PS – Tudo Começou Com Uma Dose de Passport

Coloquei em um post o artigo do Ruy Castro falando sobre os 30 anos do show do Sinatra no Maracanã.
Esqueci-me de dizer que tudo começou com uma dose de uísque Passport.
Roberto Medina conta que o primeiro comercial que fez para a Seagram foi com o David Niven. Na campanha seguinte, sugeriu o Sinatra. Pouca gente levou a sério. Mas Medina conseguiu. Parecia que tudo ia dar certo até surgir um problema: No dia marcado para a gravação, Sinatra foi informado que sua mãe tinha morrido, e que os destroços do avião no qual ela tinha voado para ver o show do filho em Vegas tinham sido encontrados. Sinatra estava quase desistindo quando Medina mais uma vez usou seu poder de persuasão e Sinatra topou: desde que fosse tudo feito em apenas um take, sem repetições – exatamente como ele gravava seus filmes, aliás.
Como conta o próprio publicitário: “No caso da Seagram, tínhamos uma pequena parte da conta, e o problema da Mansion House era que o uísque engarrafado aqui custava mais caro, mas não tinha o valor percebido suficiente para justificar a diferença de preço. Nossa proposta foi a de criar esse valor agregado. Propusemos usar o David Niven para dar o testemunhal de qualidade.


O cliente começou dizendo que a ideia era ótima, porém o produto não tinha verba. Perguntou se nós tínhamos o acerto com o David Niven. Eu disse que tinha – mas, de fato, ainda não tinha. Ele pediu licença e foi falar com o presidente. Voltou e disse que a empresa topava, pois mudaria a marca anunciada para o Passport, que contava com mais verba. Com a ideia aprovada, conseguimos o David Niven, fizemos o filme e as vendas do produto aumentaram mil por cento. No ano seguinte, já nesse novo patamar de vendas, o desafio era superar o impacto. Propusemos o Frank Sinatra. O cliente respondeu que ele nunca tinha feito comercial na vida. Nós respondemos que justamente por isso é que era bom. Fui pessoalmente aos Estados Unidos para convencer o Sinatra a fazer o comercial. Ele acabou topando e, no meio da conversa, perguntei por que ele nunca tinha vindo cantar no Brasil. O empresário dele levantou, pegou uma pasta enorme com dezenas de tentativas fracassadas e disse que não havia como viabilizar. Na mesma hora, propus que eu cuidaria disso e que ele faria o maior show de sua vida, no meio do Maracanã. Voltei ao Brasil e fui à luta até trazer o homem…”
Vale dizer que, assim como o comercial de Passport quase foi cancelado pela morte da mãe do cantor, o show do Maracanã quase não aconteceu por causa da chuva, que caía desde o início do dia até sete minutos antes do show.
O cardiologista do Medina deve ser bom pacas…

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9 Respostas para “PS – Tudo Começou Com Uma Dose de Passport

  1. Cuidei da edição da matéria da IstoÉ, feita pela sucursal do Rio, sobre a vinda de Sinatra ao Brasil e o grande feito de Medina. Foi quando escrevi a maior legenda minha vida. É chato dizer isso porque legenda não tem crédito. Mas é a mais pura verdade.
    Era assim, duas frases embaixo da foto feliz dos bastidores do show:
    “Roberto Medina e seu famoso contratado. Sinatra é o da direita”.

    • Grande Nei:
      Identificação de celebridades. Me lembra umas histórias…
      Uma das legendas mais maldosas que li na imprensa: A foto mostrava a Maria Pia Matarazzo e um de seus maridos de ocasião. A legenda “Na foto, o senhor e a senhora Maria Pia Matarazzo”
      Outra, parecida. O repórter da Playboy foi entrevistar o John Wayne. A primeira linha da matéria era mais ou menos o seguinte: “Aquele homem enorme se aproxima e diz a frase mais inútil que já ouvi: “Oi, eu sou John Wayne”
      Abração
      Renzo

      • Títulos, legendas e lead são a festa do jornalismo. Meu melhor título é “O Brasil foi para o espaço”, quando lançamos um satélite (título depois muito copiado). Meu lead inesquecível foi para a TV Guia, da Editora Abril em 1977: “Todo mundo tem seu lado humano. O de Cyborg é o esquerdo”. O melhor título cortado (pelo editor executivo na Istoé) era sobre um caso policial em São Paulo, quando descobriram a autoria de telefonemas de chantagem: “A Máfia tem voz de mulher”. Cortaram a matéria junto com o título. Nunca me conformei. Ainda publico isso. Ei, acabo de publicar! Abs.

      • Consolo:
        O editor da Isto É que cortou a matéria da Máfia deve ser uma besta, sem o menor “ouvido” para manchete.
        De vez em quando a gente esbarra com uns tipos desses…
        Abração
        Renzo

  2. Olá Renzo,
    Rapaz esse livro do Roberto Medina é muito bom. É impressionante como cada passagem do Frank, em qualquer lugar, dá pra escrever um livro. É muita informação. Acho que foi a figura do showbusiness mais investigada e com mais histórias e estórias.
    Grande Frank. O Medina foi raçudo.
    Abração,

    Sávio.

    • Sávio:
      Tem um livro só com os documentos do FBI investigando o Sinatra. O autor diz que ele foi o segundo artista mais investigado dos EUA, só perdendo para o ator John Wilkes Booth.
      Mas esse, obviamente, matou o Presidente Lincoln.
      O Sinatra só pecava por ter uns amigos de uma multinacional italiana…
      Abração
      Renzo

  3. Esqueci de comentar do David Niven. O cara tinha it demais.
    Era também um Cary Grant (apesar de não ter as mesmas preferências sexuais) – elegante e carismático.
    Propaganda rara, muita classe, não tinha visto ainda.
    Me lembro do Passaport nas mesas, hoje em dia é difícil de encontrarmos.

    Sávio

  4. Renzo, confesso, só havia visto o Niven na Pantera Cor de Rosa, mas naquele ele teve um impasse: dividir as telas com Peter Sellers. Ele quase perdeu o charme. Mas, honestamente, depois desse comercial o Passport vai virar uma espécie de “bebida do coração”, lado a lado com a Bohemia. E a Original. E a Bavária Premium. E a Antártica Comum. E a Brahma…

  5. Olá Renzo, muito obrigado pela postagem, realmente esse Medina é um danado, não sabia que Sinatra havia feito comercial do Passaport e muita coisa sobre Sinatra tambem não sabia e estou sabendo por voce e meu grande amigo Sávio..obrigado e vamos em frente..abraço..Roberto

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