Quem é o Gato de Bico?

De todas as questões ligadas ao direito familiar, poucas são tão polêmicas quanto a partilha de crianças entre casais formados por dois… bem, amigos íntimos, do mesmo sexo, aventureiros, solteirões convictos (como parte da imprensa os chama).

Para tratar desse tema sempre controverso, é preciso um advogado sem medo do preconceito, disposto a se aventurar para além da fria letra da lei.

É preciso alguém como Harvey Birdman, o Homem Pássaro.

Esta magnífica série de TV trouxe o mundo dos tribunais para o universo hannabarberiano com uma intensidade poucas vezes vista.

Harvey tenta estabelecer a lei apesar da perseguição do chefe do escritório, o paranoico Phil Ken Sebben (reencarnação do Falcão Sete da antiga série do Homem Pássaro), pouco colaborativo e que faz questão de ignorar as contribuições de Harvey para o avanço do negócio.

Sim, é fato que Harvey não passa 24 horas por dia trabalhando – como atesta o vídeo a seguir –  mas quem de nós o faz?

Quando o Homem Pássaro surgiu, no longínquo ano de 1967, criado por Alex Toth e produzido pelos estúdios de Hanna-Barbera, ele era um homem comum abençoado com poderes supranaturais pelo deus-sol Rá (ou por Thomas Green Morton, o paranormal brasileiro. A única certeza é que a palavra Rá estava envolvida).

O fato dele ter conquistado o diploma de direito (Harvey, não o Thomas Green) permanence envolto em brumas de mistério.
O Homem Pássaro tinha como grande vantagem competitiva o poder de emitir raios solares e trabalhava para uma agência governamental, a Inter-Nation Security.

O pássaro “Vingador”, que já era seu parceiro naqueles tempos, não o abandonou e  atua como secretário de Harvey, embora suas contribuições para o trabalho sejam, de forma geral, extremamente pobres e sua datilografia um tanto precária.

Em meio a este turbilhão de dificuldades, Harvey avança na defesa da lei e da ordem, não mais usando os raios solares, mas a legislação e a oratório nos tribunais.

Talvez a palavra seja mais forte que a espada, mas perde feio para os raios solares – como Harvey vem aprendendo…

Sobre o Homem Pássaro, a crítica Pauline Kael escreveu na revista The New Yorker que seus desenhos como advogado eram o equivalente cultural à estreia de “Sacre du Printemps,” de Stravinsky, em 1913 (na verdade, pode ser que ela tenha dito isso de “O Último Tango em Paris” – prometo checar oportunamente)

“Dura lex, sed lex, na caceta só Jontex” comentou o rábula alado para uma colega de profissão

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