O Maior Ator do Mundo No Banco das Testemunhas

Vejo a TV e o assunto em discussão é o caso do casal Nardoni e a falta de talento do jovem ao chorar diante do júri. Daí me pergunto: o que aconteceria se uma das testemunhas em um caso de assassinato fosse um dos maiores atores do mundo.
Bem, não precisamos imaginar muito: Marlon Brando foi testemunha da defesa no caso de seu filho, Christian Brando, assassino confesso do namorado de sua meia-irmã Cheyenne.


Em 16 de Maio de 1990, Christian Brando atirou em Dag Drollet na casa do pai, em Mulholland Drive, Los Angeles, alegadamente porque Dag batia em sua irmã.

Ele saiu da cadeia em 1996.
Bem, a história não terminou bem para nenhum dos envolvidos.
Tarita Cheyenne Brando enforcou-se na casa da mãe, no Tahiti, em 1995, com 25 anos de idade.


Christian Brando morreu de pneumonia em 26 de Janeiro de 2008, aos 49 anos, não sem antes se envolver em outro assassinato rumoroso: ele estava saindo com a mulher de Robert Blake, Bonny Lee Bakley, quando ela foi assassinada (muito possivelmente pelo próprio Blake).
Christian não tinha dinheiro nenhum e sua esposa não tinha recursos sequer para pagar o enterro.

Mas esse não é o ponto: o que queremos lembrar aqui é o testemunho de Marlon em defesa de seu filho.

Por horas, questionado pelo advogado Robert Shapiro, o velho Brando testemunhou e, diante do mundo, confessou suas falhas como pai.
Ele chorou, gritou e mostrou cada emoção possível no banco de testemunhas. Às vezes as respostas eram meros murmúrios incoerentes, até diante de perguntas simples. Brando se responsabilizou pela criação falha de Christian, mas jogou boa parte da culpa na mãe dele, Anna Kashfi, que não estava presente.
“Ela foi provavelmente a mulher mais bonita que já encontrei na vida, mas foi uma mulher muito negativa” Brando disse.
“Eu vivi uma vida de devassidão,” ele disse, emocionado. “Corri atrás de muitas mulheres.
“Talvez eu tenha falhado como pai,” ele acrescentou. “A tendência é sempre culpar os outros. Houve coisas que eu deveria ter feito diferente, eu fiz o melhor que pude”
Então ele ficou com raiva, balançando o braço enquanto dizia: “Esse é o caso de Marlon Brando. Se Christian fosse negro, mexicano ou pobre, ele não estaria nesta corte. Todo mundo quer uma fatia do bolo.”
Finalmente, Marlon virou-se para os familiares de Dag Drollet, incluindo sua filha de cinco anos, que estavam na corte, e desculpou-se com eles. Em francês, nada menos:
“Je ne peux pas continuer la haine dans vos yeux. Je suis désolé avec mon coeur entier.” (“Eu não posso continuar com o ódio em seus olhos. Eu lamento de todo o coração “)
Até hoje se discute se o que o mundo testemunhou foi um pai arrependido ou Marlon em sua maior interpretação.

No caso dos Nardoni, essa dúvida jamais apareceu.

Abaixo, um pequeno documentário (bem vagabundo, por sinal) sobre o assunto:

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