Stephen Sondheim: Com Poucos e Para Poucos


A Folha de São Paulo de hoje, em seu suplemento com notícias do The New York Times, fala sobre um dos maiores compositores vivos: Stephen Sondheim. A matéria, assinada por Patrick Healy, diz “Autor de musicais volta à cena em escala intimista”
“Aos 79 anos, e tendo em seu currículo algumas das maiores obras do teatro musical dos EUA, Stephen Sondheim chegou àquele ponto na carreira de um compositor prolífico em que as grandes reencenações de seus espetáculos já se contam em números de dois algarismos.
E as reencenações são acompanhadas de reformulações. Na Broadway, a tendência mais visível tem sido a das orquestrações de câmara, como os arranjos para oito instrumentos usados no atual revival de “A Little Night Music”, história de Sondheim e Hugh Wheeler sobre amantes de idade madura que lamentam seu passado.
Sondheim disse que a “camarização” de sua obra tem tido um efeito surreal sobre ele, que a vê como uma faca de dois gumes… Uma parte dele sente saudades “do som grandioso das orquestras maiores”, que está ausente da produção atual de “Night Music”, sem falar nos revivals musicalmente enxutos apresentados na Broadway de “Sweeney Todd” (2005) e “Sunday in the Park With George” (2008). É estranho, disse Sondheim, imaginar que o primeiro contato que novas gerações de espectadores têm com sua obra possa ser em escala intimista, em lugar da musicalidade desenfreada das produções originais de décadas atrás na Broadway.”


A matéria passa a impressão de que as montagens de Sondheim estão reduzidas por opção estética dos montadores. Os mais atentos podem imaginar que se trata de um reflexo da crise econômica nos EUA. Eu acho que não é uma coisa nem outra. O problema é que Stephen Sondheim é bom demais. Suas montagens não têm os elementos bregas que costumam atrair turistas monoglotas: lustres que caem como no Fantasma da Ópera, o sapato jogado em cena de Cats – enfim: as cafonices que abundam nos trabalhos de Andrew Lloyd Webber, por exemplo.
E mesmo nos EUA não é fácil encontrar público para suas peças, que além de trazer música de primeira qualidade, tratam de assuntos pouco usuais.
A Little Night Music , de 1973, era baseado no filme Smiles of a Summer Night de Ingmar Bergman.
Pacific Overtures de 1976 era uma exploração intelectual da ocidentalização do Japão. Sweeney Todd, de 1979, falava de canibalismo
Sunday in the Park with George , de 1984, abordava musicalmente da pintura de Georges Seurat.
Em 1990 lançou Assassins, que tinha como personagens pessoas que tentaram matar presidentes norte-americanos.
iSondheim: aMusical Revue, previsto para estrear em 2009 em Atlanta, Geórgia, foi cancelado por falta de patrocinadores. Em outras palavras, para um público interessado em assistir “A Bela e a Fera”, dos estúdios Disney, Sondheim tornou-se tão atraente quanto um exame de próstata.
As montagens econômicas são, portanto, a única forma de manter as peças em cartaz.
Uma pena: Sondheim é um tesouro, que mereceria toda a pompa e circunstância.
Nota pessoal: Aqui em São Paulo fui ver a montagem de “Company“, a primeira na América Latina do musical de Stephen Sondheim, assinada por Claudio Botelho e Charles Möeller. Era ótimo. Talvez uma das melhores coisas que já vi em palcos brasileiros. O teatro, na noite de estreia, estava pela metade. Desnecessário dizer, ficou pouco tempo em cartaz. Azar de quem perdeu…

Brinde: Um cantor chamado Francis Albert Sinatra canta Send In The Clowns e Good Thing Going, ambas de Sondheim

5 Respostas para “Stephen Sondheim: Com Poucos e Para Poucos

  1. Valeu Renzo,
    Duas das boas. Na esteira contrária me lembrei daquele miado da Madonna no Oscar de 1990 com a sua “Sooner or Later”.

    Grande abraço,

    Sávio

    • Curiosidade:
      Quando ela foi gravar a música do Sondheim para a trilha de Dick Tracy, sua reação teria sido: “Que merda é essa?”
      Sondheim e Madonna juntos definitivamente não combina.
      Abração
      Renzo

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