O Museu da Arte Ruim

Quem caminha pelas calçadas do Dedham Community Theatre, localizado na 580 High Street, no Dedham Square, em Massachusetts, talvez não imagine que que na área externa do banheiro masculino do antigo cinema encontre-se exposto o acervo do MOBA – The Museum Of Bad Art – o primeiro (e, pelo que imagino, único) museu do mundo integralmente dedicado à arte ruim.
O que começou com uma coleção privada em 1993, localizada no porão de uma residência particular em Boston, cresceu para muito além dos sonhos de seus iniciadores.

Mana Lisa, autor desconhecido. Não confundir com o quase idêntico Mona Lisa, de Leonardo da Vinci.

Pauline Resting, autor desconhecido

Mama and Babe, por Sarah Irani, 1995

Circus of Despair, artista desconhecido

O problema é que os artistas ruins de fato, como o britânico Damien Hirst e sua caveira de platina coberta de diamantes (que foi vendida por US$ 100 milhões)…

…ou Romero Britto, o presente que Recife legou ao mundo, apesar de péssimos,

são caros demais para integrar o acervo do MOBA.
Então, o museu vai aumentando seu acervo com nomes menos conhecidos, artistas ruins de pincel e de marketing, como os que se destacam em seu catálogo “The Museum of Bad Art: Masterworks”, já à venda.

Anúncios

4 Respostas para “O Museu da Arte Ruim

  1. Chama-se vanguarda. No Brasil, só dá esse tipo de arte. Uma vez fui na Pinacoteca. Tinha uma exposição de arte muderna no térreo. Um horror. Subiu um andar: pintura brasileira do século 19. Um assombro. Decaímos, depois que liberaram os artistas da dura vida escolar.

    • Isso sem falar das instalações, Nei.
      Um ovo frito em cima de uma escada vira uma metáfora para a pós modernidade, para o conflito na Palestina, para a valorização da astrologia como ciência…
      Enfim, esse pessoal imagina que a escola só serve para tirar a naturalidade de sua arte.
      Renzo

      • Tem artista de vanguarda bom, mas a maioria é picareta. Gosto de alguma coisa do Cildo Meirelles. Uma vez vi uma tenda dele feita de cédulas de dinheiro morto do Terceiro Mundo cercada por um muro de ossos. Impressionante.

        Achei bala também algo do Bispo do Rosário. Ele colocou um paralepípedo pesado na carroceria de um caminhão de madeira, de brinquedo. Era para ser um brinquedo, mas o peso não permitia. Achei que criava uma impossibilidade lúdica por meio do resgate de uma representação infantil defasada. Gostou? Levo jeito?

        Mas, sério, a arte de transgressão e a performance não precisavam ser a porta aberta para a sacanagem sem talento. Bastava fazer como Picasso, que estudou paca, sabia desenhar no figurativismo clássico e só gerou ruptura depois de saber tudo (chupou a arte africana, claro, mas isso ninguém sabia na época; colou). Mas se não sabem nada, o que vão transgredir?

        Sobre a arte ruim, é uma esperança para mim. Tenho grandes obras de Bic de Pena em Costa de Lauda, que fiz nas redações. É sempre a mesma figura: uma cabeça sobre sapatos (sem pescoço, sem corpo) ou sobre rodas, puxando um cachorrinho. Será que consigo uma exposição?

      • Nei:
        Você que é irmão, tenha certeza: Estarei na abertura da exposição, tomando vinho quente e comendo salgadinhos frios, comentando orgulhoso: “Sou amigo do autor”.
        E explicarei aos filisteus que a cabeça sobre sapatos é uma metáfora sobre a capacidade do pensamento andar com as próprias pernas. Para o cachorrinho não encontrei nenhuma justificativa, mas até a exposição com certeza pensarei em algo.
        Renzo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s