Se acaso você chegasse…

“O Andar do Bêbado”, de Leonard Mlodinow, ao contrário do que o título sugere, não é sobre a longa jornada de Nosso Guia, Luis Inácio, até o Palácio do Planalto.

Trata de um assunto chatérrimo: A importância da aleatoriedade em nossas vidas. Por sinal, o título fala dos trajetos das moléculas que flutuam no espaço. Como é que eu, que não sei nem a tabuada do 7, pude me interessar por isso? Simples: O assunto é chato mas o livro é fascinante. Grandes executivos, grandes técnicos de futebol, grandes políticos, grandes produtores de Hollywood – todos eles estão sujeitos à mesma aleatoriedade, suas fórmulas de sucesso, que fazem seus passes valerem milhões de dólares, entram em marés de azar que tornam suas decisões inúteis contra a força do acaso. Claro que Mlodinow não foi o primeiro a perceber isso. Foi um dos primeiros a abordar cientificamente o assunto, quantificar e ordenar, mas duas frases do meu livro “Cinema Falado” mostram que muita gente já pensava assim:

O homem que disse “Eu prefiro ter sorte do que ser bom” viu a vida com profundidade. As pessoas tem medo de encarar o quanto a vida depende da sorte. Dá medo pensar em quanta coisa está fora de nosso controle. Há momentos em uma partida de tênis em que a bola bate em cima da rede, e, em uma fração de segundo, ela pode ir para frente ou para trás. Com um pouco de sorte, ela vai para frente e você ganha. Ou talvez não vá, e aí você perde.

Jonathan Rhys Meyers, no melhor Woody Allen dos últimos anos. Match Point – Ponto Final, 2005

Destino é uma coisa que nós inventamos porque não suportamos o fato de que tudo que acontece é acidental

Meg Ryan

Sintonia do Amor, 1993

Falando de filmes e livros, O Andar do Bêbado trata de um assunto fascinante: Em um programa de auditório existem três portas. Só uma delas contém o prêmio.
Você escolhe a porta 1. O apresentador – que sabe onde está o prêmio – abre a porta 3 para te mostrar que o prêmio não está lá e pergunta se você quer mudar a escolha.
Pois bem, a estatística prova que mudar sua escolha para a porta 2 aumenta suas chances de ganhar o prêmio.
Esta cena foi repetida no filme “Quebrando a Banca”.

O livro de Ben Mezrich que inspirou o filme é genial. Uma reportagem sobre a história real de um estudante do MIT que, com outros cinco gênios da matemática, aplicou um dos maiores golpes da história de Las Vegas, ganhando milhões em jogos de 21 pela cálculo das probabilidades.
O livro gerou um filme péssimo dirigido por Robert Luketic e estrelando Kevin Spacey e Laurence Fishburne, que não tem nada a ver com o livro. Leia o livro e fuja do filme.

Leia também “O Andar do Bêbado”. Nem que seja para ficar mais humilde.

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2 Respostas para “Se acaso você chegasse…

  1. Renzo, magnifico post. Vi os três filmes e não li os livros, mas fiquei tentado. Match Point é ótimo. Woody Allen, sempre. E que te parece o Tom Hanks? E o seriado Seinfeld, que vai ter um up-grade rápido (cinco episódios) na série do Larry David, “Segure seu entusiasmo”? Pergunto por curiosidade. Queria saber tua opinião sobre esses dois fenômenos da mass media. Assim como vejo tudo da Natalie Wood (Splendor in the grass!), vejo tudo do Tom Hanks (até Náufrago, aquele release ótimo do Fedex). E houve época em que via o Seinfeld na TV a cabo duas vezes por dia.

  2. Grande Nei:
    Como sempre, estamos alinhados.
    O Seinfeld é grande. As lições em cada episódio (“sabe o cara que não leva livros para o avião? É o cara que vai querer conversar com você a viagem toda”)…
    O Tom Hanks tem uma coisa dos grandes atores: desaparece nas personagens. Mas tem outra categoria, os Peréios, que em todos os personagens estão interpretando eles mesmos.
    O Samuel L. Jackson disse uma vez: “Eu sempre interpreto a mim mesmo pq sou mais interessante que as personagens”.
    É por isso que um filme ruim com o Tom Hanks afunda (Joe contra o vulcão)e um filme ruim com o Peréio sobrevive.
    Mas Hanks é muito bom – e corajoso também (Filadélfia, p.e.)
    Abração

    Renzo

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