Alfredo José da Silva: Obrigado, Desculpa e Adeus

Começo dos anos 1980. Meu bar, onde levava minhas namoradas, era o Trianon, no subterrâneo do Maksoud Plaza. Lá, além de ser recebido pelo Prado, maître impecável, de uma elegância britânica, podia ouvir os irmãos de Cauby, Moacyr e Araken Peixoto, e um gênio chamado Alfredo José da Silva, conhecido pelo nome artístico de Johnny Alf.
Não sei quantas pessoas tiveram o privilégio de ter a trilha sonora de seus namoros oferecida ao vivo por um gênio, mas eu fui uma delas – graças a Johnny. No meio de standards de jazz, de vez em quando ele nos mostrava um de seus clássicos: Eu e a Brisa, Ilusão à Toa, O Que é Amar.
Por isso, muito obrigado Johnny. Sem dúvida, devo minhas conquistas amorosas muito mais às suas músicas do que ao meu papo furado…
Pelo fato do país nunca ter dado o valor que você merecia, desculpa. Eu fiz minha parte, comprei seus álbuns, assisti a seus shows, mas não tinha muita gente comigo.
Havia, claro, o reconhecimento dos seus pares. “Genialf” era como te chamava aquele outro compositor, qual era o nome… Ah, sim, Tom Jobim.
Conversamos uma vez só. Impressionante como você não parecia afetado pelo enorme legado que tinha criado. Modéstia, já dizia o Millôr Fernandes, é a virtude de quem não tem nenhuma outra – e você não precisava dela.
Adeus, Johnny. A trilha sonora da minha vida melhorou muito graças a você.

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