Um capítulo completo do livro “Fica Frio! Uma Breve História do Cool”

Este capítulo (resumido e adaptado para a net) fala sobre John Holmes – e talvez seja a matéria mais ampla sobre a história do homem já publicada no Brasil.
A ilustração é de Almir Roberto, também responsável pela capa.
Espero que vocês gostem – e, principalmente, comprem o livro.
Um episódio lembrado pelo escritor Will Friedwald: Um estudante trouxe até o poeta americano Robert Frost um caderno com seus versos, uma carta de apresentação e apresentou-se como poeta. Frost respondeu: “Poeta é uma palavra dada, filho. Você não pode se auto-proclamar poeta”.
Com o cool é a mesma coisa: Você pode ser percebido como cool, nunca conscientemente tentar parecer ou se declarar cool.
Na indústria do entretenimento, ser visto como cool tem mais valor do que um Oscar ou um Grammy – é só ver o número de premiados que desaparecem logo depois de levar um destes prêmios para casa.
Os marketeiros ainda não inventaram um método eficaz para forjar o cool – e forçar a barra só consegue produzir resultados desastrosos.
O grande problema está na definição do que é ser cool e na complexidade das características que se cruzam e interligam para produzir a percepção de coolness.
Cool, como gíria, vem sobrevivendo há mais de 70 anos.
Ela começou a ser usada pelos negros norte-americanos no início da década de 30 e ganhou popularidade na Segunda Guerra Mundial, com o auxílio luxuoso dos músicos de jazz.
Ao longo do tempo, expressões como bully, capital, hot, groovy, hep, crazy, nervous, far-out, rad e tubular tentaram substituí-la e morreram tão rapidamente quanto apareceram, enquanto o cool atravessa o século com invejável saúde e disposição.
Mas o que significa o cool hoje em dia?
O ator pornô John Holmes, por exemplo, era tão absurdamente cool que o crítico de cinema Sam McAbee chegou a qualificá-lo como uma mistura de Shaft com Bruce Lee.

