Mais que só uma carinha bonitinha

Como vocês estão cansados de saber, o sistema de Stanislavski (e não o “método”, que era ensinado por Lee Strasberg no Actors Studio) se baseia na interpretação de que o ator deve “viver o papel”, mas mantendo um distanciamento da entrega absoluta – ou seja, deve se descolar da personagem, ainda que demonstre suas emoções.

Diferente de Brecht, que exigia o distanciamento da platéia (“distanciamento, e não paixão” era seu lema) para que a peça pudesse acordar a mente do espectador a fim de comunicar sua versão da realidade, então os atores deviam demonstrar que estavam no palco, e não na vida real.

Imagine você explicando uma porra dessas para o Charles Bronson.

Bronson entrou no teatro porque queria grana, como demonstrou em suas frases famosas, tais como:

“Atuar é a coisa mais fácil que eu já fiz. Talvez por isso eu tenha ficado no ramo.”

“Não faço filmes para críticos porque eles entram de graça no cinema”.

Durante as filmagens, Bronson ficava quieto e ouvia as orientações do diretor. Só. Depois ia lá e fazia a cena (talvez por isso Sérgio Leone o considerasse o maior ator com que já trabalhou. Imagine Leone com Marlon Brando, perguntando o tempo todo qual a motivação da personagem…).

Uma vez deu um esculacho em Otávio Mesquita – o adorável apresentador pediu uma mensagem para o Bananão e Bronson respondeu “O que é Brasil?”

Um cara que faz Desejo de Matar,4 continuações, dá um esporro no Otávio Mesquita e não sabe o que é o Brasil merece ficar para sempre no panteão dos deuses.

Sou capaz de apostar que se ele ressuscitasse, seu primeiro ato seria dar um cacete no Vin Diesel.

Descansa em paz, Il Brutto.

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4 Respostas para “Mais que só uma carinha bonitinha

  1. Pingback: Aprenda a Ser Macho « Renzo Mora

  2. Esclarecedor. Sempre misturei os dois. Li Stanislavski mas esqueci. Guardei o Brecht, mas confundi com o “método”. Atuei (!) numa montagem do Teatro de Arena de Porto Alegre, A Irresistível Ascensão do Arturo Uí. Achei tão traumática a experiência que apelidei de Arturo Ui. Me distanciei do ofício. Não dava certo, eu confundia as falas, deixando os veteranos de palco enlouquecidos. Deveria ter feito como o Charle Bronson. Mas nunca dispus dessa cara medonha de quem pergunta se Brasil é de comer.

    • Nei:
      Mas nem por isso devemos nos furtar ao dever patriótico de esculhambar o Otávio Mesquita se a ocasião se apresentar.
      Abraços

      Renzo

  3. Pingback: Charles Bronson Mata o Futuro da Fotografia « Renzo Mora

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