Marcelo Mirisola e Roberto Bolaño

Bolaño é bom. Seu livro “Putas Assassinas”, com suas memórias de viagens e do pai, é uma bela antologia de contos.

Bolaño morreu precocemente, em 2003, aos 50 anos, e desde então a crítica mundial não parou de louvá-lo. Até a Esquire, minha revista favorita, o colocou entre os grandes, fazendo dele leitura obrigatória.

Pois bem, só para levar porrada (e ficar entre os latino-americanos): Marcelo Mirisola é melhor que Bolaño.

Mirisola peca por estar vivo (nada como morrer para ajudar as vendas, vide Michael Jackson), por desprezar abertamente panelinhas e flips e por ser menos universal. Imagino um tradutor americano tentando interpretar para o leitor médio de seu país o que é Sérgio Mallandro, Amelinha ou Belchior.

Estranhamente, esses elementos lowbrow dos livros de Mirisola, ao invés de facilitarem a leitura, só acrescentam mais camadas de complexidade ao seu texto.

Seu livro mais recente,

Memórias da Sauna Finlandesa, é brilhante.

Muito melhor do qualquer coisa que Bolaño tenha feito. E só para ficar claro: não estou desmerecendo o chileno. Não acho que literatura seja campeonato de futebol.

Só estou celebrando o fato de que temos um escritor melhor do que ele trabalhando aqui ao nosso lado – com a vantagem de que podemos entender suas referências sem a ajuda de tradutores.

Antes que alguém fale em panelinhas, conheci o escritor Mirisola antes de conhecer o cara em pessoa. Já o admirava quando fomos apresentados e cada um de seus livros só renovou esta admiração.

E, com a admiração, uma inevitável ponta de inveja – apesar de não estar na mesma divisão do Marcelo, também sou escritor.

E é como escritor que posso dizer: Vai escrever bem assim na puta que te pariu, Marcelo.

2 Respostas para “Marcelo Mirisola e Roberto Bolaño

  1. Mirisola deve ser bom. Seu livro “Memórias da sauna finlandesa” deve ser brilhante. Meu blog favorito, o do Renzo Mora, o colocou entre os grandes. Pois bem, só para levar porrada (e ficar entre os brasileiros): desconfio que Renzo Mora seja melhor que Mirisola.

    Só que Renzo Mora não sabe. Peca por radicalizar suas admirações, temendo que não tenha deixado claro quem são os que escreve bem na puta que os pariu. Despreza abertamente panelinhas e flips e por ser muito mais universal poderia dar entrevista para o David Letterman. Imagino um americano tentando entender como um brasileiro consegue saber mais da América do que eles. Incncebível. Deve ser duro anunciar para o leitor médio de seu país que o cara consegue sacar que o Dick Tracy é o narrador daquela canção do Santa Claus.

    Estranhamente, esses elementos de Renzo Mora, ao invés de facilitarem a leitura, só acrescentam mais camadas de complexidade ao seu texto. E antes que alguém fale em panelinhas, conheci o escritor Renzo Mora só virtualmente e fiquei tão vidrado no blog que economizo seus livros para ler depois. Um admirador pão duro como eu condenaria um escritor à penúria extrema, ou à publicidade, o que vem dar na mesma.

    • Talento é coisa muito rara.
      Generosidade também.
      Encontrar os dois – em abundância – só em pessoas como o Nei.
      Abração, amigo
      Ótimo 2010.
      Renzo

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