Se as estatísticas estiverem corretas, o pênis do leitor (ou do companheiro mais freqüente da leitora) deve medir cerca de 15 cm quando ereto.
Tudo bem. Pode ir medir. Eu não estou com pressa.
John Holmes, o – em mais de um sentido – maior ator pornô de todos os tempos tinha um membro que, quando animado, alcançava 33 centímetros.
Para aumentar a humilhação do leitor comum, o mesmo funcionava eficiente e regularmente, como puderam comprovar as cerca de 3 mil pessoas – de todos os sexos – que tiveram contato com o dito cujo.
Biologia é destino, cansava de lembrar o grande Paulo Francis.
Não fosse por esse detalhe anatômico, talvez Holmes, que completaria 60 anos em 2004, estivesse aposentado da carreira de motorista de ambulâncias, ainda ao lado da enfermeirinha virgem com quem casou aos 21 anos – e se não fosse sua carreira cinematográfica as vizinhas nunca teriam adivinhado a razão do sorriso de superioridade que, imagino, estampasse diariamente o rosto da Sra. Holmes.
Mas o destino o pôs no lugar certo, na hora certa e com o tamanho certo.
Após uma série de batalhas legais, no início dos anos 70 o pornô tinha finalmente chegado aos cinemas públicos – em 1972 “Garganta Profunda” arrecadou milhões e provocou um impacto cultural tão forte que acabou batizando o informante anônimo do caso Watergate.
Assistir “Deep Throat” tornou-se uma espécie de obrigação social, cunhando o termo “pornô chic”.
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O ensaísta Christopher Hitchens coloca o filme entre as principais razões que tornaram a felação “tão americana quanto torta de maçã”, complementando “Dick Cavett declarou que nós fomos de olhar para uma marquise onde está escrito Garganta Profunda e torcer para aquilo não querer dizer o que nós achamos que diz para “garotos que nem sequer consideram (a felação) como sexo de verdade”
Entre os espectadores que formaram filas na porta dos cinemas, estavam nomes como o do escritor Truman Capote, o apresentador de talk shows Johnny Carson e o diretor Mike Nichols.
O vice-presidente norte-americano Spiro Agnew assistiu à uma exibição privada na casa de Frank Sinatra em Palm Springs.
Sammy Davis Jr. fechou o cinema Pussycat em uma sessão fechada para amigos como Shirley MacLaine, Lucille Ball, Steve Lawrence e Edie Gourme. O Trio Los Panchos Não Foi Convidado.
Ou seja – Holmes surge no cenário exatamente quando o pornô começa a virar cool.
Com a explosão do gênero, houve uma corrida para produzir novos filmes e Holmes rapidamente foi descoberto.
Sobre o momento de sua revelação, o autor Mike Sager conta em seu
livro Scary Monsters and Super Freaks: “… Holmes estava perdido de emprego…
…em emprego, tentando encontrar seu espaço. Ele tinha deixado a direção
de ambulâncias… e tinha vendido sapatos, móveis… havia trabalhado em
um frigorífico até que seus pulmões entrassem em colapso por causa do
freezer. Havia pouco, ele tinha começado a treinar para se tornar segurança
uniformizado.
Sem que Sharon soubesse, Holmes tinha começado no mundo pornô,
depois do encontro com um fotógrafo profissional chamado Joel (Sussman)
no banheiro de uma casa de pôquer em Gardina… Ao chegar mais cedo do
trabalho, Sharon deixou sua bolsa no vestíbulo de seu apartamento de um
dormitório em Glendale. A porta estava aberta. Dentro dele, estava seu marido,
John. Ele tinha uma fita métrica em uma mão e o pênis em outra.
“O que você está fazendo?”, ela perguntou.
“O que parece que eu estou fazendo?”
“Tem alguma coisa errada? Você está com medo de que ele esteja
encolhendo e morrendo?”, ela perguntou, rindo.
“Não, só estou curioso”, disse Holmes.
Sharon foi para o quarto, deitou-se e começou a ler uma revista. Vinte
minutos depois ele entrou no quarto, com o membro completamente ereto.
“É incrível”, disse John.
“O quê?”
“Ele vai de cinco polegadas para dez. Dez polegadas de comprimento.
Quatro polegadas de diâmetro.”
“Isso é ótimo”, disse Sharon, virando a página da revista. “Você quer
que eu chame a imprensa?…”
Santo de casa não faz milagres mesmo – ou talvez Sharon, que casara
virgem, achasse que aquilo que tinha em casa era trivial. Acho que foi Mia
Farrow que disse que na infância imaginava que ser pobre era não ter piscina
em casa. Sharon talvez vivesse na mesma concha de seu mundinho privilegiado.
Com US$ 750,00 e apenas uma diária de filmagem, o diretor e roteirista
Bob Chinn produziu um filme estrelando o novo astro no papel do detetive
noir Johnny Wadd, uma mistura de
Philip Marlowe…

…Sam Spade…

…e o obelisco do Ibirapuera
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, cujo estrondoso sucesso gerou uma série e fez de Holmes,
com seus terninhos apertados de três peças e indefectíveis óculos escuros
Ray Ban, um ícone dos anos 1970 e a quintessência do cool para toda uma geração (além de criar um franquia que, pela relação custo/benefício, foi muito mais lucrativa que a do agente 007).
O produtor pornô Bob Vosse afirmou que Holmes era um cavalheiro no set – “Bem, a sua moda”. Dava presentes para as parceiras de cena, os quais ele mesmo se encarregava de roubar das lojas. As atrizes se apaixonavam por ele, embora ele as esquecesse logo depois do banho que tomava para sair do estúdio.
Uma de suas parceiras, a atriz Bunny Bleu, conta no livro The Other
Hollywood, de Legs McNeil: “John e eu saímos em uma turnê promocional…

