Bananas de Pijamas em “O Trágico Acerto de Contas com o Passado”

As bananas de pijama entram em sua casa.

Sua mãe, que é uma humana convencional, com um pé no suburbano, nos primeiros anos de sua quarta década de vida, está lavando a louça. A banana 1 diz para ela:

– Mamãe, tem uma coisa que a gente queria perguntar…

A mãe empalidece. Maria Souza de Ramos larga a louça, senta-se no sofá e acende um cigarro com as mãos levemente trêmulas. “Sentem-se” diz ela “eu já esperava por esse dia”

As bananas de pijama entreolham-se e obedecem a mãe.

“Eu sabia que vocês iam querer saber a história verdadeira” diz Maria.

“Mas, mamãe…” dia a banana 2.

“Por favor, não interrompam. Já é difícil demais. Era um sábado. O mundo em volta pulsava de energia e vibração e eu estava sozinha em casa, assistindo ao “Medalhão Persa”. De repente, eu vi que estava viva. Dentro daquela mulher solitária que via brincos em oferta no programa “Medalhão Persa” havia calor, sensualidade… Eu precisava de sexo…”

“Mamãe, por favor” insistiu a banana 1

“Deixem-me completar. Eram 3 da manhã. Eu não podia simplesmente me vestir e sair para um sex shop. De repente eu vi aquele cacho de bananas reluzentes na cozinha. Vejam, a mamãe não tinha relações sexuais há cinco anos, desde que meu marido tinha fugido com a secretária. Sim, é  um clichê, mas clichês se tornam clichês por uma razão…”

“Mamãe, não precisa dizer mais nada” diz a banana 2.

“Por favor. Eu preciso tirar isso do meu peito. Vocês devem se perguntar: como nós nascemos bananas  antropomórficas, com características mistas de bananas e seres humanos, enquanto nossa mãe é uma mulher normal, uma dona de casa simples. Pois bem, a história se revelará para vocês. Sim, eu peguei aquela banana e fiz sexo com ela. O que eu não podia imaginar era que aquelas bananas eram produto de um experimento sinistro com uma nova versão de agrotóxico que combinava genes humanos.

E que, com o atrito selvagem da banana com minhas entranhas sedentas de sexo, se desprenderiam pedaços que encontrariam o caminho até meu sistema reprodutivo. E, por Deus – diz Maria, revirando os olhinhos qual Carmem Miranda cantando ‘O Que é Que a Baiana Tem?’ – houve muito atrito naquela noite…

– Mamãe, não – dizem as bananas em conjunto.

– Sim, essa é a verdade. Vocês são o fruto de uma noite de sexo solitário com uma banana envenenada por agrotóxicos. Quando o médico disse que eu estava grávida, eu disse “”Não é possível. Eu não faço sexo há um tempão”. Daí, lendo a Scientific Banana Review eu compreendi tudo. A combinação de genes de banana com seres humanos, que deveria tornar a espécie imune à praga da mosca da banana, havia me engravidado”

– Mas, mamãe, a gente só queria saber por que a gente só usa pijamas… – diz a banana 1

– Êta mulher tarada da porra – diz a banana 2, com lágrimas nos olhos.

Maria apaga o cigarro e volta para a louça. As bananas cantam sua canção tema e vão para o quarto.

Mas ninguém iria dormir aquela noite na casa dos Souza de Ramos.

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