes aqui no teu blog.

    Concordo que ele estava no piloto automático. Teve até um filme em que debochou: numa cena (deve tê-la escrito) disse que trabalhava (fazia papel de bandido) só porque lhe ofereceram 3 milhões de dólares. Quanto a de Niro, já sabes minha opinião. E não é outro o motivo de Pacino estar tão mal naquele filme: com De Niro fica complicado!

    Abs.

    • Nei:
      Sei bem da tua opinião sobre o De Niro, mas ele tem Taxi Driver e Touro Indomável no histórico, o que perdoa os deslizes que vieram depois e que justificam plenamente tua opinião sobre ele.
      E quando a gente vê o Poderoso Chefão, onde ambos atuam (sem contracenar), sentimos a grandeza que eles iriam deixar de lado no futuro.
      O Poderoso Chefão, no fundo, é sobre transformação. O italiano trabalhador que vai para o crime, o soldado que assume o controle das operações criminosas. Essa transformação é coisa de profissional, de gente que um dia já amou a profissão.
      Neste filme em especial, Pacino, do Dr. Morte, mostra que ainda consegue alcançar esse nível de grandeza quando devidamente estimulado.
      E meio que retoma nosso papo sobre Cinema X TV. A HBO conseguiu resgatar um Pacino que o cinema tinha esquecido.
      Abraços, irmão

      Renzo

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