“Chuck” Barris – Terrorista Cultural

Se você assistiu  “Confissões de uma Mente Perigosa”  sabe quem é ele (e, se não viu, vá correndo atrás, porque  é genial. Rodado em 2002, o filme tem direção de George Clooney e traz Sam Rockwell no papel principal).
Sem querer estragar o prazer de quem for assistir, a cena final, com depoimento do próprio Barris, é um dos finais mais niilistas e amargos que já vi.

Chuck Barris, apresentador e produtor de TV, foi o criador de alguns dos shows mais escrotos já levados ao ar na telinha (e que depois eram descaradamente copiados por Silvio Santos aqui no Bananão), como o Gong Show (programa de calouros) ou o The Newlywed Game, no qual casais recém casados tinham que responder perguntas iguais para testar o quanto se conheciam.
Foi nesse programa, aliás, que ocorreu um incidente que entrou para a história da TV.
O apresentador pergunta a um casal qual o lugar mais estranho onde eles já fizeram amor.
O marido escreve a resposta no cartão (“No carro”) e espera a esposa responder. Se ela disser a mesma coisa que ele escreveu, ambos ganham pontos.
A esposa pensa um pouco, reflete e finalmente responde: “no cu”

Vai aí a cena real:

Charles Hirsch “Chuck” Barris (nascido em 3 de Junho de 1929) escreveu uma biografia (a base do filme de  Clooney) contando que além das atividades na área de entretenimento, era um assassino profissional para a CIA, responsável por 33 mortes.
Bem, quem conhece o mundo da TV sabe que um produtor é capaz de qualquer coisa, mas, nesse caso em especial, a CIA desmentiu que Barris tenha trabalhado para eles. (Paul Nowack, porta voz da agência de Inteligência, classificou as informações de “ridículas e não verdadeiras”).
O fato de Barris escrever uma autobiografia falsa só faz dele um artista ainda mais admirável e revolucionário. Hoje em dia, com a popularização da Operação Mindfuck, baseada na contra-informação, na farsa, no vandalismo e na arte de guerrilha, Barris pode ganhar a respeitabilidade que nunca alcançou na TV, como terrorista cultural.
Tudo isso para mostrar esse clipe, com um dos quadros mais famosos do Gong Show.

Preste atenção na menina de azul, que parece realmente saber o que está fazendo.

Neste outro segmento, Peter Lawford, já em fim de carreira e separado da irmã de John Kennedy, assiste impassível (além de provavelmente bêbado) um inacreditável quadro sobre uma caixa que devora a candidata. Péssimo dia para tomar gin no café da manhã, deve ter pensado o decadente galã.

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