Renzo Mora Desvenda o Mistério do Homem do Terno Bege

Toda a imprensa já entrevistou professor de educação física João Antonio Lara Nunes, que todas as tardes de sexta, sábado e domingo, com seus ternos de cores cítricas, pega seu Farus amarelo (”réplica de uma Ferrari”), seu óculos escuros e se posta em um dos cruzamentos da cidade. Seu objetivo, alegadamente, é ser visto.
Mas é óbvio que é mais do que isso. Como explicar o fato de eu já ter cruzado com ele diversas vezes, em diferentes pontos da cidade?

É simples: Lara Nunes é agente da CIA. Sua missão é me vigiar e avisar ao Pentágono de meus passos. O brilhantismo de sua estratégia está no fato dele, ao invés de se esconder, explicitar sua presença.
Para que eu saiba que estou sendo vigiado.
O bicho de pelúcia que ela carrega nada mais é do que um intercomunicador que revela aos serviços de inteligência minha presença na cidade.
Por que a CIA se interessa em monitorar meus passos? Por que contratou Lara para fazer o serviço sujo de me acompanhar?
Não tenho todas as respostas. Ainda. Mas tenho uma estratégia: Passarei a vigiar Lara. Onde ele estiver com seu terno bege, ao lado estarei vestido de filósofo da linha Wittgensteiana, trazendo nas mãos uma cópia do Tractatus Logico-Philosophicus, que fingirei ler no banco traseiro do Farus amarelo, mas na verdade estarei monitorando Lara e suas conexões com os serviços de inteligência internacional.
Sim, Lara, seus dias de agente secreto estão acabados.
Você finalmente encontrou um adversário à altura.
O caçador virou caçado.
Meu psiquiatra pensa que eu sou paranoico. Ele nem desconfia que eu já sei que ele é aliado de Lara. As vozes na minha cabeça, aliás, já tinham me alertado que eles tentariam usar esse argumento.
Vocês jamais me vencerão.

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5 Respostas para “Renzo Mora Desvenda o Mistério do Homem do Terno Bege

  1. Você precisa entregar sua fonte, Renzo. Quem revelou a identidade secreta do agente da Cia? Como sabes, a segurança nacional tem prioridade sobre a quarta emenda da Constituição americana. Então, prepare-se. Ou revela a fonte, ou Guantánamo te espera. E não sorria de satisfação: demitiram aquela tarada que batia nos presos.

  2. o partido fodido brasileiro apóia qualquer coisa fora da lei
    nós não apoiamos os discursos da dilma rousseff
    nós apoiamos as mensagens da nossa senhora

    • Este Fábio é outro, Nei.
      Seus poemas, aparentemente sem sentido, são mensagens cifradas para o Lara.
      Ou seja, eles monitoram meu blog através do Fábio e meus passos através do Lara.
      Eles pensam que podem deter minha voz corajosa.
      Você queria provas: aí estão elas.
      Renzo

  3. Nei:
    Há anos este agente da CIA opera impunemente em território nacional, às vistas das autoridades impotentes.
    Como explicar que sempre que vou a São Paulo encontro com ele?
    Simples: Ele está a minha espera. Na melhor tradição de Sherlock Holmes, Hercule Poirot e Luciana Gimenez, eu somo os fatos e tiro minhas deduções, abençoado que sou com um poder de percepção acima da média.
    Na Colômbia, os EUA mantém uma presença militar explícita.
    Aqui no Bananão, optaram por uma operação mais discreta, colocando Lara para monitorar meus passos.
    Mas o imperialismo sofreu uma nova derrota: expus seu agente.
    Respondendo a sua pergunta: Não há fonte (ao contrário do que ocorre nas pracinhas de cidades do interior).
    Eu desvendei sozinho o plano ianque.
    Agora dá licença que o telefone está tocando e deve ser o Hugo Chávez para me parabenizar. Ou o Lara pedindo desculpas. Ou o FDP do gerente do meu banco para saber quando vou cobrir o saldo devedor…
    Abraços, irmão
    Renzo

  4. Sua explicação sobre a performance do Lara é genial! A verdadeira utilidade do bichinho de pelúcia, então, é de uma hilariedade deliciosa. Se ele é portador de transtorno comportamental, isso é o que menos interessa!
    Acho que o que vale é pensar nele como mais uma “completa tradução” da paulicéia (tal qual Rita Lee, como bem canta Caetano na preciosa canção “Sampa”) onde acontece de tudo, onde as mais variadas subjetividades e singularidades convivem, bem ou mal, em seu, por vezes, desvairado e caótico cotidiano. Abs.

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