Bem, Ela Pode

Barbra Streisand não é exatamente a mulher mais fácil do planeta.

Quando colocou a voz no álbum Duets, com Francis Albert Sinatra, ela incluiu um improviso, cantando “You  make me blush, Francis!” (Você me faz corar, Francis), um auto-elogio que obrigou o veterano cantor a regravar a frase anterior, mudando-a para “Yes, I have got a crush, my Barbra, on you!” (Ou seja: “Sim, eu tenho uma queda, minha Barbra, por você). Para não atrasar o lançamento do álbum, Sinatra colocou a frase em um gravador digital no camarim, antes de um de seus shows em Chicago. Ela também obrigou os arranjadores a alterarem o final do dueto, para ficar mais de seu agrado.

No álbum “Love Like Ours” ela quis gravar a canção “Começar de Novo” de Ivan Lins. Mas a letra adaptada (The Island) não estava de seu agrado, o que obrigou os letristas Alan e Marilyn Bergman a reverem o trabalho que já havia sido gravado, entre outros, por Sarah Vaughan (Faça um favor para você mesmo e ignore as imagens do cafonérrimo clipe amador que acompanha a canção abaixo)

Bem, como disse Ruy Castro, Barbra não tem nenhum inimigo – em compensação nenhum de seus amigos gosta dela.

Mas esta avaliação negativa de Barbra deixa de lado um pequeno detalhe que vale a pena observar: a mulher é uma das maiores cantoras que já surgiram em qualquer lugar do mundo.

Já falei de seu álbum com o quarteto

de Diana Krall, Love Is The Answer. Agora o ouço por inteiro e é a melhor coisa que ela já gravou na vida.

Barbra pode ser o que os americanos chamam afetuosamente de “a Bitch” ( que não quer dizer piranha, e sim mulher mandona).

Mas ela conquistou o direito de ser insuportável cada vez que se colocou na frente de um microfone – e mais do que nunca neste álbum.

Ah, sim, existem duas versões do álbum – uma simples, só com o quarteto de Diana Krall e outra com o quarteto e orquestra arranjada e conduzida por Johnny Mandel.

O segundo, sem orquestra, é a razão para ter o disco em casa.

2 Respostas para “Bem, Ela Pode

  1. Nao deveria ser assim, mas a experiência mostra que o talento, que torna suportável a vida no planeta hostil, é insuportável de se aturar. Ninguém aguenta o Outro fazendo coisas de gênio. O normal é quererem a jugular do escolhido. Para se defender, o talento chuta o balde. Isso ás vezes. Tem casos estranhos, como a de Barbra. Uma grande cantora que desenvolveu bastante sua vocacâo de bitch (aqui traduzimos por vaca, não?). Eu não gosto pela infinidade de clones que gerou. Ela marcou o nosso tempo. O resultado são milhões de pops espichando as frases musicais até a insânia. Ou pirei? Não entendo nada de nada.

    • Grande Nei:
      Mais uma razão para ouvir esse CD. A mulher está contida, alinhada com a sutileza do piano da Diana Krall.
      Here’s To Life, que ouvi originalmente com a imbatível Shirley Horn, está espetacular.
      Barbra está com 67 anos assumidos.
      Acho que finalmente domou a fera, ou seja, tem a voz e agora sabe que não precisa usar tudo para passar a mensagem.
      Agora, Celine Dion e outras filhas espúrias da Barbra merecem a forca, sem dúvida alguma.
      Renzo

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