Nova Novela de Manoel Carlos Mostra o Submundo do Leblon

Já está começando a ser rodada a nova novela das oito de Manoel Carlos, intitulada “Essa Vida É de Morte”.


Pela primeira vez, a personagem central, que mais uma vez chamar-se-á Helena, será vivida por Dagmar, um anão transexual boliviano/a.


Seu par romântico será Carlos, interpretado por José Mayer, um homem atormentado pelo fato de que seu irmão gêmeo univitelino é sete anos mais velho do que ele.
Reynaldo Gianecchini interpreta Zulú, um ritmista baiano que contrabandeia ritmos da África setentrional para o carnaval de Salvador.
Como todas as músicas boas e as mais ou menos da bossa nova já foram usadas nas trilhas de novelas anteriores, o tema será “O Pato”, que foi o que sobrou, regravado por João Gilberto especialmente para a ocasião, com acompanhamento da Orquestra de Pífanos de Caruaru.

No núcleo suburbano da novela o destaque é Beatriz Segall, que viverá uma adolescente obcecada em conhecer a manicure de Britney Spears enquanto trabalha no açougue de Tony Ramos, “A Picanha Peluda”.
O negócio vai mal, já que as carnes cortadas pelo proprietário – como o nome sugere – ficam cheias de pelos. O personagem de Tony está dividido entre continuar o negócio que herdou do mãe, que morreu seis anos antes dele nascer, tentando uma depilação total à laser ou abrir um estúdio de dança de salão para surdos.
Ele tenta resolver o impasse através de cartas de tarô, mas elas se extraviam no correio.
Tarcísio Meira vive um professor de yoga que também é paleontólogo, que passa o tempo buscando múmias incas no quintal de sua casa. O fato de paleontólogos na vida real buscarem fósseis – e não múmias – não passou despercebido pelo autor, que considera a mudança uma pequena licença poética.
Milton Gonçalves vive um rapper da velha guarda, revoltado com a introdução de instrumentos eletrônicos na música, que quer retomar a pureza original do hip hop e enfrenta a oposição das grandes gravadoras, vividas por Kid Bengala.


José de Abreu interpreta um personagem misterioso e que guarda segredos terríveis. Para se ter uma ideia, ele é tão misterioso que não aparecerá em nenhum momento da trama.


Paulo Betti é um patologista (o que ajuda a justificar o uso da canção de João Gilberto) especializado em halitose. Neste processo, encontra a ajuda de um traficante de Halls mentoliptus, interpretado por Thiago Lacerda, que é perseguido por um policial corrupto, papel de Russo, o ex-assistente de palco de Chacrinha. Como a posse de Halls para consumo pessoal não é tipificada como crime, quando finalmente ambos se encontram, nada acontece.
Antônio Fagundes faz um ator shakespeariano que é acometido por Síndrome de Tourette, o que o coloca diante de uma dramática questão: abandonar os palcos ou tornar-se a nova Dercy Gonçalves.

Fagundes: “Ser Ou Não… P&%$ que Pariu, C$%@!)*, M$%#@… Ser, Eis a P*&% da Questão, seus B*&+äs”

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11 Respostas para “Nova Novela de Manoel Carlos Mostra o Submundo do Leblon

  1. emprego e desemprego são duas formas de extermínio mental
    o pavor de perder o emprego é uma coisa
    o desespero do desemprego é outra coisa
    desemprego e emprego são duas formas de lobotomia geral

    o cidadâo empregado deve suportar a lavagem cerebral
    a miséria cerebral é uma coisa
    a miséria intestinal é outra coisa
    o cidadão desempregado deve suportar a lavagem intestinal

    emprego e desemprego para todos nós é extermínio mental
    uma coisa é uma coisa,outra coisa é a mesma coisa
    desemprego e emprego para todos nós é lobotomia geral

    cidadâo empregado para todos nós é lavagem cerebral
    uma coisa sem outra coisa,senão a mesma coisa
    cidadão desempregado para todos nós é lavagem intestinal

    • Sr. Nei:
      Onde você estava até essa hora? Custava telefonar? Eu aqui, andando de um canto para o outro da casa , e nada do senhor aparecer.
      Não adiantam elogios.
      Próximo sumiço e vai encontrar com o rolo de massa da cozinha, como nos quadrinhos dos anos 1950….
      Abração
      Renzo

  2. Viste o novo Sherlock Holmes, com o Robert Downey Jr. e o Jude Law? Lembrei do nosso Taxidermista. Porões de Londres, com a Scotland Yard fazendo papel de trouxa! Gostei demais. Puro McYver, Adrenalina 2, Velozes e Furiosos. A lógica x a mágica, a ação x discurso, o detalhe x a teoria. E totalmente fiel aos livros! Trata-se de um milagre. Abs.

    • Gostei muito.
      Senti uma certa tensão sexual entre o Sherlock e o Watson. Estou ficando paranóico?
      Até pensei no Downey para viver o taxidermista na versão cinematográfica da personagem, mas só se o David Caruso não topar o desafio.
      Abração

      Renzo

      • “Senti uma certa tensão sexual entre o Sherlock e o Watson. Estou ficando paranóico?”

        Ufa, achei que eu fosse o único a pensar nisso, mas gosto de pensar que é só a velha camaradagem masculina. Bom, no caso do Downey pode ser a antiga camaradagem masculina, com influências Aristotélicas. Óbviamente que não me refiro a Filosofia…

  3. Renzo, tuitei o post acima e a repercussão foi esta: “Explorei o blog do Mora e adorei. A forma alegórica como ele conduz a crítica é maravilhosa! Um desconcerto formidável.Ele me fez rir e pensar como da vez em que li “Cascos e Carícias” da Hilda Hilst… Vou acompanhar esse cara”. Reni Adriano(escritor http://reniadriano.blogspot.com/) Pelo romance “Lugar” (Tinta Negra) foi contemplado com o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2009, na categoria ficção.

    • Grande Nei:
      O sumiço está perdoado.
      Ia deixar sua janta no microondas por uma semana, mas o fato é que não consigo ficar brigado com você.
      Obrigado pela força e por trazer o Reni para cá.
      Abraços, irmão
      Renzo

  4. Definitivamente é a sinopse mais interessante que leio há tempos, mal posso esperar que entre no ar. Algo me diz que a personagem de Tarcísio Meira e a “anão” Dagmar em algum momento terão um caso, enquanto José Mayer estiver sofrendo com a dúvida entra ele/ela e seu amor por Macedo, novo nome de Sofia, personagem de Regina Duarte, aqui tendo o desafio de interpretar a ex-mulher de Mayer que resolveu abandoná-lo para fazer uma cirurgia de troca de sexo, mas se descobre, na verdade, um homem gay. Não se esqueça do Merchandising social, questões cotidianas como essas tem de ser tratadas na obra do velho Maneco.

    • Grande Luiz:
      Desdobramento matador.
      O departamento de roteiristas da Globo pode nos contratar para, em dupla, renovarmos os folhetins da emissora.
      Minha sugestão de merchandising social: Está na hora dos roteiristas pegarem as atrizes.
      Dê para um escritor: Eles Também São Gente – Esse será o tema.
      Acabar com essa história de atriz só namorar com ator ou “empresário”.
      Vamos escrever a próxima novela das oito e fazer testes do sofá com as estrelas
      A Globo sabe onde nos encontrar.
      Abração
      Renzo

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