
O cinema está acabando e virando entretenimento infanto-juvenil faz tempo. Woody Allen, Scorsese e Coppola não repetem as obras-primas que filmaram nos anos 70. Taxi Driver. O Poderoso Chefão. Annie Hall. Manhattan. É o tempo de super heróis e de grandes atores como Robert Downey Jr desperdiçados em franquias pueris.
Scorsese, por sinal, foi para a TV, com o excelente Boardwalk Empire. Allen e Coppola vagam mundo afora em busca de trocados para fazer filmes que quase ninguém assiste.
Quando a TV começou a ficar mais relevante que o cinema? Possivelmente quando uma obra seminal como Família Soprano foi lançada. E permanecia no topo até o lançamento de Breaking Bad – the perfect storm – aquela situação em que tudo se reúne para criar um evento único e improvável.
Breaking Bad foi criada Vince Gilligan e é exibida nos EUA pelo canal AMC. Estreou em 2008 e conta a estória de Walter White (Bryan Cranston), um professor de química do ensino secundário com um filho adolescente que sofre de paralisia cerebral (RJ Mitte) e uma esposa grávida, Skyler (Anna Gunn). Quando ele descobre que está com câncer e vai morrer em breve, decide montar um fundo para acomodar as necessidades da família. Para tanto, começa a produzir metanfetaminas com o seu ex-aluno Jesse Pinkman (Aaron Paul).

Cranston, até então um mero coadjuvante de sitcoms, mostra uma força inacreditável – e para mim é o melhor ator em atividade. Ele encontra sutilezas no personagem e dá a ele uma complexidade única, oscilando entre a fragilidade e a brutalidade gratuita. Ele ganhou dois Prêmios Emmy pela primeira temporada além de vários outros prêmios e nomeações. O personagem de Cranston nos desafia o tempo todo. Quando começamos a sentir alguma empatia, ele nos provoca com gestos de grosseria totalmente desnecessários, não poupando nem o filho deficiente.
Quando eu falo em tempestade perfeita, estou me referindo ao encontro de um roteiro perfeito com um casting impecável, passando por detalhes como a luz saturada de Albuquerque, Novo México.
Um exemplo disso é o chefão do tráfico Gustavo “Gus” Fring, interpretado por Giancarlo Esposito.

Paulo César Peréio – que entende tudo – disse uma vez que gosta de atores que fazem muito sem fazer praticamente nada. Citou como exemplo Robert Mitchum. Esposito faz o mínimo possível. Não há o menor vestígio de overacting. Está tudo nos olhos. A cena em que ele cuidadosamente dobra o blazer antes de vomitar o veneno que tomou é um exemplo da construção impecável de seu personagem. Ele finge simpatia, sorri, e você tem certeza de que ali está um cara com quem é melhor não se meter. A perfeita tradução do Cool Motherfucker.
Os atores que fazem Breaking Bad nunca estouraram no cinema. Pertenciam ao submundo da TV. E,desta tempestade perfeita e improvável, nasceu um clássico.
Ou, como um crítico definiu sem exagero “TV para os deuses”.
Aqui, só aprendo. Impressionante. Não fosse este blog, me sentiria confortável onde moro, na Idade Média. Sorte que a todo post sou obrigado a sair lá fora, onde bate o vento polar.
Nei mora no paraíso e fica tripudiando dos que vivem em infernos como SP
Preciso ver isso urgentemente!!!!!!!!!!!!
Vc vai adorar
Não falei em geografia, mas em sabedoria. Mas nem moras em SP, e sim no Guarujá, seu praieiro.