Nei Duclós Apresenta Sua Versão Para o Concurso Frankie Brown, O Detetive Taxidermista

Se um concurso se mede em qualidade, não em quantidade, meu concurso para novas histórias estrelando Frankie Brown, O Detetive Taxidermista, vai bem.

Só tive uma resposta, mas com a grife do grande Nei Duclós.

Vai aí a versão dele:

Saio da mina para a manhã nublada de Londres.

“Era o queríamos saber” diz Lloyd, que se despede de mim como Billy Eckstine lendo o diário de uma adolescente obcecada com tribos australianas

“Sim” digo com clareza, tirando a gaita de fole do casaco e tocando “El dia em que me queiras”.

“Tem certeza, Frankie?” pergunta o inspetor Lloyd diante da biblioteca empoeirada da família Collins, onde destacam-se as obras autografadas de Adelaide Carraro.

Lloyd me acompanha até a cozinha, onde os peritos param de dançar mas permanecem abraçados no salão, como se a música fosse ser reiniciada a qualquer momento.

“Chega, Lloyd”, ordeno com a voz firme, tirando as polainas e fazendo uma pequena dança havaiana.

“Venha comigo” responde Lloyd na mansão de Lady Collins, herdeira de barões que fizeram fortuna construindo bonecos de ventríloquos.

Lloyd saúda minha chegada como de hábito, dizendo sem a menor hesitação: “Frankie, ela está morta”

Embora seja taxidermista profissional, para na porta e vejo o Rolls Royce que servia à Lady Collins. Ele está imóvel, o que é bom, já que não há ninguém dentro dele.

A Scotland Yard sempre pede meu apoio em casos de grande repercussão, com seus peritos que interrompem a coleta de digitais e começam a dançar cheek to cheek.

Entro no castelo decorado com pinturas renascentistas, datadas de 1970, guardando as maracás na pasta de couro. Os peritos olham a cena com tristeza, guardando o pano vermelho e o touro que os acompanhava.

4 Respostas para “Nei Duclós Apresenta Sua Versão Para o Concurso Frankie Brown, O Detetive Taxidermista

  1. Ei, o crédito é seu, você prometeu! Só usei peles e ossos dos contos escritos por ti. Tudo o que está aí é teu, Fran..digo, Renzo. Montei um produto taxidérmico. E por favor, faça como o americanos: declare a vitória e fuja de helicóptero. Encerre o concurso antes que eu tire o segundo lugar! (se forem dois participantes, claro).

    • Nei:
      Não adianta renegar.
      O intrépido taxidermista agora é uma criação coletiva. Pertence a nós dois.
      Gostei da desconstrução do personagem.
      Brown, que era meio taciturno, nas tuas mãos virou tão hiperativo quanto o agitado inspetor Lloyd.
      Adorei.
      Abração

      Renzo

  2. Pingback: Frankie Brown vai ao Palácio De Buckingham « Renzo Mora

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