Bunny Bleu
…pelo Texas dando autógrafos em lojas de artigos sexuais – e foi realmente
selvagem. As mulheres davam a volta no quarteirão. Elas urinavam nas calças de tão excitadas que ficavam de encontrá-lo. Uma mulher, de fato, foi para casa, se trocou, se limpou, voltou e pediu um autógrafo a ele. Isso é coragem. Eu não acho que gostaria de reencontrar alguém depois de fazer xixi nas calças por causa dele”.
O produtor (e melhor amigo de Holmes) Bill Amerson afirma que a série Wadd inaugurou o star system no gênero em seus primórdios. Ele conta que “uma vez John e eu estávamos no parque Yosemite, pescando, e ficamos sem gasolina. Isso era nos anos 70, quando houve a crise de combustível e você só podia abastecer em dias alternados, dependendo do número da placa.
E aquele não era nosso dia. Quando o rapaz do posto apareceu, John
incorporou o Johnny Wadd – a voz mais grave, a atitude, a postura de
autoridade – como um detetive ou um personagem de Damon Runyon.
E o cara encheu o tanque só porque John assumiu sua porção Johnny
Wadd. As pessoas faziam isso. Ele chegava no embarque do avião e dizia:
‘Eu sou Johnny Wadd…’ e sempre ia de primeira classe.
Ele usava muito esse personagem e, de fato, acreditava que era o próprio.
Ele se tornou Johnny Wadd em sua própria cabeça e começou a achar que nada podia dar errado para ele, que ele podia resolver casos. Ele simplesmente
ficava louco às vezes. Não sei se alucinando, mas, sim, um pouco insano.
Era embaraçoso”.

E então você já viu este filme.
Grana e adulação em excesso acabam levando a um pouco de maconha de vez em quando e, na seqüência, a toneladas de cocaína e valium diárias.
Nos difíceis anos pré-Viagra, o consumo paquidérmico de substâncias não controladas pelo FDA acabou comprometendo o desempenho do astro (parafraseando Gay Talese, Holmes de pau mole é um Picasso sem tinta, uma Ferrari sem gasolina…)
Meio afastado das telas, Holmes buscou fontes alternativas de renda e se aproximou de traficantes – não raro trocando os favores de sua namoradinha Dawn Schiller (então com quinze anos de idade – vide foto abaixo) por mercadorias.
Neste processo ele conheceu uma gangue de traficantes que se reunia em Los Angeles em uma casa na rua Wonderland (ou “País das Maravilhas”, para usar a tradução do título do livro mais conhecido de outro pedófilo – Lewis Carroll, o autor da série Alice.)
A passagem de Holmes pelo mundo de Alice foi traumática.

Encarregado pelos traficantes de transportar uma carga de drogas, ele desapareceu com a encomenda narinas abaixo.
A falta de profissionalismo do performer não deixou felizes os comerciantes, que o obrigaram a surgir com algum tipo de reparação.
Esta veio através da facilitação do acesso à mansão de outro traficante – o libanês Eddie Nash, que poderia passar facilmente por irmão gêmeo do mafioso ítalo-brasileiro Tomasso Buschetta – o que, convenhamos, não chegava a ser uma vantagem para nenhum dos dois. Nash era tão louco que ia ao banheiro, não se limpava e obrigava garotas drogadas a executarem o serviço… com a língua!!!

Eddie Nash – Uma péssima opção para assaltar
Depois de uma visita, Holmes saiu da mansão e deixou a porta aberta para a entrada da carrolliana troupe, que o assaltou e cometeu o erro de deixar o concorrente vivo e um pouco irritado.
Os informantes de Nash rapidamente o levaram até Holmes e este até a sede da organização.
O reencontro entre Nash e os homens que o tinham assaltado não foi bonito. Resultou em um banho de sangue com quatro mortos, espancados com um pedaço de ferro.
Foto Real da Cena de Crime em Wonderland
Para vocês, pervertidos, mais cenas reais do massacre em Wonderland – não recomendado para pessoas sensíveis (embora, pelo que eu saiba, ninguém sensível acessa esse blog)
A impressão da palma da mão de Holmes na parede sobre uma vítimas sugere que ele tenha sido mais que um mero espectador no massacre.
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John Holmes Preso – ainda que por pouco tempo
Mas como nada ficou provado…

Julgamento de John Holmes: Inocente (ou “Não Culpado”, como eles dizem lá em cima)
… Holmes saiu livre da prisão e pronto para um novo relacionamento – desta vez com uma atriz pequena e especialista em sexo anal (aliás, duas características que o bom senso recomendaria manter o máximo de distância do astro) chamada Laurie “Misty Dawn” Rose, que se tornaria sua Segunda e última esposa.

Misty Dawn
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Dawn Schiller, em foto recente
Em busca de novas formas de expressão de sua arte, Holmes fez um filme gay com um ator que pouco tempo depois morreria de AIDS.
Holmes descobriu que estava contaminado em 1986, o que não o impediu de continuar a atuar sem proteção – incluindo um filme em que contracenava com a parlamentar Cicciolina – a coisa mais embaraçosa que já tinha acontecido na política italiana até a eleição de Silvio Berlusconi.

