Lula Bêbado e Obama Lúcido

Enquanto Lula, bêbado, falava sobre tirar o “povo da merda” no Maranhão, Obama fazia o discurso mais importante de aceitação de um prêmio Nobel.

Bem, não tenho provas de Lula estivesse realmente bêbado naquele discurso, mas devemos conceder o benefício da dúvida: imaginar que ele estivesse sóbrio é uma possibilidade tão assustadora que, em favor de Nosso Guia, é menos ruim assumir o porre e desculpá-lo.

Quase simultaneamente, Obama fazia o discurso mais importante e lúcido de um laureado com o Prêmio Nobel da Paz. Rejeitando a tutela antecipada que o prêmio poderia sugerir, Obama disse:

“…Mais perigosamente, vemos isso na maneira em que a religião é usada para justificar o massacre de inocentes por aqueles que distorceram e profanaram a grande religião do islã e que atacaram meu país, partindo do Afeganistão. Esses extremistas não são os primeiros a matar em nome de Deus; as crueldades das Cruzadas foram amplamente registradas. Mas eles nos lembram que nenhuma Guerra Santa pode jamais ser uma guerra justa. Pois, se você crê realmente que está realizando a vontade divina, não há necessidade de contenção –não há necessidade de poupar a mãe gestante, ou o médico, nem mesmo uma pessoa de sua própria fé. Tal visão distorcida da religião não apenas é incompatível com o conceito da paz, mas com a finalidade da fé –pois a grande regra que está no cerne de todas as grandes religiões é que devemos fazer com os outros assim como desejamos que eles façam conosco”.

Destacando:“Se você crê que age por inspiração divina, não há contenção possível”.

Trata-se de um aceno, ainda que tímido, à secularização e – quem sabe – ao conceito de Christopher Hitchens de que a religião envenena tudo. (apoiado nos pilares de que a religião falseia a origem do homem e do universo; demanda uma repressão além do razoável da natureza humana, incita a violência e a submissão cega à autoridades e é hostil ao pensamento livre)

Apenas por essa frase, o discurso já torna-se uma das peças centrais do século que começa.

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3 Respostas para “Lula Bêbado e Obama Lúcido

  1. O mais tranquilizador na fala de Lula é que ele fala em não escrever um novo livro. Ufa. Já imaginou? O mais assustador da fala de Obama é que ele esqueceu de citar o pior fundamentalismo, o do God Bless America.

  2. Pois é, Nei:
    Li muito sobre a suposta “mediocridade” da fala de Obama.
    Mas, como ateu, lembro que ele foi o primeiro a citar os que não acreditam em Deus no discurso de posse (isso na nação de primeiro mundo mais religiosa do planeta).
    Muitos viram essa parte da fala no Nobel como um cutucão no antecessor, W, que dizia falar com um “Pai Maior”.
    Mas, cá entre nós, ao contrário da briguinha de parque de diversões de FHC e do Sapo Barbudo, eles não precisam disso.
    Sendo ateu, não concordo plenamente com a visão de Hitchens de que uma civilização sem religião seria necessariamente melhor.
    Nós, seres humanos, somos muito bons em inventar pretextos para matar o vizinho e a religião traz, como efeito colateral, consolos nos quais não creio, mas reconheço que não temos nada melhor para oferecer às pessoas.
    De qualquer forma, ser ateu traz uma vantagem: Reconhecemos que não temos nenhuma certeza.
    Os homens bomba têm o benefício confortador de não conviver com nenhuma dúvida.
    Abração, meu irmão de letras
    Renzo

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