Os fios ligados ao poste

A frase “fulano é tão popular que é capaz de eleger um poste” não é nova. Descreve o fenômeno de transferência de votos de alguém muito popular para alguém completamente desconhecido.

Maluf, por razões desconhecidas, era tão popular em São Paulo que elegeu um poste chamado Celso Pitta, com as consequências conhecidas.

Lula navega em um mar de popularidade, especialmente para uma população que não está nem aí para “controle social da imprensa” (quando ele quis expulsar o jornalista do “New York Times” Larry Rohter do Brasil, que “ousou” comentar seus problemas com a marvada, será que ele imaginava estar exercendo o tal controle social da mídia?) ou para sua ligação com alguns dos ditadores mais escrotos do planeta – os Castro Brothers, Mahmoud Ahmadinejad  (cujo governo pretende matar uma mulher a pedradas) – e outros.

Aliás, sobre o apedrejamento, Lula foi claro sobre as razões de sua omissão: Disse que haverá “avacalhação”, caso sejam atendidas solicitações desse tipo a cada indignação internacional.

Nada que surpreenda depois de ter comparado os dissidentes de Cuba à bandidagem comum enjaulada em São Paulo.

Ou seja, a única consequência positiva que poderia resultar de sua aproximação com o carniceiro iraniano foi desperdiçada.

Sua popularidade permite que ele invista em um poste como Dilma, uma desconhecida cujos únicos fatos conhecidos de sua biografia – o hábito de assediar moralmente seus subordinados, o hábito de mentir sobre suas qualificações e o envolvimento com o roubo do cofre do Dr. Rui – não a qualificam sequer para síndica de prédio.

Dilma odeia ser chamada de poste. Possivelmente pelo fato de saber que  é um poste.

Seus assessores de campanha incluem a nata do PT: Marco Aurélio Garcia, o Marquito Top Top, que declarou: “Só entrarão temas consensuais e com os quais a candidata esteja de acordo. A existência de outros, não consensuais, não significa que sejam proibidos. Eles simplesmente serão abordados no momento devido pela instância devida, que é o Planalto”.

Tradução do Augusto Nunes: para não assustar o eleitorado, só depois da eventual eleição Dilma Rousseff deve confessar que é a favor do MST e do “controle social da mídia”, disfarce usado pela censura à imprensa nas  reuniões do PT.

Ainda a bordo, Antonio Palocci Filho, fã das festinhas culturais da turma de Ribeirão Preto e que quando ministro da Fazenda ordenou diretamente ao então presidente da Caixa, Jorge Mattoso, que violasse o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Pressionou o colega Márcio Thomaz Bastos a pedir que a Polícia Federal acobertasse sua conduta, ameaçando revelar a presença de um auxiliar direto do ministro da Justiça em sua casa na noite daquela quinta, quando Mattoso lhe entregou o extrato do caseiro.

Segundo relatos obtidos pela Folha, Palocci fez pressões até a última hora para permanecer no cargo. Discutiu com Mattoso e Thomaz Bastos duramente na segunda-feira passada, dia de sua queda. Mattoso rejeitou assumir sozinho a culpa.

Sim, o pior não é eleger um poste: É examinar os fios a que ele está ligado.

Eu sou um escritor. Segundo meus não poucos detratores, um dos piores, mas ainda assim, um escritor (nem que seja apenas pela definição do dicionário)

Para mim, a questão da liberdade de imprensa é crítica (até para quem fala mal dos meus livros).

Logo, pessoalmente, o risco da eleição deste poste sinistro do Lula é um pesadelo.

4 Respostas para “Os fios ligados ao poste

    • Grande Welinton:
      Obrigadão pela força. Também ando acompanhando com grande interesse suas denúncias.
      Abração

      Renzo

  1. adoro os seus textos, alias descobri o seu blog meio por acaso, perdoa minha cara de pau, mas poderia me mandar um dos seus livros

    • Grande Paulo:
      Obrigadão pela força.
      Infelizmente, meus livros ficam todos na editora, eu mesmo só tenho duas cópias de cada. Até faz sentido – o investimento é deles, mais do que meu, eles é que pagam papel, impressão, acreditam no trabalho, colocam $ sem saber se vai dar certo ou não.
      Ou seja, mesmo se a Cleo Pires em pessoa pedisse, eu teria que comprar para dar para ela.
      Não deixe de me visitar.
      Abração

      Renzo

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