O Herói do Esporte Preso, Vítima de Sua Arte

Um campeão não é apenas aquele que vence uma competição. Um verdadeiro campeão nos inspira, nos mostra que limites foram feitos para serem superados, fronteiras para serem destruídas.

Por tudo isso, Takeru Kobayashi não era apenas um vencedor. Era uma luz para seus milhões de fãs, um símbolo de resistência, de tenacidade, uma lembrança de que nossos sonhos devem liderar nossos caminho, e não nossos medos.

Este homem único, o  campeão japonês do tradicional concurso de maiores comedores de cachorro-quente, o “Coney Island Fourth of July”, está preso.

Vítima da falta de profissionalismo de um esporte que ainda engatinha, da inveja de seus rivais, da mesquinhez dos que se abrigam à margem dos gigantes, ofuscados por seu brilho.

Qual seu crime? Comparecer à tradicional competição do feriado de 4 de Julho, em Nova York, logo após a vitória de Joey “Jaws” (mandíbula, em inglês) Chestnut e lutar contra os policiais que não o deixaram praticar sua arte por não ter se rendido à asquerosa Major League Eating, a associação que queria subjugar seu talento e torná-lo refém dos  eventos com sua chancela.

Detido, Kobayashi foi acusado de ter resistido à prisão e obstruído forças do governo. “Há uma disputa contratual, e eles não querem dar a ele sua liberdade”, disse a intérprete de Kobayashi, Maggie James.

Com a ausência de Kobayashi, Chestnut foi o vencedor deste domingo, 4, comeu 54 cachorros-quentes em dez minutos e venceu pela quarta vez consecutiva o concurso, transmitido ao vivo pela ESPN americana. Em segundo lugar, ficou Tim “Eater X” (comedor X) Janus, que devorou 45. Patrick “Deep Dish” (prato fundo) Bertoletti ficou em terceiro lugar, após engolir 37 sanduíches.

Apesar da vitória, Chestnut ficou decepcionado com seu desempenho. O rapaz de 26 anos de São José, Califórnia, tinha como meta comer 70 cachorros-quentes em dez minutos, o que bateria seu próprio recorde, de 68, registrado no ano passado.

Mas pode Chestnut ser considerado vencedor enquanto um ídolo como Kobayashi permanece preso, lembrando a todos nós os enormes sacrifícios que a arte de comer cachorro quente nos impõe?

Pode haver vencedores em um mundo que aprisiona um líder, um rei, um campeão que tudo o que queria era independência para levar sua arte onde ela fosse necessária, sem a tutela dos cartolas?

Sim, o corpo de Kobayashi pode estar prisioneiro em uma cela pútrida.

Mas em nossos corações ele estará passando mostarda em um cachorro quente com maionese, livre como um pássaro, em um paraíso pessoal em que não há grades ou infrações, azia ou queimação, flatulência ou limites.

Maior do que a vida, do tamanho de nossas esperanças, com a medida de nossos ideais, segue Kobayashi, o pequeno ninja mártir das salsichas e vítima dos que se apequenam diante de sua sombra colossal.

4 Respostas para “O Herói do Esporte Preso, Vítima de Sua Arte

  1. eu não vou apodrecer
    porque eu vou morrer fodido
    quem apodrecer que se foda
    eu vou morrer fodido
    eu vou morrer brasileiro
    eu vou me foder
    o resto vai apodrecer
    só vai restar o povo brasileiro

  2. Genial a abertura do seu texto (parece que você vai falar de um astro do futebol ou um medalhista olímpico consagrado) e, de repente, tcham tcham tcham tcham… surge o comedor de cachorros-quentes. Fantástico.

  3. Roberto, esse é o inimitável estilo efeito-surpresa do mestre Renzo, o revelador de astros e estrelas que só existem nesse universo Mora. Trata-se de um mundo paralelo, uma twilight zone, onde as palavras, livres afinal, zumbem à cata de alguma coisa que nunca saberemos o que é. Medo!

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