O Mar Não Está Para Peixe – Nem Para Revistas…

Segundo o livro “Como A Geração Sexo-Drogas-E-Rock’n’roll Salvou Hollywood”, de Peter Biskind, em seu começo de carreira Steven Spielberg lia as revistas Esquire e Playboy para tentar entender o que era cool.

As edições americanas destas revistas (e a Playboy brasileira, sob o comando de Edson Aran) continuam sendo essenciais para entender as tendências de comportamento, moda, cultura, opinião…

Mas o mercado não está a favor das editoras…

Primeiro, a Playboy USA pulou um mês e lançou uma edição bimestral, rompendo uma tradição de anos.

Agora a Esquire USA faz a mesma coisa.

Sinal que nem as publicações mais quentes estão livres da falta de anunciantes e de grana.

Péssimo sinal – tanto para a economia quanto para os leitores.

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7 Respostas para “O Mar Não Está Para Peixe – Nem Para Revistas…

  1. existe um abismo entre os miseráveis e os macacos
    a internet

    o extermínio mental celular exige nano-reversão apocalypse

    para viajar ao inferno
    o único meio de transporte são as mulheres
    para viajar ao paraíso
    o único meio possível é fumando maconha com as crianças

  2. Acho que o mercado brasileiro ainda não acordou para esta crise, já que você vai na banca e encontra, por exemplo, quatro revistas de cinema com as mesmas capas e as mesmas matérias – e pior, todas trazendo as mesmas notícias que você encontra na internet, ao invés de artigos com algum embasamento.

    Tempos negros virão pela frente, e acho que o mercado de quadrinhos também deverá sofrer novo baque, como nos anos 90.

    • Pois é, Felipe, mas se estas revistas continuam circulando por aqui – independente da qualidade editorial – é pq o cenário aqui está menos feio.
      Nos EUA a Newsweek está à venda, o New York Times está mal das pernas.
      Quando o leitor filtra as revistas (e faz sumir essas revistas que se repetem ou sem conteúdo) é uma coisa.
      Quando revistas de tradição deixam de ir para as bancas por falta de anunciantes a coisa é muito mais perigosa.
      Quanto é que custaria a Veja ou a Época, por exemplo, se os anunciantes sumissem? 4 X o preço, talvez?
      Mas, infelizmente, seu diagnóstico parece correto: Tempos Negros virão pela frente para o mercado editorial.
      Pena.
      A informação está numa fase perigosa – e a independência jornalística ameaçada.
      Renzo

  3. Acho que a crise é do cardápio editorial de merda das revistas, que por décadas se locupletaram na grana da publicidade oficial e privada e publicaram todo tipo de abobrinha. Eram boas no início mas foram degringolando, porque é gostoso foder com coisas boas e colocar no lugar do talento esse bando de safados pontificadores. Quando as revistas era excelentes, seus profissionais não saíam dando palestras a peso de ouro, se limitavam a fazer o troço direito. Hoje o cara escreve “com certeza, saia justa, dia desses” e vai dar aula para 500 pobres coitados.

    Quero que despenquem e ressurja a qualidade editorial, as matérias de fôlego ultra-legíveis, a delícia e o sabor de ler algo produzido por quem é do ramo. Falo do mercado brasileiro, onde militei por muito tempo (20 anos de revistas). Dá para fazer coisa boa até em revista corporativa. A que eu fazia na Fiesp era disputada a tapa, não sobrava um exemplar. No tempo da Realidade, fazíamos fila na banca para comprar. Troço ruim sobra, mais cedo ou mais tarde.

    • Grande Nei:
      Concordo com vc, como sempre. A Diners era uma revista bancada por uma empresa e foi fundamental. A Playboy e a Esquire americanas ainda têm um time de primeira – Gore Vidal, o último texto de Norman Mailer, Bill Zehme. O problema é que a concorrência da internet está sufocando a mídia impressa. E ninguém descobriu como ganhar $ com a Internet.
      Depois de 20 anos em revista, vc sabe que o grande jornalismo exige tempo, dinheiro, talento. Um dos meus ídolos, Hunter Thompson, levava uma nota da Rolling Stone para investigar matérias que no final ele não entregava (preferia transformar em livros).
      Quem vai pagar para sustentar um repórter durante meses atrás de uma história – que pode não dar em nada – se a imprensa escrita morrer?
      O próximo Watergate pode sair da internet? Acho pouco provável.
      Me assusta o noticiário fast food, dependente da propaganda oficial, escrito por gente sem talento que reescreve o que vê na CNN.
      O problema não é sobrar troço ruim. É o troço bom não sobreviver.
      Abração, irmão
      Renzo

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