A morte chegou em 13 de Março de 1988, depois de dois anos de ingestão suicida de todas as drogas disponíveis na cidade dos Anjos.
Em uma tentativa meio desastrada de homenageá-lo, a não muito brilhante Laurie declarou: “Saibam que o coração e a alma dele eram muito maior que o seu pau”.
O cool de John Holmes residia na perigosa fronteira da psicopatia – cujas características, segundo o Manual Estatístico e de Diagnóstico de Distúrbios Mentais, incluem o roubo, a mentira, o abuso de álcool e drogas, a incapacidade de lidar com o tédio, a indiferença aos sentimentos alheios…
A existência de um paralelo entre o cool e a psicopatia já tinha sido percebida por Norman Mailer, em um estudo sobre a tribo hipster, datado de 1957,
Norman Mailer, descobridor do “Branco Negro”
quando o fenômeno ainda estava na adolescência (Levantando a perigosa hipótese do psicopata ser apenas um cool hardcore)
Mas estamos nos antecipando.
Para descobrir o que é cool, é preciso investigar suas origens.
PS – Se você quer mais, sugiro comprar o documentário “Wadd: The Life & Times of John C. Holmes”, de 1998, disponível em DVD, dirigido por Wesley Emerson, ganhador do prêmio South By Southwest Film Competition.
Aviso: o documentário é barra pesada, com cenas do crime em Wonderland. Se você esperava uma visão irônica e divertida de Holmes, esse NÃO é o filme para você.
Vai aí o trailer:
O Novo Velho Dean Martin

Dos três cantores do Rat Pack (Francis Albert Sinatra, Samuel George Davis, Jr. e Dino Paul Crocetti) – o último é que apresenta a obra mais irregular.
Isso não acontecia por falta de talento – e sim por mera falta de disposição.
Ao contrário de seus pares, Frank Sinatra e Sammy Davis, Jr., Dean Martin não levava nada a sério – nem sua carreira cinematográfica, nem seus discos.
Suas partidas de golfe eram praticamente a única coisa para que ele ligava na vida – e provavelmente porque ninguém enchia o saco dele cobrando tacadas perfeitas, pontos, liderança em competições e coisas do gênero.
Esta sincera indiferença fez com que eu o colocasse (ao lado de um pistonista chamado Miles Davis, que suponho você conheça) como uma das duas figuras mais cool da história, em meu livro “Fica Frio! Uma Breve História do Cool”.
Se isso afetou a qualidade geral de seu trabalho – e seu estilo é, claramente, o que pior envelheceu dos três – não quer dizer que não seja possível encontrar grandes canções em seu repertório.
Se você quer dar uma chance ao veterano Dean, um CD recém lançado é o lugar para começar.
Amoré, uma coletânea romântica, traz sua dose de cafonices (como a insuportável That’s Amore), mas no geral é um disco delicioso.
E, por outro lado, se você não quiser dar uma chance para Dean, resta um consolo: Ele não ia dar a mínima.
O que, para mim, é mais do que suficiente para reforçar a recomendação.
Dean Canta “Welcome To My World” Enquanto Sinatra sacaneia dos bastidores
(“É o meu mundo!Você Só Vive Nele” diz o Ol’ Blue Eyes).
A canção não está na coletânea, por sinal.
O Sentido da Vida por Laerte Coutinho
Laerte, em seu blog: “Sempre me espanto com essa questão que algumas pessoas fazem de que as histórias tenham “sentido”.
Nunca consegui entender qual era exatamente o sentido desse sentido.
Moral, filosófico, algum tipo de lição de vida?
Algo que nos “acrescenta” – como se fôssemos porquinhos com uma fenda às costas?
Faço histórias para crescer, não para acrescentar.”
Um pouco da arte do mestre – e de dois caras igualmente talentosos – Allan Sieber e a tira que menciono no meu livro “Fica Frio! Uma Breve História do Cool”, na qual ele explica a inexplicável profissão de cool hunter, além do story board que Edson Aran fez para o filme contando a vida de nosso racista de plantão.
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Lê aí, Por favor
Depois de publicar a lista da Playboy dos livros que todo homem deve ler (que chamei de “Lê aí se for Macho”); uma seleção de livros que ninguém julga obrigatórios, mas que este que vos fala ficaria muito feliz se você lesse…
Cinema Falado – As melhores e piores frases do cinema de todos os tempos.
Meu primeiro livro, que vai ser relançado agora no primeiro semestre de 2009.

