As paixões que movem os fãs de Eliot

De: José Carlos
Para: Poeta Almeida de Almeida

Prezado poeta: Li, comovido, sua tradução de “A Terra Devastada” , de nosso idolatrado T.S. Eliot. Trata-se da mais bela e sensível tradução de um poema que já experimentei em minha existência. Ouso, entretanto, fazer duas observações. Creio que “A Terra Exaurida” traduz melhor o sentido de “The Waste Land”.
Mais do que isso, no trecho onde se lê:
“Abril é o mês mais cruel, gera
Lilases da terra morta, mistura
A memória e o desejo, agita
Raízes dormentes com chuva da Primavera.”
Aqui para nós, nos trópicos, a primavera começa em Setembro. Não seria o caso de adaptarmos para “Agosto é o mês mais cruel”?
Respeitosamente,
José Carlos
Prezado José Carlos:
Entendo sua necessidade de interferir com um trabalho exaustivo como o que realizei, mas cabe colocar que alguns nascem com a habilidade de fazer e traduzir poesia, outros para ler.
Atenciosamente
Poeta Almeida de Almeida
Almeida:
Seu pretensioso do caralho. Tua tradução não é tão grande coisa assim. A gente quer ajudar e vem um palhaço como você desdenhar de colaboração.
Vai tomar no cu.
José Carlos
Zézinho:
Terra exaurida para mim é a genitália da senhora sua mãe, que abastava na zona do meretrício onde exercia sua profissão. Foi lá que você aprendeu inglês, ajudando marinheiros estrangeiros a usufruir dos serviços da velha?
Poeta Almeida de Almeida

Almerda:
Não. Foi comendo o teu pai que fazia chupetinha quando dava aula de inglês para os alunos. Deve ter sido com ele que você aprendeu a traduzir waste…
Zezão

Zézinho:

Nossa!!! Que cruel. Como ABRIL, filho da puta…

Almeida

3 Respostas para “As paixões que movem os fãs de Eliot

  1. Lembro que eu ia lançar meu livro Outubro em outubro. Meu editor, um alemão de dedos grossos, me disse o seguinte um belo dia: “Nao vai dar para aprontar para outubro, vamos mudar o título para Novembro”. O pior foi aturar os olhos semi-cerrados do mímico Antonio Bandeira (que falava para caralho), tomando uma gororoba de tarde, em pleno expediente e me dizendo, num sussurro: “Gostei muito do teu livro, Outono…”. E se quedava mirando o imaginário horizonte. Duvido que o abril primaveril do norte seja mais cruel do que isso.

  2. Pior, Nei, é quando a gente lança livro e não aparece ninguém. Fica o editor te olhando com pena, os poucos amigos constrangidos com a obviedade do fracasso, o garçon olhando para o relógio.
    Mas a presença do mímico falante no teu caso é uma preciosidade.
    Abração
    Renzo

  3. Num lançamento de livro, você precisa chantagear as pessoas. Ameace-os com demissão, por exemplo, se não comparecerem e comprarem um exemplar. Minta que alguma celebridade vai estar presente. Minta que o vinho foi doado pelo teu tio milionário. Ligue pessoalmente para umas cinquenta pessoas e diga que vai passar lá para pegá-los (desdeque ninguém desconfie que você marcou com todos). Depois, convoque alguém para, em cima do laço, dizer que você teve um imprevisto e espera no evento. Isso firma o compromisso. Para os recalcitrantes, os que dão os parabéns por e-mail e dizem que não vão comparecer, envie o Cabo Adão para um particular. O Cabo Adão resolve.

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