Caso Nardoni Nos Força A Rever O Conceito de Normalidade

OK – Pegar uma menina, estrangulá-la e jogá-la pela janela não estão na categoria das atitudes que eu classificaria como normais – e olha que minha elasticidade para lidar com a anormalidade é muito alta.
Agora, um fulano como Andre Luiz Dos Santos, 49 anos, que viajou 700 km desde a cidade de Ponte Nova, em Minas Gerais, e se amarrou a uma cruz feita de paus no Fórum de Santana, em suas palavras, para fazer uma manifestação “em favor da família”, embora menos perigoso, também não é lá muito ajustado.
Como André, algumas dezenas de malucos e desocupados estão fazendo plantão na frente da corte para acompanharem o julgamento. Todos sentem como se a menina assassinada fosse parte da família.
Pessoas solidárias? Não – apenas um banco de sádicos malucos dispostos a acompanhar uma novela ao vivo. Esse fascínio com morte, assassinato e sangue apenas revela que o número de pessoas doentes na nossa sociedade é espantosamente alto.
Alguns jogam crianças pela janela.
Outros desfrutam do episódio como um show gratuito, pretextando boas intenções.
Conselho: Mantenha distância de ambos.

7 Respostas para “Caso Nardoni Nos Força A Rever O Conceito de Normalidade

    • Grande Luiz:
      E aqueles e-mails com power point e musiquinhas tristes mostrando fotos da menina?
      Está todo mundo louco, Luiz?
      Abraços. irmão
      Renzo

      • O Nelson Rodrigues, que como já deve ter percebido é uma espécie de líder espiritual para mim, dizia que as pessoas haviam migrado para as novelas porque o jornal havia parado de alimentar a sua fome de ficção. Como deve saber, o jornalismo antigamente não se pautava pelo fato somente, o jornalista tinha certa liberdade de expressar suas notícias da maneira que pudesse e fosse mais sedutora aos seus leitores. Em outras palavras, os caras faziam sensacionalismo mesmo, inseriam nas matérias elementos ficcionais e o escambau, o próprio dizia isso. Pode não ser ético, bom e puro, mas ao menos tinha alguma honestidade nisso.
        Mas o que ando reparando é que os idiotas da objetividade, como o mesmo chamava, que adoram afirmar que só escrevem sobre aquilo que acontece “de verdade”, acabam por saciar uma catarse no povo, da mesma maneira que Nelson e os sensacionalistas faziam na década de 30, só que com a desculpa de só estarem fazendo seu trabalho. Não sei se concorda, mas creio que as invencionices e romanceios de outrora deram espaço a ao cinismo e a canalhice sem quaisquer sinais de lirismo pelos meios que exploram a tragédia.
        As pessoas acompanham o caso com o mesmo fervor e dedicação com que uma dona-de-casa dos anos 30 lia os folhetins, se acham informadas e, pior, querem dar pitaco no fim do caso da mesma maneira que fazem com o destino dos personagens dessas novelas. Depois a imprensa sai por aí dizendo que esclarece e estimula os espectadores a se tornarem seres pensantes. Abraço, amigo.

      • Grande Luiz:
        Até agora, o único personagem admirável da história é o juiz, que impediu a transmissão do “show” e não fala com ninguém (“Juiz fala nos autos”, diz quem entende do riscado). Tomara que ele se mantenha distanciado do espetáculo deprimente que virou este julgamento e resista a virar estrela de segunda categoria, sendo entrevistado pelo Superpop e equivalentes.
        Renzo

  1. Aliás, fico feliz que todos os acontecimentos do mundo resolveram não acontecer hoje, para que todos os noticiários possam gastar o dia todo falando sobre o número de jurados no caso.

    • Pensei a mesma coisa, Matheus:
      Sarney e Cia. deveriam aproveitar o dia para aprovar atos secretos, contratar parentes, afanar o grampeador…
      Hoje o dia parou para todos os professores de direito discutirem as particularidades do Brasil na área do processo penal pela TV, enquanto os plantonistas entram ao vivo, direto da porta do tribunal, para não falar nada.
      Grande dia para o telejornalismo nacional.
      Abração, amigo

      Renzo

  2. Aliás, eu vi uma enquete grotesca, onde as pessoas ligavam para fazer uma votação de se o casal era culpado ou não. Me lembrou os bons tempos do Você Decide, com a diferença de que lá a gente conhecia a história toda, e aqui só o que a maioria das pessoas sabem foi o que viram no Fantástico, e se achavam aptas a julgar o caso.

    Nem preciso dizer que “culpado” ganhou de goleada.

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