Sinatra – O Homem e a Música.
Como você deve ter adivinhado, nele eu falo do Sinatra

Fica Frio – Uma Breve História do Cool
Meu mais recente livro publicado.

Todos, por coincidência, escritos por Renzo Mora
A biografia de um Escroto: Sean Penn

Já falei para vocês da Dickipedia, enciclopédia reunindo as pessoas mais escrotas do planeta.
Seguem aí uns pedaços do capítulo dedicado a um dos reis da matéria, o primeiro e único Sean Penn – que por sinal eu já tinha classificado em meu livro “Fica Frio! Uma Breve História do Cool” como um dos símbolos de tudo aquilo que não é ser cool.
A carreira de Sean Penn já alcançou três décadas – o que não está ruim para alguém cuja principal ocupação, antes de Carlito’s Way (O Pagamento Final), consistia em espancar fotógrafos
Frequentemente, sua atuação tem sido descrita como uma usina de energia. Sean Penn é conhecido por sua intensidade e falta de humor. Ele já foi um drogado, um delinqüente, um doente mental e um retardado. Ele também interpretou essas personagens no cinema.
Como é comum entre atores megalomaníacos, Sean Penn não fica contente em estar apenas na frente das câmeras. Seu primeiro trabalho de direção foi um clipe para Shania Twain: “Dance with the One That Brought You.”
Naturalmente, esse trabalho pavimentou o caminho para seus trabalhos seguintes atrás das cameras, The Crossing Guard (O Acerto Final), sobre assassinato por vingança, e The Pledge (A Promessa), também sobre assassinato por vingança – um tema comum tanto para ouvintes quanto como para colaboradores de Shania Twain.
Mais recentemente Sean Penn escreveu e dirigiu Into the Wild (Na Natureza Selvagem), sobre um escroto pegador de caronas que atravessa a América e morre de fome no Alaska selvagem.
Em 2003, Sean Penn recebeu um Oscar como melhor ator por seu trabalho em Mystic River (Sobre Meninos e Lobos), unindo-se ao colega Russell Crowe como os únicos agressores condenados pela justiça a possuírem tal distinção.
Vida Pessoal
A vida pessoal de Sean Penn começou a atrair atenção com seu casamento com Madonna em 1985. Madonna dedicou seu album True Blue para Penn, referindo-se a ele como nas notas do CD como “O cara mais cool do universo.”
Penn celebrou o fato confessando na justiça ser culpado de violência doméstica. Os dois se separaram em 1986. A relação não produziu filhos mas deixou um filme, Shanghai Surprise (A Surpresa de Shangai), cuja custódia não foi pedida por nenhum dos dois.
Sempre procurando briga, Sean Penn entrou em confronto verbal no 77o. Oscar com o apresentador Chris Rock, desperdiçando 45 dos 60 segundos reservados para cada apresentador para defender o aprendiz de escroto Jude Law. Penn ficou tão perturbado com o confronto que precisou bater em cinco paparazzis para se acalmar (Os enfermeiros de Penn mantêm diversos deles por perto com essa finalidade)
O cara mais Cool do Mundo
Como aqueles que leem meu blog estão cansados de saber, eu era fã das pernas da Cleo Pires – antes da dieta que ela fez, sabe-se lá por que…
Ao postar fotos da musa (antes da dieta), reparei no seguinte:
Aparece um fulano na frente, no canto inferior esquerdo, com os braços atrás da cabeça, sentado em uma cadeira de praia vermelha, olhando para o lado oposto, absolutamente indiferente ao fato de Cleo Pires estar atrás dele, de maiô, com o derrière apontado em sua direção!!! (ao invés de estar de joelhos, rezando uma ave maria em agradecimento, como qualquer homem normal nas mesmas circunstâncias)
As fotos não registram quem é esse cara – mas desde já para mim é o cara mais cool do mundo – e deveria estar na capa do livro que escrevi sobre o assunto.


