Necrofilia: O Segredo do Segredo

O SEGREDO DE SEUS OLHOS, (El Secreto de Sus Ojos , 2009), dirigido por Juan José Campanella, com Ricardo Darín, Soledad Villamil e Pablo Rago e vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010, não é um grande filme argentino.

Ou, pior,  um grande filme latino-americano.

O Segredo prescinde destas condescendências.

É um grande filme: só isso.

Como Laura, o grande filme noir de  1944 dirigido por Otto Preminger, no qual  o detetive Mark McPherson (Dana Andrews) investiga o assassinato da publicitária Laura Hunt (Gene Tierney), o que ninguém falou é que o verdadeiro tema do filme é a necrofilia.

Carla Quevedo…

…que vive a vítima, é o objeto do amor dos três personagens principais do filme, sendo que um deles, o promotor de justiça Benjamín (Ricardo Darín) só a conhece já morta, nua, linda como só essas argentinas de 20 anos conseguem ser.

Pare tudo o que estiver fazendo e vá correndo assistir. Quer dizer, se estiver operando maquinaria pesada, dirigindo automóveis, pilotando equipamento voador de qualquer porte ou executando intervenções cirúrgicas, melhor não.

E, pensando bem, também não é hora de ler esse blog…

9 Respostas para “Necrofilia: O Segredo do Segredo

  1. Caro Renzo,
    Sem dúvida um grande filme…!!! Roteiro, atuações, música e direção de primeira resultam num dos grandes filmes do ano passado. Merece toda a recomendação.
    Abraços, Manuel

  2. Manalho, irmão querido:
    Imagino que para vc deva ser ainda melhor, já que domina o espanhol e pode pegar sutilezas da linguagem que devem ter me escapado.
    E vc tem razão: a trilha é do grande cacete.
    Bjos

    Renzo

    • Dr. Almir Roberto, diretor da venerável (e internacional) Venio Deletum: A vantagem de não pegar ninguém é ter flexibilidade para atirar para todos os lados.
      Mas o post próximo fala de uma fofinha, só para manter o target em vista.
      Cordiais saudações, inclusive para seu sócio, Sr. Anastase
      Renzo

  3. Brilhante. Isso explica Maradona, que tentou várias vezes o suicídio, pois só será completo como objeto da paixão argentina se estiver como Evita, morto. Mas Evita era autêntica e El Pibe, fake, que fracassa sempre em sua auto-imolação e volta à tona para se vingar da existência de Pelé, ídolo solar.

    O enfoque necrofílico também impressiona pela dubiedade do insight, pois nele existe todos os elementos da admiração, mas soa como um esculacho. Duvidamos se achas mesmo El secreto um grande filme, ou apenas uma sombra de Laura. Ou seja, em meia dúzia de linhas colocas o leitor numa sinuca de bico enquanto o empurras para o desespero da percepção.

    A verdade é que nunca é hora de ler este blog: nem antes, nem durante nem depois de ver o filme. Pois, por mais que a gente se esforce, não sacamos o essencial, totalmente visível para os olhos.

    • Nei, irmão querido:
      Você leu o Santa Evita, do Tomas Eloy Martinez? PUTA livro!!!
      E aquela mania dos hermanos de dizerem que Gardel está cantando melhor a cada dia…
      Não tem nenhuma ironia no meu comentário: adorei o filme e o fascínio deles com a morte dá uma legitimidade para o filme que “Laura” (spoiler alert, como dizem) – que no final das contas está viva – não tem.
      O personagem central tem um caso mal resolvido com a juíza, uma paixão platônica (adoro a cena em que ela diz algo como “e aquela sua doença… qual o nome mesmo? Ah, sim: velhice”), mas seu grande amor é a menina morta que ele vê nua no início do filme.
      Esta é sua motivação.
      Abração
      Renzo

  4. Renzo, gosto de te provocar para entender melhor teus posts enxutos e altamente sofisticados. E também porque acaba me correndo coisas surpreendentes como esta: no filme, o necrófilo apaixonado pela morta acaba deixando seu grande amor envelhecer (chegar perto da morte?) para só depois se decidir por ela. Que acha desta, Mestre?

    Não li o Santa Evita. É o problema da ignorância: a gente acaba descobrindo a pólvora!

  5. Nei:
    Suas provocações são altamente bem vindas.
    Pensei a mesma coisa: a energia que os 3 personagens masculinos do filme investem na paixão pela menina morta faz com que, no final, eles joguem a vida fora.
    Mas a vida é assim: ninguém compete com as mulheres que deixamos escapar.
    Elas não envelhecem, não brigam, não ficam com rugas e em nossos delírios ficam cada vez mais bonitas enquanto decaímos irremediavelmente.
    Se presentes, provavelmente cansaríamos delas.
    Ausentes, viram deusas.
    E, como Gardel, parecem cada dia melhores…
    Abração
    Renzo

  6. Ainda não vi o filme mas a Carla Quevedo é uma gracinha!!!!Vamos incluí-la na película das MULHERES DE VERDADE.

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