Carma, alguém?

Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen matava. E era excepcionalmente bom no que fazia. Na Primeira Guerra Mundial, von Richthofen venceu 80 combates aéreos e tornou-se uma lenda ao juntar-se ao grupo de elite Jagdstaffel (“grupo de caça”). Com o apelido de “Barão Vermelho”, ele é até hoje considerado o ás dos ases da aviação militar.

Para um herói, sua morte foi banal: um tiro a longa distância disparado do solo por um soldado australiano chamado S. Evans.

Só para ficar na mesma família, leio “O Quinto Mandamento”, de Ilana Casoy, sobre o crime que matou outro Manfred Albert von Richthofen ( e sua esposa, Marísia). O livro não é tão bom: faltou estrutura psicológica para a narrativa, entender a vida pregressa das vítimas e dos assassinos, sua história, pistas que pudessem antecipar o assassinato.

Na falta disso, Casoy mergulhou na investigação e nas pistas que a filha do casal, Suzane, e os irmãos Cravinhos deixaram ao longo do caminho, focando no assassinato e na investigação.

Nenhum crime começa no dia em que é praticado – e a falta dessa “arquitetura” da tragédia é a maior falha do livro.

Do que é possível entender, Manfred aparentemente não era um pai de televisão, carinhoso, parceiro. Seu outro filho, Andreas, também não aparece no livro como um órfão inconsolável. “Já era, acabou” é o que o garoto responde quando a empregada do casal pergunta como ele estava enfrentando a tragédia.

Mas o destaque do livro é Suzane. Fria, controlada, disposta a jogar o crime nas costas do irmão do namorado tão logo a oportunidade se apresenta.

Na reconstituição do crime, enquanto os irmãos Cravinhos desmoronavam na frente da polícia, ela atuava mecanicamente, sem o menor indício de emoção, limitando-se a cumprir as ordens dos peritos.

O livro de Casoy não deixa dúvidas sobre quem vestia as calças no trio desastrado de assassinos: Suzane, que pode não ter herdado a capacidade de planejamento do tio aviador, mas certamente herdou cada gota do sangue frio do Barão Vermelho.

Para você que acredita em carma: A mansão Richthofen , localizada  em 7020 E. 12th Avenue, Denver, construída pelo  Barão Walter von Richthofen em 1877 (bem antes que o sobrinho dele virasse o Barão Vermelho) é tida como um dos endereços mais mal assombrados dos EUA.

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4 Respostas para “Carma, alguém?

  1. Vou te ser sincero, esse tipo de “necrofilia midiática” me dá nos nervos. Nunca li os “papas” do jornalismo literário, como o Gay Talese que você citou em postagens anteriores, e estou em falta com o Nelson Rodrigues, mas a abordagem que se faz desses crimes deveria ser feita por alguém que realmente parece “gostar” do assunto. Já, já sai algo sobre a menina Eloá ou a menina Isabella feito de maneira tão mesquinha e pornografica quanto a imprensa comum. Aliás, de Isabella ia ter um, mas a mãe entrou na justiça proibindo. Talvez seja o melhor mesmo.

    • Luiz:
      O modelo alegado pela Casoy para o livro é o clássico “À Sangue Frio”, do Capote. Claro, entre o modelo e a intenção ficou uma distância considerável.
      O grande problema, na minha opinião, é o talento.
      Se vc tem, pode escrever sobre crime, sobre corrida de cavalos (como o Hunter Thompson), sobre qualquer assunto.
      Se você não tem, o assunto mais fascinante do mundo não é suficiente para segurar o leitor.
      Abração
      Renzo

  2. Querido Renzo,
    Não entendo muito de carma (minha mulher é espírita, depois vou perguntá-la sobre o tema). Mas essa menina deve ter o Capiroto no corpo. Quanto ao talento, você disse tudo:
    Dê a orquestra de Tommy Dorsey a um Zé Mané de crooner que vai acontecer uma desgraça.

    Grande abraço.

    • Grande Sávio:
      Eu tenho esse pesadelo recorrente: Tenho uma filha lésbica e ela começa a namorar a Suzane…
      Abração
      Renzo

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