A Cena Siciliana – Um dos Momentos mais Cool do Cinema

No meu livro “Fica Frio! Uma Breve História do Cool”, eu aponto a “cena siciliana” do filme “Amor À Queima-Roupa”, com roteiro de Quentin Tarantino, como um dos momentos mais cool do cinema.
Nela, temos o confronto de dois monstros sagrados: Christopher Walken e Dennis Hopper, com direção de Tony Scott .
“Você sabe quem sou eu, Sr. Worley?” pergunta Coccotti, a personagem de Walken. Quando Clifford (personagem de Hopper) diz não ter idéia, Walken se apresenta: “Eu sou o anti-cristo. Você me colocou num clima de vendetta. Você pode dizer aos anjos no céu que você nunca viu o mal tão singularmente personificado quanto na face do homem que te matou.”
Momentos depois, Walken diz: “Sicilianos são grandes mentirosos. Os melhores do mundo. Eu sou siciliano. E meu velho era o campeão mundial dos pesos pesados dos mentirosos sicilianos. E foi crescendo com ele que eu aprendi a pantomima. Existem, na verdade, dezessete coisas diferentes que um cara pode fazer quando está mentindo que o denunciam. Um cara tem dezessete pantomimas. Uma mulher tem vinte, mas um cara dezessete…”
Então, sabendo que Walken é siciliano, Hooper diz: “Você sabe, eu leio um bocado. Especialmente coisas sobre história. Eu acho essa porra fascinante. Eu não sei se você sabe disso, mas os sicilianos foram inseminados pelos crioulos”
Walken, entre surpreso e divertido, diz: “Como é?”. Hopper retoma o raciocínio: “É um fato. Sicilianos têm sangue negro bombeando através de seus corações. Veja, há centenas e centenas de anos, os mouros conquistaram a Sicília. E os mouros são negros… Naquela época, os sicilianos tinham cabelos louros e olhos azuis, então os mouros mudaram o país inteiro. Eles foderam tanto com as sicilianas que mudaram a genética para sempre. Por isso os loirinhos de olhos azuis mudaram para cabelo negro e pele escura. Você sabe, é absolutamente surpreendente perceber que até hoje, séculos depois, os sicilianos continuam com esse gene crioulo.”
A cena evolui até que Walken beija Hopper (“Eu amo esse cara” diz ele, simpático até demais para quem pouco tempo antes tinha se apresentado como a anticristo) antes de dar um tiro em sua cara.
Em uma entrevista, Walken disse que o fato dele e Hopper serem amigos na vida real pode ter ajudado a criar o clima de simpatia entre os dois antagonistas “Nós realmente gostamos um do outro, mas eu o mato da mesma forma”
“As únicas coisas que eu e Christopher Walken improvisamos em nossa grande cena foi minha frase:”Você é meio berinjela” e sua frase “E você é um melão” ” complementou Hopper anos depois, acrescentando “O resto foi escrito por Quentin. Se eu estava preocupado com as questões raciais? Não, não mesmo. Porque é fato. Os Mouros invadiram a Sicilia e eles deixaram descendentes. Quentin escreve como as pessoas falam. Ele não tem que ser Politicamente Correto”.
David Letterman – Rei do Cool
David Letterman possivelmente é um dos últimos bastiões do cool – como eu apontei no meu livro “Fica Frio – Uma Breve História do Cool”. A prova disso, escrevi, era o fato dele usar meias brancas com terno e continuar cool – um teste que talvez nem Cary Grant resistisse.
Aqui vai mais uma evidência: Ele entrevista (??) um Joaquin Phoenix totalmente maluco, respondendo monossilabicamente, enquanto Letterman – sem perder o cool - tenta manter a conversa com algum nível de normalidade. Ao final, com a classe habitual, Letterman elogia seu filme e lamenta que ele não tenha estado lá. Até Phoenix sai do estado catatônico e ri, dizendo “ele é engraçado. É um cara engraçado”.
Chris Walken, John Holmes e outros Lesser Gods II

