Grandes Malucos da Humanidade – 2 – Jânio Quadros

Continuando a série grandes malucos da humanidade, iniciada com o ator Gary Busey, segue um com o qual encontrei pessoalmente: Jânio Quadros.

O ano era 1982 e eu era estudante da Cásper Líbero, que organizou um debate com os candidatos ao posto de Governador de São Paulo.

Os debates eram realizados no cine Gazeta, que é parte da fundação.

Por lá passaram diversos políticos, desde Tancredo Neves (a figura menos carismática do planeta – perto dele José Serra é uma mistura de Chacrinha com George Clooney) até Franco Montoro, passando por Ulysses Guimarães.

Chega o dia de Jânio Quadros – imagine em uma faculdade claramente de esquerda, de oposição ao regime ditatorial –  que dava os últimos suspiros, para morrer ingloriamente três anos depois – a aparição de uma figura polêmica como a do ex-presidente…

Entra no auditório Jânio Quadros, o homem que renunciou à presidência e jogou o país na mão dos militares, o conservador puritano.

Tão logo colocou os pés no palco, foi recepcionado com uma vaia ensurdecedora.

Sentou-se como se não fosse com ele.

Quando o ruído baixou um pouco, tomou o microfone nas mãos e disse:

“Senhores: Ouçam-me. Vaiem ao depois”.

O auditório sossegou.

O que veio depois foi uma das mais impressionantes seduções que já testemunhei.

Jânio lembrou que foi o homem que condecorou Che Guevara (a estudantada, obviamente, vibrou).

No final, contou a história de um general que foi queixar-se ao Presidente Lincoln de um militar que bebia demais.

Lincoln lembrou todas as vitórias alcançadas pelo militar alcoólatra e disse ao general queixoso: “Descubram o que tem na bebida dele e deem para toda a tropa”.

Saiu aplaudidíssimo.

Se bobear, uma boa parte daqueles barbudinhos de passeata acabou votando nele.

Não, eu não fui um deles.

Mas tenho que reconhecer que,  com um microfone na mão, O doido era irresistível.

Mais uma do Jânio.

Ele encontra-se com Fernando Collor em Londres, antes de ele ser eleito presidente.

Diz que Collor é muito novo para ser presidente.

“Quantos anos você tem, Fernando?”

Collor responde que tem 38, mas fará 40 no ano da eleição.

Jânio, teatral, abre os braços: “Muito novo!! Muito novo!!”

Collor, para tentar argumentar, diz que o próprio Jânio foi presidente muito jovem.

Jânio dá aquele olhar de Groucho Marx, parece enfurecido, derruba o vinho que estava tomando e dá um tapa na mesa, gritando: “E deu na merda que deu!!!”

2 Respostas para “Grandes Malucos da Humanidade – 2 – Jânio Quadros

  1. Renzo, você viu a atualização do meu blog sobre a “versão russa” de Comando para Matar? Fica como sugestão para seu próximo livro: as versões “não-oficiais” de filmes conhecidos, tipo o Star Wars turco e o Titanic nigeriano.

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