Sinatra em Casa

Dia 26 de Janeiro de 1980 eu estava com Frank Sinatra no Rio de Janeiro.

Não foi um encontro, por assim dizer, íntimo. Comigo estavam mais 169.999 pessoas, em um estádio chamado Maracanã, compondo a maior audiência já reunida para assistir um único artista.

Frank, como sempre, reclamou da imprensa (“eu não vim aqui para falar com os repórteres. Eu vim para cantar para vocês”) e disse que era o momento mais importante de sua vida profissional.

Eu acredito. Sinatra estava visivelmente nervoso, tropeçou em algumas letras, e ainda teve que suportar um ósculo do famoso beijoqueiro.

Ao final, feliz e aliviado, correu por todos os cantos do palco, com um sorriso enorme estampado no rosto.

Mas ainda assim não acredito que cantar no Maracanã lotado fosse uma coisa que ele quisesse fazer toda semana.

Seu palco de preferência, me parece, eram as salas de concerto, com acústica impecável, os salões enfumaçados de cassinos.

Só isso, ver Sinatra em casa (mais precisamente em Nova York), justifica os 300 paus que custam o pacote de 4 CDs e 1 DVD mostrando Frank no lugar que ele avistava de sua cidade natal, Hoboken, em New Jersey.

A química entre ele e a audiência é visível.

Se, como já foi dito, não havia nenhum Sinatra melhor do que aquele que subia de smoking nos palcos, talvez não haja nenhum outro melhor do que o que fez isso no mid Manhattan.

Seu filho, Sinatra Jr., cuja mão apertei em 5 de Agosto de 2008, escreveu no livreto que acompanha o pacote que, quando está em Nova York e passa da meia noite, sempre que  olha pela janela para as ruas desertas, ele espera ver o vulto de um homem de chapéu, iluminado apenas pela chama de um cigarro, caminhando mais uma vez pelo lugar que ele chamava de casa. “Bem que eu queria” finaliza ele.

Resta o consolo de saber que podemos ouvi-lo na nossa casa. E na dele.

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3 Respostas para “Sinatra em Casa

  1. Boa Renzo!
    Amigo, apesar do show no maraca, prefiro aos shows do Frank (quase 77 anos!) que você assistiu nos EUA e nos conta (no livro “Sinatra – O Homem e a Música”) brilhantemente a saga de São paulo a Las vegas e a correria entre aviões e aeroportos para assistí-lo.
    Quanto ao Frank Jr., tive a oportunidade de conhecê-lo no Rio de Janeiro. Nós éramos um pequeno grupo de fãs (do pai) que estavam esperando para cumprimentá-lo, quando, de repente, surge do nada uns BBBs e atores globais tentando furar a fila. Ele não gostou (até porque ele nunca ouviu falar naquele povo – é acostumado com astros de Hollywood, bem mais interessantes). Ele deu muito mais atenção aos fãs.
    É isso…
    Grande abraço,

    Sávio

    • Grande Sávio:
      Quase arrumei um divórcio quando comprei a caixa, mas no final minha mulher acabou entendendo que minha ligação com o Sinatra é anterior a ela.
      O Sinatra, Jr. : eu tinha lido na Esquire que ele era um cara frio, ultra reservado, complicado no relacionamento pessoal.
      Claro, não dá para avaliar o cara em um encontro de 5 minutos, mas minha impressão bate com a tua: um cara simpático, atento ao público, um grande músico ( tocava a orquestra do pai nos anos mais díficeis de Sinatra como artista, esquecendo letras, atropelando a afinação e ele mantendo a cavalaria a postos) e um cantor muito competente.
      E está aí, mantendo a chama acesa, o que para nós, na ausência do pai, tem um grande mérito.
      Abração
      Renzo

  2. Tudo bem Renzo? Sou Roberto Carvalho, amigo de Sávio aqui de Fortaleza e fã assim como ele de Sinatra.Já conhecia esse seu espaço, pois quem gosta de coisas boas e principalmente de Albert, com certeza aprecia seu belo trabalho inclussive suas obras. Quanto a Sinatra e seu filho, a primeira vez que ouvi Jr. quase não acreditei, com sua voz muito parecida com o barítono perfeito de seu pai e tornei-me fã também de Sinatra Jr.

    Renzo, ví todos os tópicos relacionados aqui a Sinatra e todos muito legais, só não gostei muito de um video que mostra um “Sinatra” batendo nas pessoas para que concordem com ele, um video de muito mau gosto e que não condiz com a beleza de Sinatra e seu trabalho…Se permitir-me serei cativo agora tambem de seu blog, mas acostume-se,rs.. sou muito sincero e crítico, mas só frequento lugares que admiro e toda a crítica que faço é para o bem, para a melhora do trabalho, pelo menos no MEU PONTO DE VISTA..abraços..Roberto

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