Vai aí mais um pedaço do livro do Robert Schnakenberg sobre o Christopher Walken, chamado “Christopher Walken A to Z”. O item é sobre John Holmes – um dos temas campeões de acessos deste blog:
Nos anos 1990, Walken trabalhou diligentemente em um roteiro baseado na vida e na lenda da estrela de filmes adultos, John “Wadd” Holmes. O prodigiosamente bem dotado ator, a quem Walken chamava de “O Elvis do pornô” morreu de AIDS em 1988. Sua subida espetacular e sua queda trágica tornaram-se mais tarde inspiração para o filme Boogie Nights. O roteiro não produzido de Walken teria sido uma biografia mais direta. A idéia do filme sobre Holmes ocorreu a Walken quando ele estava filmando “O Rei de Nova York”. “Abel Ferreira e eu estávamos sentados às quatro da manhã e um cara me passou um artigo do Village Voice sobre John Holmes… Ele era um cara simples, cujo pai era abusivo, e ele veio para LA como trabalhador braçal. Ele nunca percebeu que tinha um grande dom. Eu contei sua história em meu roteiro mas dei um final feliz, uma coisa de sonho na qual ele está muito doente e caminhando com dificuldade e volta para seu apartamento e vive sua vida de fantasia com sua esposa tipo Donna Reed, seus filhos e um cão.” Ligando Holmes a Vincent Van Gogh e a outros artistas atormentados, Walken planejou fazer um filme sobre um “cara comum, um cara gentil, um adulto que era meio que descoberto. Ele tinha esse… hum… grande talento para o qual ele não dava importância”. Seu plano inicial era interpretar Holmes, com seu amigo Ferrara na cadeira de diretor. A uma certa altura, Ferrara descreveu Walken como “obcecado com Holmes”, aparentemente porque ele se identificava com as pressões da fama que conduziram Holmes às drogas e à morte.”Ele sabe se identificar com isso porque é assim que são 33 anos no ramo do entretenimento”. Infelizmente, nenhum estúdio quis tocar no projeto de Walken sobre Holmes – e seu dote de 33 centímetros. “Eu almocei com um monte de gente que se disse entusiasmada com o projeto, mas nada aconteceu” – Walken disse anos mais tarde. Com o passar do tempo, ele se tornou muito velho para interpretar o papel de forma convincente e o filme acabou morrendo no nascedouro. “Basicamente, é sobre a maldição de um grande dom. É como Mozart” disse Walken sobre seu roteiro sobre a vida de John Holmes.
Vale lembrar que existem perfis bem mais completos, tanto sobre Walken quanto sobre Holmes, em meu livro: “Fica Frio – Uma Breve História do Cool”, livro que tanto eu quanto a senhora minha mãe recomendamos enfaticamente.


Tudo Sobre “O Poderoso Chefão”

Meu livro “Fica Frio – Uma Breve História do Cool” conta um pouco sobre as filmagens de “O Poderoso Chefão” no capítulo dedicado a Marlon Brando.
Para quem quiser a história completa, com os detalhes sujos, saiu uma reportagem genial na Vanity Fair – segue o link para quem quiser ler na íntegra:
http://www.vanityfair.com/culture/features/2009/03/godfather200903?currentPage=1
A reportagem mostra que Mario Puzo – jogador compulsivo – estava quebrado quando levou à Paramount o esboço de um livro chamado “Máfia”.
O produtor Robert Evans, que recebeu o então desconhecido escritor, o fez como um favor a um amigo. Deu um dinheirinho para Puzo e o tirou do caminho.
Meses depois, Puzo apareceu com um livro, já com o nome de “The Godfather”, escrito sem que Puzo jamais falasse pessoalmente com nenhum mafioso.
A reportagem mostra que Francis Ford Coppola, então com 31 anos, tentou ler o livro e parou na página 50, repugnado com as cenas grotescas de sexo.
Aceitou dirigir o filme porque estava quebrado.
Outro que odiou o livro foi Marlon Brando, que ninguém queria no papel título, com exceção de Puzo. Na reportagem, existe uma cópia da carta de Puzo para Brando (reproduzida aqui) dizendo que ninguém mais poderia interpretar o papel.
Para viver Michael Corleone foram convidados Robert Redford, Martin Sheen, Ryan O’Neal, David Carradine, Jack Nicholson e Warren Beatty.
“Tem uma história por trás disso,” contou Beatty. “O papel me foi oferecido antes de Marlon entrar no projeto. Quando fui procurado, o chefão ia ser interpretado por Danny Thomas. Eu pulei fora. Jack [Nicholson] também.E outra coisa que eu me lembro. Me oferecerem para produzir e dirigir o filme. Charlie Bluhdorn era um fã de Bonnie and Clyde e me mandou o livro. Eu li por cima. Eu disse ‘Charlie, não outro filme de gangster’”


