A Arte Imita a Vida (E sai Perdendo de Goleada).

Três Filmes:
Homens Que Encaravam Cabras.

O Desinformante.

O Vigarista do Ano.

Os três baseados em fatos reais. Algum deles é ruim? Não.
Algum deles faz justiça ao livro que os inspirou? Nem de longe.
The Men Who Stare at Goats é um livro de Jon Ronson que conta o que acontece quando unidades do exército norte-americano começam a apostar em técnicas de contracultura, incluindo experimentos com LSD, levitação, o poder da invisibilidade, a capacidade de matar cabras apenas com o olhar e… Uri Geller, o afamado picareta (Sim, oficiais do exército mais poderoso do planeta levaram a sério Uri Geller – assim como Michael Jackson antes deles!!!)
O livro estabelece uma conexão entre esses fatos e o uso da musiquinha do dinossauro Barney em prisioneiros de Guerra iranianos – alguma coisa a ver com frequências e mensagens subliminares.

Barney: Personagem Infantil e, nas horas vagas, Instrumento de Inteligência Militar

A comédia de Grant Heslov nem de perto faz justiça à maluquice descrita na pesquisa de Ronson.


O informante, impressionante livro de Kurt Eichenwald, conta a história real do executivo da Archer Daniels Midland, Mark Whitacre, como informante do FBI. Trata-se de uma das figuras mais malucas cuja vida já li. O tom de comédia adotado por Steven Soderbergh suaviza a maluquice alucinada de Mark Whitacre e tira muito do peso e da densidade da história. Whitacre passa a ser, no filme, um trapalhão divertido e não um maluco atormentado que tentou passar a perna em uma corporação gigantesca e no FBI ao mesmo tempo.

Por fim, O Vigarista do Ano, baseado na autobiografia de Clifford Irving, o homem que inventou uma autobiografia de Howard Hughes – apostando que o recluso bilionário não sairia do isolamento para desmenti-lo, é o mais pobre de todos.

“Se eu fosse o homem retratado no filme eu me mataria” chegou a afirmar o verdadeiro Irving sobre sua interpretação por Richard Gere.
Vistos sem conhecimento das histórias que os originaram, os três filmes são mais do que passáveis. Quando se mergulha na maluquice verdadeira destas personagens, os filmes parecem imitações pouco talentosas e terrivelmente simplificadas e esquemáticas.
Os três livros mostram que as pessoas são muito mais loucas do que nossas ficções. E que a vida real anda cada vez mais interessante e descolada das invenções dos escritores.
Na dúvida, fiquem com os livros…

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4 Respostas para “A Arte Imita a Vida (E sai Perdendo de Goleada).

  1. Vi metade do Desinformante e achei um tédio. Hoje vejo o resto. Por isso gostei do Whatever Works, do Woody Allen. Aquele velho quase Nobel que agride todo mundo, principalemnte a moça que casa com ele, é muito mais real do que muito maluco baseado em fatos reais. Sem falar nas tiradas geniais do texto. Deve ser divertido viver das próprias bobagens, como acontece com Woody Allen.

    Acho impressionante o Richard Gere. Aquele eterno sorrisinho cool e todo o esforço que faz para evitar as rugas são de chorar.

    • Eu tinha um expectativa enorme sobre o filme, pq o livro é impressionante, Nei: Um fulano que chega ao topo de uma empresa tentando enrolar todo mundo, incluindo o FBI. O filme realmente não faz justiça à história real. O personagem vira um Peter Sellers sem sal.
      Para vc que conhece a fundo o mundo das redações, talvez o filme do Gere (que, adianto, também não é obra prima) te agrade mais. Ele inventa uma biografia do Howard Hughes e consegue 1 milhão de dólares de adiantamento. Enquanto finge encontrar com o milionário, sai pelo mundo comendo todas as mulheres que encontra pelo caminho (passagens pagas pela editora).
      Filme médio, mas o Clifford é um grande personagem.
      Abraços, irmão
      Renzo

  2. Como, inédito? Eu vi esse filme, não lembro quando, mas tirei na locadora. É bom. Implico com a performance do Gere, que se acha o o grande metedor (é um Ives Montand, le fodedeur, americano).

    Quanto ao Desinformante, terminei de ver e notei várias qualidades. Mudei um pouco minha opinião. O Matt Damon é da pesada. Ele faz o personagem no caminhar, o que é uma especialidade de poucos (John Wayne, Travolta, Robert Mitchum). Quando ele anda pela empresa, naquela maneira tosca e obsedada, vemos o personagem inteiro ali. Em Invictus, custei a identificar Matt Damon no capitão do time de rugby. O cara se transforma, sendo sempre aquele loirinho batido. A série Bourne também é excelente, deixa o Kiefer Sutherland com seu 24 horas no chinelo. Ele só fica ruim nas garras do Scorsese, claro.

  3. Grande Nei:
    Sempre aprendo com vc.
    Esta sacada de “fazer o personagem no caminhar” é genial.
    É exatamente isso.
    O Tony Manero, do Travolta, que vc citou, é um grande exemplo.
    A arrogância do suburbano metido a gostoso (eu sou da Mooca, bairro suburbano da italianada, que em São Paulo seria o equivalente a Nova Jersey)está toda lá.
    Estudei com uma porrada deles.
    Eles insistiam em namorar com as meninas mais bonitas da escola.
    Espero que estejam obesos, duros e feios.
    Abração
    Renzo

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