A TV É O Novo Cinema

Vamos combinar: o cinema vem morrendo. Martin Scorsese, dos geniais “Taxi Driver” e “Touro Indomável”, vem perdendo força. O oscarizado “Os Infiltrados” não chega nem perto do seu auge. Woody Allen está perdido. Seus últimos filmes são de uma chatice imperdoável para quem nos deu “Manhattan” e “Annie Hall” (sem falar do grande pastelão “Um assaltante bem trapalhão”). Alguém lembra de um novo Casablanca? Ou de um novo Cidadão Kane?

O que sobrou para os adultos?

Bem, temos a TV.

Ou você viu no cinema alguma comédia que arranhasse o brilho de Seinfeld? Ou um retrato da Máfia melhor do que “Família Soprano”? Temos séries médias bem melhores do que o cinema médio que vem sendo produzido. CSI e House são extremamente divertidos e bem feitos, embora amarrados por esquemas extremamente previsíveis (o assassino em CSI é sempre o cara que apareceu antes do primeiro intervalo comercial. O cara que aparece como suspeito antes do segundo break é inocente. O paciente de House vai piorar muito no terceiro bloco. Alguma bobagem dita por Wilson fará House salvar a vida do paciente exatamente no final do quarto bloco).

24 Horas quebrou diversas convenções – a esposa do herói morrendo no último momento, a eliminação de personagens chave, a ação em tempo real. Está acabando na hora certa, quando as reviravoltas que antes surpreendiam agora já podem ser antecipadas.

Agora, temos Breaking Bad. Se houver algum longa metragem com um trabalho melhor do que aquele que Bryan Cranston vem fazendo como o professor com câncer que vira produtor de metanfetamina me avisem, pois eu perdi.

Se houver alguma coisa mais anárquica do que “Uma Família da Pesada” também me avisem. Para mim, o desenho animado criado por Seth MacFarlane é a coisa mais demolidora que já assisti desde o auge do Monty Python.


O cinema tenta escapar com vida com bobagens como Avatar e seu 3D. Para os adultos, resta ficar em casa e acionar o controle remoto.

Quando foi lançada, havia o temor de que a TV fosse matar o cinema. Muitos anos depois, a profecia parece tornar-se realidade. Mas a causa é transferência de talento, não a facilidade de acesso, como se pensou no início do fenômeno.

O cinema – aparentemente – agoniza.

Foi muito bom enquanto durou.

Viva a televisão.

5 Respostas para “A TV É O Novo Cinema

  1. o partido fodido brasileiro vai proibir celular na cabeça das crianças
    o partido fodido brasileiro vai liberar arma na cabeça das crianças

    o partido fodido brasileiro não mata com um câncer na cabeça
    o partido fodido brasileiro mata com um tiro na cabeça

    o partido fodido brasileiro é contra a vida
    o partido fodido brasileiro é o fim do celular

    o partido fodido brasileiro é o infanticídio sem precedentes

  2. Discordo tanto que chega a doer. Tenho visto filmes magníficos, enquanto a TV é uma sucessão de porcarias sem fim, como vc mesmo reconhece com essas séries previsiveis divididas em blocos. O problema é que filmes maravilhosos não passam na televisão. Ficam confinados a alguns circuitos e somem de vez.

    Acho os filmes mais recentes de Woody Allen ecelentes, como Whatever Works, com o Lary King, ou o Match Point, com a Scarlet Johanssen. Ou o Filmando no Escuro, mais antigo, mas não tanto quanto Annie Hall. O Scorsese nunca prestou e o Taxi Driver é uma enganação sem fim. Revi algumas cenas recentemente e é um filme vazio e apelativo. Não sei porque virou cult, poderia me explicar?

    Seinfeld é ótimo, mas qualquer grande comédia do Jerry Lewis (vale Lewis?) põe toda a série no chinelo. Ponho só o Cinderelo sem sapato e nem cito o Professor Aloprado. Dou luz, como se diz na fronteira. Ou só vale comédias recentes?

    Tchê, Renzo: vi um filme dinamarques, o King´s game que é um assombro de trhiler político e jornalístico. Viste esses belos noir do Ricardo Darin (O sinal, 2008) e dos Irmãos Cohen (O Homem que não estava lá, 2001, também com a Scarlet)? Vejo filmes indianos e franceses fantásticos. Que fazes diante da TV? Como punição, veja Em busca da graça, comédia cult de Sergio Rezende com o Juca de Oliveira, que é uma beleza.

    O cinema continua, só que é boicotado. Só programam merda, enquanto as preciosidades somem no mapa, se recolhem a dvds caríssimos ou ficam sendo caçados pela lei no desespero dos download. A Era do Conhecimento é esta época em que o download é proibido e o Supercine tem patrocínio.

  3. Discordo tanto que chega a doer. Tenho visto filmes magníficos, enquanto a TV é uma sucessão de porcarias sem fim, como vc mesmo reconhece com essas séries previsiveis divididas em blocos. O problema é que filmes maravilhosos não passam na televisão. Ficam confinados a alguns circuitos e somem de vez.

    Acho os filmes mais recentes de Woody Allen excelentes, como Whatever Works, com o Lary King, ou o Match Point, com a Scarlet Johanssen. Ou o Filmando no Escuro, mais antigo, mas não tanto quanto Annie Hall. O Scorsese nunca prestou e o Taxi Driver é uma enganação sem fim. Revi algumas cenas recentemente e é um filme vazio e apelativo. Não sei porque virou cult, poderia me explicar?

    Seinfeld é ótimo, mas qualquer grande comédia do Jerry Lewis (vale Lewis?) põe toda a série no chinelo. Ponho só o Cinderelo sem sapato e nem cito o Professor Aloprado. Dou luz, como se diz na fronteira. Ou só vale comédias recentes?

    Tchê, Renzo: vi um filme dinamarques, o King´s game que é um assombro de trhiler político e jornalístico. Viste esses belos noir do Ricardo Darin (O sinal, 2008) e dos Irmãos Cohen (O Homem que não estava lá, 2001, também com a Scarlet)? Vejo filmes indianos e franceses fantásticos. Que fazes diante da TV? Como punição, veja Em busca da graça, comédia cult de Sergio Rezende com o Juca de Oliveira, que é uma beleza.

    O cinema continua, só que é boicotado. Só programam merda, enquanto as preciosidades somem no mapa, se recolhem a dvds caríssimos ou ficam sendo caçados pela lei no desespero dos download. A Era do Conhecimento é esta época em que o download é proibido e o Supercine tem patrocínio.

    • Preciso ver urgentemente esses filmes para ver se recupero minha fé no cinema. Se vem com o teu aval, só pode ser coisa boa. Mas o fato é que ando meio decepcionado com a tal 7a. arte.
      Desde Star Wars, que marcou a definitiva infantilização do cinema, cada vez mais acho que o cinema é feito para adolescentes – e já que os adultos estão em casa mesmo, aparecem os Breaking Bad e Mad Men da vida na telinha.
      Abração, irmão

      Renzo

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