Uma História de Terror Estrelando Lula

O relato de César Benjamin, publicado na Folha de São Paulo de 27/11/2009, é tão estarrecedor que só restam duas alternativas para o governo:

  • Negar tudo, como sempre
  • Na eventualidade da presença de testemunhas, alegar que o caso é fruto do “senso de humor” de Nosso Guia.

O curioso é a cortina de silêncio em torno do episódio.

Eu já fiz campanha política com produtoras importantes, ouvi histórias impublicáveis de alguns veteranos, e sobre essa em especial nunca ouvi um pio sequer.

A pergunta que fica é a seguinte: SE ele existiu, Quem é o menino do MEP? Ou ele desapareceu na repressão ou seu silêncio foi comprado. Os registros da época sem dúvida podem dar pistas importantes para o esclarecimento da história.

Claro, a história pode ser falsa.

Mas o que Benjamin teria a ganhar com isso?

Vai a transcrição, sem nenhum comentário metido a engraçadinho, porque isso é uma história de terror:

“…Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: “Você esteve preso, não é Cesinha?” “Estive.” “Quanto tempo?” “Alguns anos…”, desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: “Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta”.

Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de “menino do MEP”, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do “menino”, que frustrara a investida com cotoveladas e socos.

Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o “menino do MEP” nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.

O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.”

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Uma resposta para “Uma História de Terror Estrelando Lula

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