Capela Sistina Mostra Esgotamento Criativo de Michelangelo. Leia a Entrevista exclusiva com o artista.

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15 de Agosto de 1541
Capela Sistina Mostra Esgotamento Criativo de Michelangelo. Leia a Entrevista exclusiva com o artista.

Ontem foi a abertura oficial da Capela Sistina, o mega trabalho do pintor e escultor Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni. A obra, que foi aguardada com grande ansiedade pela sociedade local, mostra uma execução razoável, mas um esgotamento temático – revisitando os mesmos temas já abordados por Botticelli, Ghirlandaio e Fra Diamante, entre outros – retomando as passagens bíblicas de sempre.

Entrevistamos com exclusividade o artista em seu ateliê.


– Mika, alguns críticos estão dizendo que a Capela Sistina repete mais uma vez os temas bíblicos de sempre. O que você responde a eles?
– Olha, trabalhar com patrocínio e leis de incentivo é bacana, tipo assim, o Papa Júlio II não chorava o preço, depositava a grana no dia certo, não faltava tinta, pincéis, tinha um massagista japonês para trabalhar meus músculos lombares, já que eu trabalhava o dia todo de costas, então tinha uma estrutura legal, mas tem sempre a interferência no processo criativo, né?
– Como assim, Mika?
– Olha, eu sou um artista assim, tipo, superconceitual. No ano retrasado, quando eu fiz os afrescos da Pizzaria do Júlio, eu falei para ele: “olha, ao invés de pintar pizzas na parede, por que a gente não pinta, assim, tipo, bolinhos de arroz em todo lugar.”. Assim o cara entra lá, vê uma porção de bolinhos de arroz, fica enjoado de bolinhos de arroz e pede uma pizza. Mas ele quis que eu pintasse as pizzas na parede. Eu falei “vamos fazer pelo menos uma pizza de bolinho de arroz” mas nem isso ele topou.
Com o Papa foi a mesma coisa. Assim, tipo, eu falei para ele: “Ao invés das cenas da Bíblia, vamos, tipo assim, buscar uma nova abordagem. Vamos encher a igreja de imagens de cachorros jogando pôquer e fumando charutos”
– Não entendi
– Olha, é assim, tipo, super conceitual. Você entra na Igreja e vê um cachorro jogando pôquer. Como cachorro não joga pôquer, você diz assim, tipo assim “meu, maior milagre esse cachorro”. Então, o milagre está lá, mas sem, tipo assim, pintar as cenas de sempre. Conceito, né.
Mas o Papa, assim como o Júlio da pizzaria, tá pagando o lance dele, tem lá um briefing, e eu sou profissional. Tipo, eu me vejo na obrigação de oferecer ideias pictóricas novas, uma abordagem de comunicação mais de vanguarda, mas, tipo assim, a grana da campanha é do cliente, então tem que respeitar a visão dele.
– E você não tem vontade de partir para algo mais pessoal?
– Olha, tem a questão da grana, não vou dizer que não. Eu tenho vontade de , assim, tipo, fazer uma série de guaxinins dançarinos, porque assim, tipo, guaxinim é o novo castor, sabe, super pictogênico, bicho gracinha, todo mundo acha o maior fofo, peludinho, hiper lúdico. Mas não tem público. Então, assim tipo, a crítica reclama que a gente pinta sempre a mesma coisa, mas não vê que trabalhar com lei de incentivo é jogar para a massa. O patrocínio é, assim tipo, superimportante, eu estou muito grato ao Papa Júlio II e à Igreja católica porque a gente está lá, trabalhando, tem uma super divulgação, o pessoal vai ver, mas ao mesmo tempo é frustrante ficar indo no departamento de marketing das empresas, tomar cafezinho, e não ter grana para a série dos guaxinins, por exemplo.

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